Tarefa dos departamentos jurídicos se torna mais estratégica e menos operacional

por andre_inohara — publicado 06/03/2012 17h27, última modificação 06/03/2012 17h27
São Paulo – Assessoria em operações de aquisição, entrada em novos segmentos de mercado e internacionalização são algumas das funções que se esperam hoje dos advogados corporativos.

As estruturas jurídicas das empresas estão assumindo um perfil de assessoria estratégica, deixando para escritórios terceirizados a tarefa de lidar com as demandas de perfil operacional, como contingências trabalhistas com baixo potencial de perdas.

“Em empresas brasileiras que planejam operar fora do País, o departamento jurídico é chamado a fazer a análise legal da operação, trabalhando muito próximo à presidência. Mas a gestão jurídica estratégica também consiste em avaliações sobre a aquisição de novas empresas ou entrada em novos segmentos da economia”, ilustrou Anna Luiza Boranga, sócia da ALB Consultoria e professora de Direito da GVlaw. Ela falou ao site da Amcham pouco antes de participar do comitê estratégico de Diretores e Vice-Presidentes Jurídicos da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (07/03).

As demandas de maior volume e duração, como reclamações de consumidores e disputas trabalhistas de pequeno valor, podem ser delegadas para escritórios de advocacia terceirizados, completou Anna.

“Trata-se de pendências que não exigem conhecimento jurídico altamente especializado e ocorrem por todo o Brasil”, observa Anna. “A empresa não tem condições de ficar assumindo isso, porque vai ter muito trabalho para executar e supervisionar. É melhor que o Jurídico se dedique a ações que gerem mais valor à empresa”, opina.

Nesse contexto, os departamentos Jurídicos têm grande importância no trabalho preventivo. “O papel do advogado corporativo é mostrar quais são os riscos decorrentes de uma operação mal feita, para evitar o contencioso”, destaca Anna.

No passado, os advogados corporativos eram pouco valorizados. Muitas empresas chegaram a terceirizar o departamento, conta Anna. “Antigamente se faziam negócios sem pensar no contencioso, e o advogado era chamado só depois que o problema acontecia.”

Parte importante das atribuições atuais dos advogados é antecipar eventuais problemas. “Em seu novo papel, o advogado participa do processo de análise legal desde o começo. É um papel de consultoria preventiva e por conta disso o mercado para departamentos Jurídicos hoje está bastante valorizado”, comenta.

Perfil dos advogados corporativos

Dentro de uma empresa, os advogados têm que ser bons gestores. “Eles têm que gerenciar conflitos, pessoas e riscos, tudo isso sem perder o foco do negócio”, de acordo com Anna. Porém, o conhecimento acumulado em uma companhia é o grande diferencial do advogado corporativo.

Um colega advogado que trabalha em escritório atende a inúmeras empresas, por isso não tem o conhecimento aprofundado do negócio de uma empresa. O que um advogado de escritório conhece detalhadamente são as leis, compara a especialista.

Ter experiência externa ajuda a complementar o desempenho das funções, pois também cabe ao advogado de empresa contratar escritórios terceirizados. “Se ele já tiver passado por algum escritório de advocacia, saberá como negociar contratos”, afirma Anna.

Outras experiências também ajudam o profissional das empresas. “Quem tiver alguma experiência de ter passado por alguma agência de governo ou entidade de classe vai levar vantagem”, considera a especialista.

registrado em: