Terceirizados do setor de TI ganham até 2 vezes mais que os demais

publicado 28/09/2015 10h41, última modificação 28/09/2015 10h41
Recife - Durante o Seminário de Relações Trabalhistas especialistas rebateram a ideia de que a terceirização irá precarizar situação dos trabalhadores
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O receio de que a aprovação do Projeto de Lei (PL) que trata da terceirização possa causar precarização da situação do trabalhador não atinge aqueles relacionados ao setor de TI. Segundo dados da BRASSCOM (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), o salário dos terceirizados de empresas de TIC é em média 2.2 vezes maior que os dos demais empregados.  O dado foi exposto pela Senior Legal Consel da consultoria Accenture, Carolina Perotti, em sua palestra no Seminário de Relações Trabalhistas da Amcham Recife, no último dia 24/9, no Amcham Business Center.

Carolina usou o exemplo para demonstrar que terceirização não é necessariamente sinônimo de precarização. “Quando se fala que a terceirização trará redução de custos para as empresas isso não significa que os salários irão abaixar. O ganho das empresas aconteceria ao contratar uma empresa terceirizada especializada e com alto know-how. Assim, o serviço seria feito de forma mais eficiente e mais ágil, além de a companhia diminuir gastos com treinamento de mão-de-obra”, defende.

A gerente citou ainda dados da CNI segundo os quais 84% das empresas mostram interesse em aumentar a terceirização em seus negócios, sendo que, dentre esses, 52% está interessada em incrementar a qualidade dos serviços. Para ela, essa realidade vale especialmente para empresas de TIC, na qual a busca por atividades terceirizadas está a pleno vapor, tendo acabado 2014 empregando 1,5 milhão de terceirizados, o que representa um aumento de 7,7%.

 Segundo a advogada, a importância de uma lei que regulamente a forma como a terceirização é feita é fundamental para que seja reduzida a insegurança jurídica acerca da questão. “As TICs, principalmente, estão presentes em praticamente todos os setores produtivos e com diversas funções. Às vezes a definição do que é ou não atividade fica quase impossível.”

 De acordo com Carolina, quando a PL da terceirização propõe a permissão da terceirização para atividades-fim, a ideia não é que as empresas passem a terceirizar todos os funcionários. A intenção é que essa incerteza jurídica seja minada.

 Necessidade de Equilíbrio

O Procurador do Estado de Pernambuco Paulo Collier, que também palestrou no seminário, diz que a terceirização é uma realidade inegável e presente em vários países e que cabe à sociedade encontrar o melhor consenso para que tanto empresas como empregados saiam ganhando.

 “Há os dois lados. Existem fontes respeitáveis que apontam que o salário de um trabalhador terceirizado é em torno de 30% menor que o dos demais, além de se acidentarem com mais frequência. Por outro lado, a terceirização muitas vezes cumpre bem o objetivo de dar maior eficiência e agilidade ao processo produtivo”, expõe Collier.

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