Whirlpool, Pfizer, Basf e Neonergia dão dicas de como fortalecer a cultura organizacional para combater corrupção

publicado 26/08/2019 16h10, última modificação 27/08/2019 11h13
São Paulo – Compliance deve trabalhar para que os colaboradores sejam patronos dos valores da empresa
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Da esquerda para a direita: Shin Jae Kim (Tozzini Freire Advogados), Roberto Medeiro dos Santos (Neoenergia), Cibele Fernandes (Pfizer), Bernardo Gallina (Whirlpool), André Gustavo Oliveira (BASF)

Parte das obrigações do compliance é disseminar boas práticas nas companhias. Os maiores esforços do sistema de integridade devem estar voltados para a prevenção de crises, a fim de conservar a imagem da empresa. Por isso, fortalecer a cultura organizacional é uma das formas mais eficazes de combater a corrupção, segundo executivos da Whirlpool, Pfizer, Basf e Neonergia.

O superintendente de compliance da Neoenergia, Roberto Medeiro dos Santos, a diretora de compliance da Pfizer, Cibele Fernandes , o vice presidente LAR da Whirlpool Latin America,  Bernardo Gallina, e o diretor de jurídico e compliance da BASF, André Gustavo Oliveira, estiveram presentes no nosso Fórum de Compliance, na última sexta-feira (09). O bate-papo teve como moderadora Shin Jae Kim, sócia da Tozzini Freire Advogados.

ENGAJAMENTO E BOM EXEMPLO

Uma cultura organizacional forte e bem consolidada diminui as chances de que atitudes antiéticas ocorram nas empresas, segundo o Vice Presidente de compliance, jurídico, relacionamento com investidores e relações corporativas da Whirlpool América Latina, Bernardo Gallina. “Se a cultura for forte, os próprios colegas serão vigilantes uns dos outros, cobrando atitudes éticas”, afirma.

A diretora de compliance da Pfizer, Cibele Fernandes concorda. Para ela, trabalhar a cultura dentro das organizações é crucial: “No fundo, é a cultura que vai sustentar o programa de compliance e sustentar a empresa.”

Reforçando essa importância, o superintendente de compliance da Neoenergia, Roberto Medeiro dos Santos aponta que as lideranças têm papel fundamental na propagação de princípios. “Unir o discurso à prática é uma forma de dar bons exemplos para a sua equipe”, explica.

COMUNICAÇÃO E INFLUÊNCIA

Santos acredita que quando existe um programa de integridade que foca no cumprimento das leis dificilmente haverá infratores. Para isso, ele explica que trabalhar a cultura com os colaboradores envolve muito a linguagem que é utilizada. “No mundo prático utilizar uma linguagem adaptada à realidade dos seus colaboradores é crucial para o diálogo e entendimento das regras de conformidades”, avalia.

Igualmente importante é engajar a média gerência, segundo Cibele. Isso porque, segundo ela, a maioria dos colaboradores é mais próxima e, consequentemente, mais influenciada por essa camada de líderes. “Não é toda a organização que tem contato com a média gerência”, comenta. Gallina acrescenta que, além disso, é preciso falar de compliance nas reuniões de equipe e com todas as equipes e em todas as camadas.

Desta forma, é dever de toda organização manter viva a discussão do compliance. Entretanto, a área de conformidades é a responsável pela manutenção e início do debate ético. “É fácil reputação e legado serem comprometidos por um desvio de conduta”, alerta Oliveira. O executivo da BASF finaliza lembrando que, para que as condutas funcionem, o compliance deve ter sempre uma postura adaptável às situações e ao mesmo tempo séria.