“Resiliência é ter conduta em meio ao caos”, diz conferencista

publicado 27/08/2015 09h45, última modificação 27/08/2015 09h45
São Paulo – Jo Lima ressalta a importância da resiliência para a alta performance de lideranças
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A resiliência já tem sido tratada como uma das qualidades essenciais para todo tipo de profissional, mas ainda falta a boa parte das equipes, inclusive nos postos de chefia. Esse é um sinal vermelho para a empregabilidade em um contexto em que o emocional pode pesar tanto quanto o conhecimento técnico, afirma Jo Lima, conferencista e coach (especialista em treinamento de executivos).

“Estamos migrando para uma sociedade tão complexa que, em pouco tempo, o conhecimento técnico não será o único a ser considerado para o emprego, mas também a atitude,” comenta. Ela discutiu o peso da resiliência na alta performance de líderes durante o Café de Relacionamento com novos associados da Amcham – São Paulo, quarta-feira (26/08).

Resiliência vem do latim resiliens e se refere à qualidade de alguns materiais de voltarem ao estado normal após serem submetidos à máxima extensão. No comportamento humano, se aplica à capacidade de construir-se positivamente frente às adversidades. “A minha definição é de que resiliência é ter conduta em meio ao caos”, pontua Jo.

Segundo a conferencista, é no momento de crise em que se mostra se alguém é ou não resiliente. “Há gente que vira um verdadeiro homem-bomba ou mulher-foguete, nessa hora”, brinca.

Ela explica que entre o momento do caos e a resposta que se dá a ele há uma lacuna em que estão os valores, como o respeito aos demais. “É nesse espaço em que está nossa liberdade de mudar a resposta à crise”, diz.

Para ser resiliente

Para Jo Lima, o alicerce da resiliência é autoestima, que trabalha em favor de uma causa coletiva e da visão sistêmica, enquanto a autoconfiança atua em prol do individual. É preciso ter muito da primeira e saber dosar a segunda, destaca a conferencista. “Porque excesso de confiança mata”, cita.

O resiliente também possui independência de pensamento e de ação, o que lhe confere a capacidade de se posicionar e dizer não. “Todo ser humano carece de limites e respeito ao outro. Hoje, temos de educar os adultos”, observa.

Tem de suportar pressão psicológica e possuir alto grau de disciplina pessoal para cumprir o que se propõe. “O profissional está lá para servir à organização. Pessoas que cobram é porque veem resolubilidade,” declara. “E disciplina é a espinha dorsal da resiliência. Você só se refina com assiduidade”, completa.

Ser criativo, olhar com “o olhar do outro” e despir-se de preconceitos para não rotular as pessoas é outro vetor para a resiliência. Assim é possível estar receptivo às novas ideias. “As organizações precisam de times com diversidade. Times lineares não têm alta performance”, sentencia.

Jo Lima diz que a resiliência é inata, nasce com o indivíduo, mas que as condições do ambiente ajudam a fortalecê-la. Essa jornada, ressalta, requer a habilidade de dar e receber nas relações com os demais profissionais. Antes de tudo, é necessário desenvolver amizade no trabalho. “Quando me sinto ninguém dentro da organização, não entrego o meu melhor. Se quiser mobilizar pessoas, encurte as distâncias,” atesta.

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