Autodiagnóstico ajuda PMEs a se prepararem para oportunidades de mercado

por giovanna publicado 17/11/2010 20h01, última modificação 17/11/2010 20h01
São Paulo – Processo envolve realização de análises para identificar problemas internos e acompanhar ações da concorrência direta.
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O futuro próximo reserva às empresas de pequeno e médio porte (PMEs) grandes oportunidades de desenvolvimento, mas aproveitá-las depende de preparação adequada. Nesse contexto, realizar autodiagnósticos constantes, que permitam identificar eventuais entraves, é a grande recomendação de Fernando Ruiz, gerente de Consultoria para Empresas Emergentes da Deloitte.

“É preciso avaliar como a companhia tem se comportado e organizá-la para que abrace a gama de oportunidades vislumbradas para o futuro. isso envolve a realização de análises para identificar problemas internos e acompanhar as ações da concorrência direta e de outros agentes, visualizando o que possa gerar impactos”, explicou Ruiz, que participou de comitê Business in Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (17/11).

Para Ruiz, a melhor época para iniciar o diagnóstico se dá após dois ou três anos desde a abertura do negócio, quando começa a se estruturar. Nessa etapa, muitos dos processos internos ainda não estão mapeados, não há planos de carreira definidos e os sistemas começam a não atender às demandas. O trabalho começa por refinar a estratégia, vinculando diretrizes da empresa, processos, tecnologia e pessoas. Posteriormente, as revisões podem ser realizadas todos os anos ou a cada biênio.

Quanto à contratação de auditorias/consultorias externas para conduzir o diagnóstico, Ruiz afirmou ainda existirem barreiras. “A visão de que grandes empresas de consultoria não atendem às pequenas e médias persiste, o que não é mais verdade porque atualmente existem grupos focados em empreendimentos emergentes. Essa mudança de cultura é um desafio, e o pequeno e médio empresário tem de perceber o valor desse investimento.”

Outras recomendações de Ruiz às PMEs são apostarem na formação de parcerias com organizações de maior porte, que terão importante papel, por exemplo, nos grandes projetos de infraestrutura previstos para os próximos anos; e se atentarem a licitações e contratações do setor público, sem dúvida uma frente de oportunidades.


Cenário das PMEs

Durante o comitê da Amcham, o gerente apresentou o estudo “As PMEs que mais crescem no Brasil”, realizado pela Deloitte em parceria com a revista Exame junto a 200 companhias de pequeno e médio porte com receita líquida entre R$ 5 milhões e R$ 200 milhões. O levantamento traça um cenário bastante positivo, segundo o qual a maior parte das organizações desse porte estima crescimento de 35% em 2010.

A pesquisa revela também que, entre os anos de 2007 e 2009, os segmentos que mais se expandiram entre as PMEs foram construção (58%); eletroeletrônicos (50%); papel e celulose (43%) e telecomunicações (42%). Os principais fatores impulsionadores do avanço nesse período foram aporte em relacionamento e fidelização dos clientes (76%); qualidade dos produtos (72%;) e controle de custos (61%).

Os principais desafios a médio e longo prazos para as PMEs, conforme a Deloitte, são manter custos competitivos (85%); obter atualização tecnológica (78%); e atrair e reter profissionais com alta qualificação (77%). Para enfrentar esse cenário, os empresários acreditam que devem manter parcerias com grandes organizações (63%), e consideram participar de operações de fusões e aquisições pelas oportunidades de conquistar novos mercados e clientes (67%); de ampliar a carteira de produtos e serviços (59%) e aumentar o market share (57%).

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