Chips serão mais potentes para dispositivos cada vez mais interconectados, de acordo com executivo da Intel

por andre_inohara — publicado 30/10/2012 17h15, última modificação 30/10/2012 17h15
São Paulo – Consumidor quer que aparelhos possibilitem acesso a informações e conteúdo com mais autonomia e velocidade.
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A fabricante de processadores Intel pretende apostar em chips para dispositivos mais poderosos, que facilitem a interconectividade de dispositivos. “Vivemos um momento de transição, e apostamos em mais dispositivos que servirão a propósitos múltiplos a partir de 2013. Mais do que nunca, [o usuário] quer que os dispositivos falem uns com os outros, sejam mais interconectados”, disse Cássio de Quadro Tietê, diretor de Marketing do segmento de Tablets e Smartphones da Intel.

Para ele, a tendência de consumerização – uso de aparelhos próprios dos funcionários no ambiente de trabalho – abre espaço para o desenvolvimento de processadores capazes de prover os novos dispositivos com recursos gráficos melhores e mais recursos para criação de conteúdo.

“Faremos com que as experiências de uso passem por todos os segmentos. Vamos amparar o desempenho dos computadores seja em carro, TV, celular, tablet ou laptop, dentro do contexto que o usuário vive”, comenta o executivo.

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Tietê foi um dos participantes do Fórum Conectividade e Mobilidade da Amcham-São Paulo na última quinta-feira (25/10) e concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

Amcham: Que discussão chamou mais a atenção do sr. no fórum de conectividade?

Cássio de Quadro Tietê: A maior constatação é que, de fato, a mobilidade já é real. Parte das estratégias das empresas aqui presentes contempla isso, seja através de ferramentas de produtividade interna, seja como meio onde os conteúdos são formatados e entregues ao consumidor, brindando-o com uma experiência diferenciada.

Amcham: E sobre mobilidade, o que apontaria?

Cássio de Quadro Tietê: Em termos de marketing móvel, passa a ser fundamental estar ciente do contexto onde o consumidor oferece informações relevantes, com agilidade e fácil assimilação. Em suas estratégias de marketing, as empresas têm que se ocupar de abordagens agregadoras, que vão do convencimento à comparação de preços.

Amcham: Como a Intel se prepara para esse horizonte de oportunidades?

Cássio de Quadro Tietê: Somos uma indústria que se preocupa em trazer produtividade e desempenho aos dispositivos para que eles se tornem mais ágeis e integrados aos aplicativos e softwares. Enxergamos nisso uma grande vertente para investimentos e é para lá que estamos indo. No próximo ano, a indústria vai proporcionar ultrabooks mais finos e com mais tempo de conexão, e estamos desenvolvendo uma bateria de maior duração para o produto. Também traremos elementos de segurança para assegurar a proteção da identidade digital e de dados dos consumidores, e olhamos para os smartphones e tablets, que começam a ganhar desempenho e capacidade de processamento igual ao de um PC. O avanço nessas vertentes continuará sendo grande.

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Amcham: O que é prioridade para a indústria de processadores, velocidade ou desempenho?

Cássio de Quadro Tietê: A coisa mais importante para nós é proporcionar aos usuários uma experiência única e que seja completamente adequada à sua expectativa. Eles não querem mais depender de baterias e sentem necessidade de obter informações instantaneamente, com experiências ricas em recursos visuais e gráficos. Mais do que nunca, querem que os dispositivos falem uns com os outros, sejam mais interconectados. Isso vai demorar um pouco, mas é parte de nossa visão e apostaremos cada vez mais nisso. Faremos com que as experiências de uso passem por todos os segmentos. Vamos amparar o desempenho dos computadores seja em carro, TV, celular, tablet ou laptop, dentro do contexto em que o usuário vive.

Amcham: Como é o diálogo com a indústria de dispositivos?

Cássio de Quadro Tietê: Na prática, envolve grande colaboração com todos os fabricantes para identificar quem é o usuário, qual a sua segmentação, o modelo de uso e o que ele vai fazer com o dispositivo.  Trabalhamos com as variáveis de formato, conteúdo, software e hardware a serviço do consumidor. Isso exige muita pesquisa etnográfica, onde estudamos a relação do ser humano com a tecnologia, como ele usa e se manifesta, o seu eu digital, para acelerar o desenvolvimento conjunto de produtos.

Amcham: Uma das discussões do fórum foi quanto à influência da conectividade e da mobilidade nos segmentos B2B (empresas) e B2C (consumidor final). Como esse movimento tem afetado ambos?

Cássio de Quadro Tietê: Nos EUA, vemos grande número de consumidores e executivos que começam a usar tablets e dispositivos. Os executivos de B2B querem elegância e usabilidade, enfim, uma experiência mais diferenciada e rica. Ao mesmo tempo, precisam de mais produtividade e integração com o ambiente legado, e também gerir o custo da infraestrutura que isso acarreta. Vivemos um momento de transição, e apostamos em mais dispositivos que servirão a propósitos múltiplos a partir de 2013. A consumerização de dispositivos de entretenimento e seu aproveitamento como ferramentas de produtividade e criação de conteúdo é o que buscamos cada vez mais. Vamos trazer esses formatos para os mundos do consumo e corporativo.

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Amcham: O consumidor está ficando mais digital?

Cássio de Quadro Tietê: O consumidor digital é um indivíduo, mas no Brasil esse fenômeno acontece em varias dimensões. Veja a sociabilidade do brasileiro. Ele lança mão das redes sociais para compartilhar e influenciar a compra, deixar recados e impressões positivas ou negativas de determinados produtos. O cliente está digitalizado sob o ponto de vista da comparação de preços, pois já aparece no ponto de venda com várias alternativas de produtos.

Amcham: E como a tecnologia está mudando esse consumidor?

Cássio de Quadro Tietê: Ele já está treinado sobre o que pode fazer com cada tecnologia antes de entrar no ponto de venda. Voltando a falar sobre marketing móvel, à medida que o indivíduo permite interações sociais e compartilhamento de sua vida pessoal, será abordado por ofertas e promoções quando entrar, por exemplo, em um shopping. Isso já acontece hoje. Temos uma parceria com a Petrobras em um projeto chamado de Posto de Gasolina no Futuro. Quando o cliente chega para abastecer, o sistema do posto já sabe quem ele é, que tipo de óleo usa e o que a loja de conveniência pode oferecer. Também podem ser dadas informações sobre aspectos de segurança, onde é possível trafegar. Tudo isso será baseado no perfil do usuário e estabelecimentos que querem se relacionar com ele. Esses vínculos já podem ser estabelecidos, o que gera grandes oportunidades.

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