CIOs passam a ter função estratégica com foco em inovação

por daniela publicado 28/11/2011 11h49, última modificação 28/11/2011 11h49
Daniela Rocha
São Paulo - Companhias aumentam grau de exigência sobre esses profissionais, que, além de reunir conhecimentos técnicos, atuam nos planos de negócios, mostrou debate na Amcham.
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A atuação dos CIOs (Chief Technology Officers) ou diretores de Tecnologia da Informação (TI) assume novo patamar de complexidade. Além dos conhecimentos técnicos, esses executivos passam a ter função estratégica, com foco em inovação. A análise é de Sérgio Alexandre Simões, sócio da Consultoria de TI da PwC (PricewaterhouseCoopers), que participou do “Fórum de TI – CEOS e CIOS Debatem as Projeções para o Mercado Brasileiro de TI”, promovido pela Amcham-São Paulo na sexta-feira (25/11).

“Há muitos desafios na gestão da TI que requerem um perfil novo dos CIOs, com conexão maior nos objetivos corporativos e esforços em soluções inovadoras”, disse Simões.

A manutenção e a segurança da infraestrutura tecnológica das empresas são ações que se transformaram em commodities.  Hoje, espera-se que os CIOs também sejam capazes de agregar diferenciais competitivos aos planos de negócios. Segundo  o consultor da PwC, esses executivos têm de cumprir a seguinte agenda de trabalho:

• Realizar avaliação comparativa de todas as funções empresariais em relação às melhores práticas;
• Conhecer os direcionadores de custo para o negócio, sabendo como eliminá-los ou transformá-los;
• Antecipar conhecimento de como o mercado cria valor aos clientes e como as novas tecnologias definirão o comportamento dos clientes.

“Para realizar tudo isso, o CIO deve combinar auto-consciência afiada, liderança e atributos de vendas e comunicação”, ressaltou Simões.

Brasil

A 10ª edição do Estudo da Gestão de TI no Brasil da PwC,  que envolveu entrevistas com 237 líderes de tecnologia e foi divulgada em maio, aponta que apenas 63% das companhias possuem planos formais de TI alinhados com o planejamento estratégico de negócios. Mostra também que, em termos de projetos de inovação, 51% ainda os estão preparando ou nem mesmo planejam entregá-los.

“É preciso avançar muito. Nota-se que a TI ainda não demonstra a maturidade necessária para estar alinhada à missão e aos objetivos do negócio. Evidencia-se que o principal gargalo das funções da TI ainda está no alinhamento”, afirmou Simões.

Dia a dia

No caminho da inovação, André Doro, CIO da Electrolux Brasil, fabricante de eletrodomésticos, disse que a área está atenta aos relatos de experiências dos usuários e às informações internas.

“Estabelecemos uma parceria intensa com diversos departamentos e olhamos para o mercado. Definitivamente, não há barreira entre o que é a empresa e os usuários finais. O que existe é um contexto de negócio. Em se tratando de tecnologia, não podemos ‘correr atrás’. Temos de sair na frente para tirar proveito de oportunidades.”

“TI não deve ser vista como aliada, e sim como integrante do negócio”, acrescentou Leandro Fachin Balbinot, diretor de TI e Gestão das Lojas Renner. Nesse sentido, ele acredita que os CIOs devem debater com os departamentos financeiros, com mais consistência e autoridade, a necessidade de investimentos.

Para Marcela Lucchesi Aranha, superintendente de TI da Seguros Unimed, TI deve ser vista como centro de investimentos e não de custos. “É uma área estratégica, não só prestadora de serviços”, somou ao debate.

Marcela lembrou, inclusive, que, no caso de terceirização de algumas atividades, a relação com as companhias contratadas deve ser encarada de outra forma. “Devem-se buscar parceiras que conheçam o negócio, e não fornecedoras”, explicou Marcela. Em termos de inovação, ela enfatizou que a área de TI da companhia interage bastante com a de Marketing, dialoga com os colaboradores e está atenta às informações nas redes sociais.

José Geraldo Antunes, CIO da Klabin, do setor de papel e celulose, defendeu um modelo de governança mais efetivo na área de TI. “É necessário agir para evitar a lentidão nas mudanças em TI, com planejamento de prestação de contas adequada. É preciso investir de maneira bem feita, gastar o dinheiro bem gasto”, comentou.

De acordo com Antunes, no País, houve avanço na aplicação de tecnologias nas bases transacionais das companhias. No entanto, o próximo passo está no Business Intelligence (BI), que consiste na gestão e aplicação de ferramentas tecnológicas para coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados destinados às tomadas de decisão.

Essa perspectiva foi compartilhada por Plinio Weller Correa, diretor de Suprimentos e TI da IBM, que vê em BI a ferramenta para a otimização dos negócios. “Haverá cada vez mais a aplicação de ferramentas analíticas, que auxiliarão na gestão de vendas, por exemplo.”

Dentre outras tendências, Correa destaca cloud computing (computação em nuvem), que é o acesso a programas, serviços e arquivos remotamente, através da Internet, e a intensificação de  global sourcing, isto é, a busca de prestadoras de serviços em diversas partes do mundo, não somente a busca de parcerias em âmbito local. O uso de equipamentos e programas para a mobilidade dos colaboradores será cada vez mais ampliado; contudo, é ainda necessário apostar mais em mecanismos de segurança para preservação de dados importantes.

Marcelo Ehalt, diretor de Engenharia da Cisco, que é desenvolvedora de soluções de TI, as empresas precisam avaliar mais criteriosamente suas necessidades específicas em termos de tecnologias, promovendo treinamentos e mudanças de cultura para que haja aproveitamento dos investimentos na área. “O maior equivoco ocorre quando a companhia compra algo inovador, mas usa como se fosse básico. É preciso tirar maior proveito”, alertou. 

Ehalt aproveitou para comentar na Amcham sobre um estudo global da consultoria Gartner que indica que 75% dos orçamentos para TI são destinados à manutenção das operações. “Ainda se aplica muito pouco desse budget em inovação, o que precisa mudar”, concluiu.

 

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