Copa do Mundo exige profissionalização do atendimento

publicado 13/08/2013 11h09, última modificação 13/08/2013 11h09
Uberlândia – Setores precisam priorizar investimentos em capacitação e foco regional
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Atender melhor é a chave para ter sucesso durante a Copa do Mundo, que acontece no Brasil em 2014. Para capacitar as empresas, a Secretaria de Turismo de Minas Gerais criou o Programa Minas Recebe, que oferecerá cursos e treinamentos para a inovação e estruturação dos produtos turísticos.

A informação é de Mariana Bahia, coordenadora de marketing e serviços da Secopa (Secretaria de Estado Extraordinária da Copa) do estado mineiro. Ela participou do Comitê Estratégico de TI, que aconteceu no dia 1º de agosto, na Amcham-Uberlândia. “A Secopa oferece, através do Senac e Pronatec, cursos de capacitação em línguas e atendimento ao cliente”, diz.

De acordo com ela, a Copa do Mundo dará um incremento de R$ 183 bilhões ao PIB do Brasil, além de uma alta no investimento para infraestrutura em R$ 33 bilhões. A Secopa acredita que pelo menos 700 mil vagas de emprego permanentes e temporárias serão geradas no ano que vem. Por isso, Mariana acredita na importância de investir em capacitação nos mais variados setores da economia.

Na entrevista abaixo, confira as principais orientações fornecidas pela palestrante aos executivos que desejam se preparar desde já para a Copa. Além da importância de capacitar gestores e funcionários, ela acredita na importância de saber privilegiar os produtos regionais. “Em Minas, o café, o pão de queijo e a cachaça terão mais visibilidade”, afirma Mariana Bahia, que defende uma política da empresa pautada na valorização dos elementos que fazem parte da cultura de cada região do país e podem despertar a atenção dos turistas.

De acordo com a Secopa, quais serão os principais setores beneficiados pelos investimentos na Copa do Mundo?

Mariana Bahia: Os principais setores beneficiados serão: construção civil; setores de alimentos e bebidas; serviços prestados às empresas; eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana; serviços de informação; turismo e hotelaria.

Mas, na verdade, a Copa do Mundo movimenta uma cadeia. Há espaço para o empreendedorismo e para uma melhoria na parceria entre as esferas púbica e privada. Um exemplo: se 52 novos hotéis são construídos, você tem que confeccionar cama, mesa e banho. Com base nessa perspectiva, a área têxtil, que tem previsão de crescimento de 3% no próximo ano, seria uma das demandas da Copa. Assim como as áreas de eletrodomésticos, com a demanda por frigobar, televisão e pequenas assistências técnicas.

Como os empresários devem se preparar para o evento?

MB: Criatividade e foco em detalhes regionais podem fazer a diferença nesta reta final até a Copa. A profissionalização de alguns segmentos, como por exemplo, como o turismo e o atendimento em bares e restaurantes, é fundamental. Minas Gerais irá receber, em 30 dias, o número de turistas que é esperado no período de quatro anos.

A variedade de produtos e serviços precisa aumentar para atender às necessidades dos turistas?

MB: Não. É necessário um grau de profissionalismo maior em cada setor. As pessoas têm que atender melhor,se profissionalizar em sua área, mas não precisa de variação.

Muito se fala hoje sobre a incapacidade hoteleira da maioria das cidades-sede da Copa. As capitais já estão se preparando?

MB: O mercado de Belo Horizonte era incapaz de atender com qualidade tamanha demanda, uma vez que tínhamos 70% da capacidade hoteleira ocupada na cidade, de terça a sexta-feira. Isso impossibilitava a ampliação de qualquer tipo de bom serviço.

Atualmente, Belo Horizonte tem 52 alvarás emitidos e boa parte desses hotéis tem pretensão de funcionar até a Copa. A capital mineira estará pronta para atender o público da Copa do Mundo, principalmente os turistas que vêm fazer negócios. Bandeiras internacionais vieram para a cidade, a fim de que a concorrência melhore os serviços prestados no segmento.

De acordo com dados da Fifa, é estimada uma expectativa de crescimento de 79% no fluxo turístico para o Brasil até 2014. Quais serão os principais impactos para as empresas?

MB: Pelo menos 11 diferentes setores da economia serão beneficiados. No setor de eletrodomésticos, por exemplo, o impacto total direto e indireto será de R$ 429,4 milhões de reais, enquanto no setor de peças e acessórios para veículos automotores será de R$ 469,2 milhões.

No total, haverá um incremento de R$183 bilhões ao PIB do país (1,8% do PIB do estado), além do aumento no volume de investimento em R$ 33 bilhões para infraestrutura (sendo 80% do Governo Federal), com destaque para a área de transporte e sistemas viários. Cerca de 700 mil empregos permanentes e temporários serão criados no país até a Copa de 2014.

Como a iniciativa privada pode atuar para ajudar no planejamento da Copa?

MB: Existe um pacote FIFA que é muito cômodo. O torcedor compra e tem direito ao voo fretado, transfer, hotel, ingresso e etc. O papel do Governo Estadual é cobrar do Governo Federal os ajustes necessários até a época da Copa, para atender ao público que está fora desse pacote. Ao todo, 12 obras de infraestrutura serão construídas até 2014, contemplando o estádio Mineirão, três projetos para o Aeroporto de Confins e oito projetos de mobilidade urbana.

Por fim, se a empresa não quer perder oportunidades e deseja se preparar desde já, o que precisa fazer?

MB: A estratégia mais importante é se capacitar mesmo que a sua área não tenha ligação direta com o evento. Além disso, vários cursos gratuitos têm sido oferecidos pelo Governo Federal e Governos Estaduais, por meio do Programa Minas Recebe, Senac e Pronatec. Existe ainda o programa da CDL, em parceria com o comércio, que prioriza ações visando à recepção dos turistas. É importante aproveitar estes cursos e apostar na criatividade, para fazer frente à concorrência e contabilizar os lucros quando o torneio mundial chegar.

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