Desafio no negócio de controle biológico de pragas é mostrar eficiência do sistema e vencer resistência do agricultor, segundo dono da Bug

por andre_inohara — publicado 30/07/2012 08h43, última modificação 30/07/2012 08h43
São Paulo – Processo de combate de pragas por processo biológico não agride pessoas nem meio-ambiente.
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O uso de agentes biológicos para controlar as pragas da lavoura pode ser tão ou mais eficiente do que os defensivos químicos. Outra vantagem dessa tecnologia é que o processo não agride pessoas nem o meio ambiente, assegura Heraldo Negri de Oliveira, sócio-fundador e diretor de Produção da Bug Agentes Biológicos.

“Tem que haver demonstrações de que o controle biológico tem resultados similares ao químico e pode ser até melhor em muitos casos sem causar prejuízo aos funcionários e ao meio ambiente”, afirmou Negri, que participou do II Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, realizado na quinta-feira (26/07).

Leia abaixo a entrevista de Negri ao site da Amcham:

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Amcham: Como o empreendedor lida com os desafios de um ambiente regulatório complexo como o que cerca seu setor de atuação?

Heraldo Negri: A primeira coisa de que ele precisa é uma consultoria que entenda do tema porque os trâmites, dentro desses órgãos governamentais, são burocráticos. No nosso caso, encontramos uma consultoria que nos ajudou, inclusive, a levar adiante o trabalho pioneiro de registrar os insetos como produto agroquímico. Entramos pela lei de agrotóxicos e afins. Nós somos os ‘afins’ desta lei. O processo de registro do parasitóide (organismos que parasitam outros seres impedindo-os de chegarem à fase adulta) foi o mesmo utilizado pelos produtos químicos. Neste ano, depois de uma década, essa lei está mudando com o objetivo de simplificar e ajudar até a direcionar estes produtos para a agricultura orgânica. Há uma tendência de eles abrirem um pouco mais.

Amcham: Como é ser pequeno em meio a um setor dominado por gigantes com muito capital em mãos?

Heraldo Negri: Há uma preocupação e uma pressão em todo o mundo por uma produção mais sustentável. Isso, por si só, muda a consciência das pessoas aos poucos, mas não basta. É preciso ter um produto que funcione porque ninguém vai usar só para dizer que é sustentável. O Brasil, nos últimos 30 anos, tem feito muita pesquisa. Somos um dos líderes mundiais de estudo e controle biológico. O maior programa de controle biológico do mundo é brasileiro. Trata-se de um programa de controle da broca da cana [praga que dá em plantios, principalmente de cana-de-açúcar] pela cotésia [vespa que se alimenta das larvas da broca da cana].

Amcham: Quais são as principais dificuldades do seu setor?

Heraldo Negri: Há várias empresas iniciando o processo de transformar esse tipo de controle em produto. As dificuldades vão existir. É preciso ter um custo baixo e distribuição sofisticada para atender o Brasil, que é um país muito grande. A empresa tem que nascer com a preocupação de produção com uma grande base tecnológica, de logística, por causa do tamanho do Brasil, e de conhecimento do setor, porque muitos produtores ainda mantêm uma cultura de químicos. Então tem que haver demonstrações de que o controle biológico tem resultados similares ao químico e pode ser até melhor em muitos casos sem causar prejuízo aos funcionários e ao meio ambiente.

Amcham: Pelo que se viu do debate, os pequenos costumam seguir pela criação de novos produtos ou pelo desenvolvimento de segmentos pouco explorados. Esse é o melhor caminho?

Heraldo Negri: É inegável que a maior meta dos pequenos é crescer. No nosso caso, não podemos querer continuar pequenos, porque a própria agricultura do Brasil é muito grande. Então buscamos um fundo de investimento para manter a nossa empresa no rumo do crescimento. A dificuldade é crescer com uma novidade. Em produtos de controle biológico de pragas, ainda temos muito a aprender. Ainda temos que criar um programa de controle de qualidade, porque muita gente produz hoje mas não se sabe se há qualidade nessa produção. O interesse da Bug é se tornar a maior empresa de controle biológico do Brasil.

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Amcham: E a empresa começa por onde?

Heraldo Negri: Não dá para começar grande, a não ser que o empreendedor tenha muito dinheiro. A Bug começou com fundo da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] e da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], não foi um investimento pequeno, mas que foi todo voltado à pesquisa. Agora estamos investindo em desenvolvimento e ampliação da empresa. O dinheiro desta nova etapa vem de fundos de investimentos. Eles nos ajudam, inclusive, com a parte administrativa, porque os sócios da empresa são todos da área técnica.

Amcham: Quais os principais mercados para os quais a Bug olha?

Heraldo Negri: Olhamos para o mercado de cana, que está crescendo muito no Brasil e tem sérios problemas [com relação a pragas]; para o de soja, que tem entre 23 e 24 milhões de hectares no Brasil; e o de milho. Estamos tentando atacar estas culturas que tem sérios problemas e para os quais temos conseguido resultados bastante eficientes de controle de pragas.

Por: André Inohara e Marcel Gugoni

 

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