Executivo de TI precisa ter mais conhecimentos de business para ser parceiro estratégico, dizem CIOs

por marcel_gugoni — publicado 23/01/2013 17h24, última modificação 23/01/2013 17h24
São Paulo - Demanda é de que profissional passe a atuar mais próximo das lideranças da empresa para antecipar tendências e necessidades de negócios.
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A tecnologia da informação não é, em si mesma, a solução para as demandas de grande parte das empresas. Porém, ela é essencial como meio para implementar qualquer estratégia de negócio. O papel do executivo de TI deve ser acompanhar essa transformação, deixando de ser apenas uma figura de apoio para atuar como um verdadeiro parceiro do negócio.

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A demanda é de que o CIO (Chief Information Officer) passe a atuar mais próximo das lideranças da empresa para antecipar tendências e necessidades de negócios. O segredo, como afirma Agenor Leão, CIO da Natura, é adicionar valor. “As empresas identificam uma oportunidade de a TI agregar valor aos produtos e serviços”, afirma ele, que foi um dos participantes do comitê aberto de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (23/01).

É claro que o apoio ao back office, como o fornecimento de sistemas de controle financeiro e gerenciamento administrativo, ainda cabe à TI, mas é possível usar a tecnologia também para fortalecer os canais digitais para construir relacionamentos mais consistentes com o cliente, melhorando a experiência de consumo, aponta Leão.

“A informação e o pensamento baseado em tecnologia da informação passam a ser uma parte da estratégia corporativa”, analisa. “E a necessidade é, de certa forma, mais aguda na indústria tradicional, uma vez que a estratégia de negócio digital não é tão obvia.”

Para Leão, é natural que uma rede social que tem seu core business baseado em um sistema de TI tenha um executivo da área na liderança. Mas para uma companhia de consumo, reinventar o papel da tecnologia e aproximar a TI de seus processos e estratégias é mais trabalhoso.

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Emerson Moraes, gerente de Marketing da IT Midia, afirma que essa é uma evolução natural do profissional de TI, da mesma forma como o executivo financeiro também já não pode cuidar somente do caixa da empresa, mas precisa estar perto do core business, de modo a que oriente tanto a melhora na produtividade e nas vendas quanto a rentabilidade dos investimentos.

“A tecnologia está aí, cada vez mais rápida, e o profissional tem que dar esse passo”, reforça. Moraes diz que a questão atingiu proporções parecidas em empresas de vários lugares do mundo. Em maio deste ano, a IT Midia organizará um fórum cujo principal debate é justamente este: “O CIO que você precisa ser”.

Carreira e desenvolvimento

Jorge Luis Risco Becerra, coordenador do curso de MBA em Tecnologia da Informação da Universidade de São Paulo (USP), diz que um dos maiores problemas enfrentados nesse processo de evolução do CIO refere-se à formação profissional. “A universidade, em geral, não forma gerentes ou presidentes.” É preciso haver também uma extensão do enfoque acadêmico, opina.

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Ele defende que a técnica e a tecnologia façam parte do escopo, mas é preciso que os cursos voltados à TI passem também a pensar em negócios. “E o profissional não pode esquecer que, quanto mais se sobe nos níveis estratégicos, mais conhecimento é preciso agregar.”

Becerra vê três etapas distintas na carreira e no desenvolvimento do CIO. Na primeira, em que o profissional ainda tem um status junior, o aprendizado é o mais importante. Após a formação, é essencial buscar certificações e treinamento, além de um MBA. “O foco deve ser amplo, indo de processos a estrutura de rede e segurança, de tecnologia à autogestão.”

Uma segunda etapa, intermediária, visa à especialização, voltada a uma atuação focada em gerenciamento de pessoas e de projetos. O aprendizado da etapa anterior deve se transformar em um projeto aplicado, como um doutorado, explica o professor.

A fase seguinte, a terceira, é de um profissional mais maduro, gerador de inovação e integrador de conhecimento. Nessa fase, “é preciso se preocupar com cinco vetores: negócios, informação, aplicações, infraestrutura e tecnologia”.

Pessoas e relacionamento

Leão diz que as empresas se acostumaram a buscar profissionais que são super-homens. “Queremos gente com conhecimento técnico especializado, experiência em gestão de projetos em cenários de alta complexidade, certificações em tecnologia, formação em universidade de primeira linha e pós, línguas fluentes, profundo conhecimento de negócio e mobilidade e disponibilidade para trabalhar 24x7”, elenca. “Mas é impossível ter tudo isso ao mesmo tempo. É preciso saber quem buscamos”, diz.

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Além do conhecimento técnico, os profissionais de TI devem ter também a capacidade de identificar oportunidades por meio da tecnologia, serem hábeis negociadores e terem flexibilidade para trabalhar em ambientes de mudanças constantes, serem educadores eficientes para disseminar a cultura digital na organização e conseguirem trabalhar em ambientes de colaboração cada vez mais multidisciplinares e globais.

Isso significa que as próprias empresas também deverão se adaptar às novas demandas. “São imprescindíveis o desenho e a implementação de uma arquitetura corporativa, baseada em padrões abertos, que permita a colaboração e a agilidade na incorporação de novos componentes e soluções”, afirma o executivo da Natura.

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