"Herdeiro é uma coisa, sucesso é outra", alerta consultora Adriana Adler

publicado 16/03/2016 11h29, última modificação 16/03/2016 11h29
Recife - Ciclo de Decisões de Empresas Familiares discutiu, em 10/3, os principais desafios da gestão de empresas com perfil familiar
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“Herdeiro é uma coisa, sucessor é outra.” O alerta da consultora Adriana Adler, neta do fundador da fábrica de brinquedos Estrela e especialista em processos de transição e estruturação da governança familiar. Para ela, a separação de papéis no que envolve família e negócios costuma ser a parte mais difícil na gestão de uma empresa familiar.

Os principais desafios desse tipo de negócio e cases de sucesso foram os pontos debatidos durante o Ciclo de Decisões: Empresas Familiares, promovido pela Amcham Recife durante a tarde do último dia 10/3, no Amcham Business Center, no Pina. O evento contou ainda com a participação do presidente do Conselho de Administração da LUPO S/A, Élvio Lupo, e o líder de governança corporativa e familiar do Grupo Ricardo Brennand, Marcos Herszkowicz.

Como explica Adriana, um dos maiores desafios para os negócios familiares é evitar que hábitos domésticos migrem para a empresa. “É comum que os pais deem para os filhos tudo na mesma proporção, como carro e apartamento. Porém isso não pode acontecer no ambiente corporativo, onde a remuneração deve ser feita conforme o alcance de resultados.”

Outros problemas comuns apontados pela consultora foram adotar posturas informais no ambiente de trabalho e deixar laços afetivos influenciar na gestão da empresa, fazendo com que, por exemplo, critérios para a escolha de cargos executivos sejam feitos pelo sangue, e não por competências. 

Conforme Herszkowicz, do Grupo Ricardo Brennand, a adoção de um modelo de governança corporativa tende a resolver boa parte dos conflitos. “Quando se tem um planejamento definido, que deixa as regras do jogo claras, fica mais difícil que a emoção acabe interferindo na razão”, diz.

“Mesmo que haja no mercado empresas que estão indo bem sem um plano de governança bem definido, não tenho dúvida de que elas estariam ainda melhor – e menos conflituosas – caso contassem com um planejamento estruturado nesse sentido”, opina Herszkowicz.   

Narrando a história de como seu avô, a partir de uma loja de relógios, fundou uma grande indústria têxtil, Élvio Lupo destacou a importância de ter criado, já no início dos anos 1990, um conselho com a participação da família: “a partir de então os familiares começaram a saber o que se passa de forma mais clara, além de estarem bem mais engajados em assuntos relativos à empresa”, relata.

 

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