Informalização é obstáculo a crédito para micro e pequenas companhias

por andre_inohara — publicado 24/05/2011 16h48, última modificação 24/05/2011 16h48
André Inohara
São Paulo – Falta de informações financeiras oficiais nesse segmento dificulta análise e aprovação de financiamentos.
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Apesar da existência de linhas de financiamento para pequenas e micro empresas nos bancos de fomento, poucas delas conseguem efetivamente obter crédito. Ainda pouco profissionalizadas, as companhias desse segmento, em grande parte, não conseguem comprovar resultados financeiros nem oferecer garantias, o que dificulta a análise e aprovação da concessão de recursos.

“As pequenas e micro empresas não se prepararam para ter documentação adequada para pleitear financiamento no sistema de crédito”, disse Milton Santos, diretor presidente da NossaCaixa Desenvolvimento, a agência de fomento do Estado de São Paulo. Ele participou do comitê Business In Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (24/05).

De acordo com Santos, quando uma companhia busca financiamento, precisa, no mínimo, apresentar um balanço contábil atualizado. "Se ela não tiver a obrigação de publicá-lo, que o contador apresente, ao menos, um balancete de verificação”, afirmou.

Maior rigor nos bancos de fomento

A ausência de documentação também foi um dos empecilhos apontados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar a oferta de crédito às empresas de menor porte.

“As pequenas e micro companhias muitas vezes não têm um documento preparado ou balanço que reflita fielmente sua situação”, observou Paulo Mizushima, chefe de departamento do BNDES em São Paulo. Muitas vezes, elas nem têm certidões débito fiscal, trabalhista e previdenciário, acrescentou ele.

Para o representante do BNDES, tudo isso acaba afetando a análise de risco da operação pelo agente financeiro - no caso, associações de classe ou intermediários financeiros (outros bancos), já que bancos de fomento não possuem agências próprias. Esse agente, com funcionários treinados pelo BNDES, faz as verificações com base em critérios próprios.

Muitas empresas de pequeno porte se queixam da elevada burocracia e das exigências de garantia impostas pelas instituições financeiras – agências de fomento inclusas – para liberação de empréstimos.

Para Milton Santos, da NossaCaixa, a apresentação de comprovação de renda é parte do processo de minimização do risco de inadimplência. “Como banco, estou emprestando recursos de terceiros e só posso fazer isso para empresas que preencham os requisitos mínimos para uma avaliação de crédito”, argumentou.

Santos também reforçou a questão de que o grau de informalidade das companhias menores é alto, o que traz dificuldades adicionais. “Temos funcionado como consultores, orientando sobre procedimentos de documentação e obtenção de crédito”, afirmou.

Diante da exigência rigorosa das agências de fomento, as pequenas empresas em geral recorrem a outras instituições privadas na hora de obter dinheiro. “Geralmente, são os bancos (comerciais) que apoiam essas companhias porque conhecem o proprietário e a administração. Por enxergarem a movimentação financeira das empresas, são eles que dão o crédito”, comentou Mizushima, do BNDES.

Foco do BNDES em médias e grandes

A participação das pequenas e micro empresas no volume de empréstimos do BNDES representa 30% do total concedido, segundo Paulo Mizushima. “Elas tomaram em 2010 um montante equivalente a R$ 40 bilhões em linhas de financiamento.”

Todo o restante do crédito desembolsado pelo banco foi destinado às companhias de médio e grande portes, como forma de fortalecer a competitividade em mercados internacionais.

“O BNDES enxerga nas grandes empresas um meio de elevar a competitividade empresarial e do País no cenário internacional. Continuamos apoiando fortemente as grandes empresas, as que faturam mais de R$ 300 milhões”, explicou Mizushima.

As médias também recebem atenção do banco, por meio de linhas de financiamento de longo prazo a juros menores. “A quantidade de médias empresas diminuiu em função da concorrência de importados, sobretudo da China. As poucas que se sobressaíram se tornaram grandes, enquanto outras diminuíram de porte”, comentou.

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