Líder precisa crescer com a mesma rapidez e qualidade do negócio, diz presidente da Bom Sabor

publicado 17/12/2013 09h42, última modificação 17/12/2013 09h42
São Paulo –Saiba como a empresa superou dificuldades de sucessão e mudanças radicais do mercado ao longo de seus 58 anos de atuação
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Pouco tempo depois de chegar ao Brasil em 1955, o austríaco Leopold Von Appel iniciou seu negócio com uma máquina importada dos Estados Unidos para embalar comprimidos. Logo conquistou clientes dos segmentos de cosméticos e alimentos. Depois de 58 anos de atividade, muitas crises econômicas, reestruturações internas, sucessões geracionais, com novo nome e campo de atuação, a empresa cresce em ritmo chinês.

Conhecida hoje como Bom Sabor, sob o comando do neto Mário Appel, apresenta rentabilidade de dois dígitos ao ano. “Expandimos nossa atuação com a inauguração de mais 12 unidades regionais, e hoje atendemos mais de 12 mil clientes”, disse Mário durante o V Encontro de Empreendedores da Amcham, em 04/12.

No entanto, antes de atingir esses resultados, a empresa passou por vários desafios. Em 1979, a mãe e a tia de Mário assumiram a companhia e, por conta de alguns desentendimentos na gestão, decidiram dividir o negócio: sua mãe ficou responsável pelos clientes do ramo alimentício, e sua tia pelos das indústrias farmacêutica e cosmética. “Enfrentamos um problema de sucessão grave”, conta.

De acordo com ele, um dos fatores que garantiram a sobrevivência e o sucesso do negócio da família foi a parceria com o irmão, “sócio e grande companheiro de aventuras”. Para evitar novos problemas de sucessão, sua mãe – que foi responsável pela Bom Sabor até 2009 – os preparou desde cedo para assumirem a presidência. “Sempre nos demos bem, e nossa mãe sempre nos ajudou com isso. Quando tínhamos 20 e 23, ela nos colocou num curso de sucessão, que nos auxiliou a fazer nosso acordo de acionistas”, relembra.

Outro desafio com o qual a família se deparou foi a perda de um grande cliente. Antigamente a empresa embalava as fichas telefônicas, atividade que mantinha 20 máquinas da fábrica em funcionamento, mas a prestação do serviço foi interrompida com a chegada do cartão telefônico, em 1995. “Em um ano, perdemos o maior negócio que tínhamos”, diz Mário.

A companhia se recuperou desse episódio e cresceu com o objetivo de atender clientes menores e em grande escala. “Abrimos nossas próprias bases regionais, replicando o modelo que deu certo em São Paulo, para aumentar o número de clientes”, conta. “Hoje, mais da metade das receitas vem de clientes de fora da capital paulista.”

Além disso, outro fator que foi decisivo na expansão da Bom Sabor foi começar a produção de uma linha de produtos própria, que hoje tem 70 itens, e a estratégia de ampliar a estrutura comercial, introduzindo um canal de televendas. “Com o desafio do crescimento, aprendi que o líder precisa se desenvolver na mesma velocidade e qualidade que a empresa.”

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