Logística eficiente é um das lições do Grupo Ornatus, mostradas no III Encontro de Empreendedores da Amcham

por marcel_gugoni — publicado 14/12/2012 12h17, última modificação 14/12/2012 12h17
São Paulo - Jae Ho Lee, fundador e sócio-diretor do grupo, afirma que também investe em tecnologia para conhecer o comportamento de consumo de cada ponto de venda.
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O Grupo Ornatus tem quatro marcas em seu guarda-chuva, atuando em segmentos distintos como o de acessórios de moda e o de alimentação. Para garantir seu crescimento, dá forte atenção à logística.

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Na Morana, uma das marcas do grupo, o diferencial está na compra e na distribuição dos produtos, de forma direta entre o grupo e suas lojas e franquias. É o que explica Jae Ho Lee, fundador e sócio-diretor do grupo.

“O diferencial é a logística porque aquela relação indústria, atacado, varejo e consumidor final não existe mais. Hoje todos vendem para todos. O varejista vai direto fazer compra na indústria, então essa ordem lógica não existe mais”, afirma. “Nossa logística se baseia na compra e na distribuição diretamente para os franqueados.”

O modelo é o mesmo usado por redes de moda. “Esse modelo é o que garante as taxas de crescimento.” Mas ele revela outro segredo do negócio: “Para fazer isso com assertividade e baixo risco, foi preciso investir em tecnologia para conhecer o comportamento de consumo de cada ponto de venda, de cada região.”

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O empresário participou nesta quinta-feira (13/12) do III Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo. Ele conta que começou com uma marca de comida chinesa, a Jin Jin Wok, em 1996. Em 2002, entrou no ramo de acessórios, com a Morana, e depois, em 2007, a Balonè, também de acessórios, mas voltada ao público jovem. Hoje, as marcas somam 570 lojas espalhadas pelo País.

Leia os principais trechos da entrevista com Jae Ho Lee:

Amcham: Com empresas tão diferentes, como uma rede de acessórios e uma de alimentos, qual o principal diferencial do grupo?

Jae Ho Lee: O diferencial hoje, no caso da Morana, é a logística. Aquela relação indústria, atacado, varejo e consumidor final não existe mais. Hoje todos vendem para todos, o varejista vai direto fazer compra na indústria, então essa ordem lógica não existe mais. Nossa logística se baseia na compra e na distribuição diretamente para os franqueados. Normalmente, as redes de cadeia de moda fazem seus pedidos e já entregam os produtos nas lojas. Esse modelo é o que garante as taxas de crescimento. Para fazer isso com assertividade e baixo risco, foi preciso investir em tecnologia para conhecer o comportamento de consumo de cada ponto de venda, de cada região, porque cada loja depende de seu posicionamento.

Amcham: Esse diferencial também se aplica a outras empresas do grupo, como a rede Jin Jin Wok?

Jae Ho Lee: No caso da Jin Jin, já chegamos a trabalhar com empresas de logística. Mas esse setor é muito competitivo na ponta, e a empresa de logística acaba encarecendo até 5% da receita do nosso franqueado. O diferencial da logística vai somente até uma parte essencial do cardápio e o resto é desenvolvido localmente.

Amcham: Como trabalhar com empresas de segmentos tão distintos dentro do mesmo grupo?

Jae Ho Lee: O grupo está estruturado em 2007 e fizemos isso já pensando em acoplar novas marcas e desacoplar algumas, se necessário. Temos uma estrutura vertical, com cada marca possuindo uma estrutura independente, e alguns departamentos compartilhados prestando serviços a todas elas. Buscamos sinergia de recursos humanos, de arquitetura, de expansão e de back office, administrativo, jurídico, financeiro e contábil. Mas, em cada marca, há completa independência.

Amcham: Qual a previsão do grupo de expansão para os próximos anos?

Jae Ho Lee: Falamos em previsão, mas não como meta. Até 2015, devemos terminar o ano com 900 pontos de venda. Hoje estamos com pouco mais de 300. Vamos triplicar de tamanho. Só em 2012, fechamos cem novos contratos.

Amcham: Qual é o maior desafio de empreender?

Jae Ho Lee: O desafio é o ambiente de negócios que temos no mercado brasileiro para os empreendedores. O Brasil não é para amadores. O País oferece uma série de oportunidades, mas existem problemas desde questões trabalhistas e tributárias até de infraestrutura e de mão de obra. Esses fatores externos criam certa ansiedade porque empreender é tomar decisões, e o ambiente é instável.

Amcham: Como contornar esses desafios?

Jae Ho Lee: Preparação. É preciso estar preparado para esse ambiente em constante mudança. O foco não é prever a taxa de juros e o índice de desemprego, mas estar preparado para o que der e vier.

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