Marca forte é construída quando o produto tem qualidade, afirma sócio da FOM

por andre_inohara — publicado 30/07/2012 12h57, última modificação 30/07/2012 12h57
São Paulo – Além de um bom produto, é importante manter todos os canais de venda possíveis para sustentar uma empresa.
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Quando o produto é bom, ajuda a construir uma marca própria. Fabricante de pufes, almofadas e travesseiros, a FOM consolidou sua fama nesse segmento oferecendo produtos com bom design, acabamento e conforto.

“Se a empresa tem um bom produto, seja ele inovador, diferente ou que tenha uma demanda potencial, precisa focar nisso. Construí uma marca em cima do meu produto. Ele tem força porque tem funcionalidade, não é um mero acessório de decoração”, disse Sidney Rabinovitch, CEO e sócio-fundador da FOM.

Para garantir a qualidade, é preciso ter um controle estrito da produção. “Tanto o produto como o controle são as variáveis mais importantes”, revela Rabinovitch. Trata-se de uma filosofia empresarial que deve ser transmitida tanto aos colaboradores como aos franqueados.

O empresário também fala do ambiente de negócios para os pequenos e médios empreendedores. De acordo com ele, a alta carga tributária freia o avanço de muitas empresas.

Se os impostos baixassem, haveria mais investimentos corporativos em capacitação, defende. “Empresário não educa por altruísmo, mas por necessidade. Todos sempre querem as pessoas mais qualificadas trabalhando na sua empresa.”

Leia abaixo a entrevista de Rabinovitch ao site da Amcham, concedida após ele participar do II Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, realizado na última quinta-feira (26/07).

Veja aqui: Crescer não depende só de vontade, mas de estratégia e perfil de mercado

Amcham: Para o empreendimento ter sucesso, é preferível ter um produto inovador ou um segmento de mercado pouco explorado?

Sidney Rabinovitch: Acredito muito no produto. Se a empresa tem um bom produto, seja ele inovador, diferente ou que tenha uma demanda potencial, precisa focar nisso. Hoje se fala muito em serviços de empresas de tecnologia, mas preferi recorrer a um segmento que é de produção de confecção. Tanto o produto como o controle são as variáveis mais importantes. O que extraí como empreendedor é ter construído uma marca em cima do meu produto. A ideia é passar um conceito de função de conforto e bem estar.

Amcham: Quais os principais atributos de seu produto?

Sidney Rabinovitch: Meu produto tem força porque é funcional, não é um mero acessório de decoração. Falo de algo que vale a pena ter, como um bom travesseiro, dada a qualidade de vida proporcionada por um sono melhor. Um assento mais confortável permite um melhor alongamento e relaxamento do corpo, uma boa almofada deixa a grávida mais bem posicionada. Conforto e bem-estar são um lastro importante da nossa estratégia.

Amcham: Quais as lições que o sr. aprendeu sobre o modelo ideal para empreender?

Sidney Rabinovitch: A experiência me diz que, para sustentar uma empresa, é preciso ter alguns canais de vendas, e não um único. Estruturei a FOM para atuar em segmentos multimarcas. Ela vende até para o meio corporativo, que foi um ramo que cresceu bastante, que vai desde acessórios para cadeira de dentista, por exemplo, até produtos para a Embraer. Temos ainda uma área de brindes que cresceu bastante, assim como as vendas pelo site para o cliente final, sem falar na rede de lojas próprias e de franquias.

Amcham: O sr. prefere diversificar os canais de vendas ou os produtos?

Sidney Rabinovitch: Não sou uma empresa voltada para um único tipo de canal de vendas, nem quero isso. Essa postura é importante porque criei a empresa voltada para exportação. Ela se destinava ao mercado americano, mas tive dificuldades por conta do câmbio. Mas mesmo na contramão causada pelo custo Brasil e com todas as dificuldades de fabricar sem poder alcançar o preço do concorrente China, fui convidado a fazer a Feira de Nuremberg pelo CEO desta que é a maior feira de brinquedos do mundo. Ele nos mostrou que é preciso manter até o canal de exportação aberto, porque as oportunidades mudam ao longo do tempo. É importante manter todos os canais de venda possíveis como uma maneira segura de sustentar e manter uma empresa.

Amcham: Qual é o principal desafio para o empreendedor?

Sidney Rabinovitch: Uma das coisas mais preocupantes da economia brasileira é a carga tributária. Parece que fazer uma empresa crescer é crime. Algumas décadas atrás era comum o governo fingir que cobrava, e as empresas fingirem que pagavam. E isso abria espaço para cargas tributárias altíssimas, com a crença de que pouco seria arrecadado. Mas agora a maquina tributária é forte e consegue cobrar tudo, o que torna o sistema muito pesado. Não há empresa que consiga ter rentabilidade e sobra de caixa para investimento e produção com uma carga como a que temos.

Amcham: O que é preciso fazer para melhorar o ambiente competitivo brasileiro?

Sidney Rabinovitch: A variável tributária é complicada. Enquanto o governo não permitir às empresas respirarem mais [aliviando a carga de impostos], o crescimento não ocorrerá. Até a educação melhoraria. Afinal, empresário não educa por altruísmo, mas por necessidade. Porque todo mundo quer sempre as pessoas mais qualificadas trabalhando na sua empresa.

Veja aqui: Equipe qualificada, flexibilidade e construção de marca foram lições dos empresários em debate na Amcham, afirma professor de Empreendedorismo

Por: André Inohara e Marcel Gugoni

 

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