Migrar para a nuvem ajuda a economizar até 90% nos gastos de TI

por marcel_gugoni — publicado 14/02/2012 18h04, última modificação 14/02/2012 18h04
Marcel Gugoni
São Paulo – Para especialista em sistemas de cloud computing, área passa por maior mudança da história: “a velha TI morreu”
mauricio_fernandes.jpg

Abandonar os servidores e redes internas e mudar todos os bancos de dados, inclusive os de informações financeiras e sigilosas, para máquinas em outro hemisfério são decisões estratégicas que soam perigosas. Porém, podem significar uma economia de até 90% nos gastos com Tecnologia da Informação.

Para Mauricio Fernandes, fundador e presidente da Dedalus Prime, uma migração para um sistema integrado de cloud computing (computação em nuvem) apenas parece insegura, mas “esse é o futuro”. “Estamos assistindo à maior migração de TI da história”, afirmou. “A velha TI morreu.”

Fernandes participou nesta terça-feira (14/02) do comitê de Finanças na Amcham-São Paulo que debateu “Cloud Computing e o impacto na gestão financeira”. Estar ligado à nuvem nada mais é do que manter seus produtos e serviços disponíveis o tempo todo na internet, com possibilidade de acesso remoto a uma planilha financeira ou a informações sobre um produto com a mesma velocidade que se vê um vídeo no YouTube, por exemplo – um bom exemplo de TV em cloud.

Para o especialista, que já migrou dados de quase 300 empresas para a nuvem nos últimos dois anos, uma mudança desse tipo está intimamente ligada ao corte de custos. “Em projeções conservadoras, as empresas economizam 20% simplesmente por deixar de ter um data center nas suas próprias instalações”, analisa. “Mas essa redução pode chegar a níveis brutais de 90%.”

Semana sem e-mail

Um servidor que não funcionou direito foi crucial para fazer a área de TI da Tito Global Trade Services, uma empresa de comércio exterior e logística do Rio Grande do Sul, decidir migrar para a nuvem. Velci Ferreto, IT Manager da empresa, conta que, em novembro de 2011, os funcionários ficaram dias sem conseguir contato com fornecedores por conta de um problema no data center.

“O ano de 2011 foi de amargar”, conta. “Perdemos clientes por problemas com e-mails. Para uma empresa de comércio exterior, a agilidade da informação é uma das principais necessidades. Temos que ter dados [sobre o transporte das mercadorias dos clientes] sempre na mão.”

“Os e-mails travaram no feriado de 15 de novembro, que era uma terça-feira, e só voltaram no sábado”, lembra. “O volume de mensagens era tão grande que os servidores não aguentaram. Desde que conhecemos a nuvem diminuímos em 50% nosso custo com data center e ganhamos em performance.”

A Dedalus foi quem ajudou a empresa gaúcha a abandonar o seu próprio servidor e passar a alugar um espaço na cloud da Amazon – que também é a maior loja online de venda de eletrônicos, livros e música e mantém milhares de servidores para sustentar sua nuvem.

Google, outro gigante que atua na área, que também tem milhões de servidores ativos no mundo – que mantêm tudo do gigante de buscas funcionando, do e-mail do Gmail aos programas de texto e planilha do Google Docs.

“Hoje, ficar 15 minutos sem e-mail é o caos”, diz Fernandes. “Eu simplesmente não acredito no que falam sobre cloud computing ser uma onda que vai passar ou que ela não é segura.”

Mudança em TI

“Com a saturação dos modelos de TI existentes, o pior local para ter um data center é a própria empresa”, afirma Fernandes. “O segundo pior lugar é o data center regional.” O melhor, aponta ele, seria um local que pode ser acessado remotamente de qualquer lugar, a qualquer hora.

O sistema de nuvens é comparado ao fornecimento de luz: uma empresa mantém os servidores e aluga espaço virtual e uma transmissão de volume de dados e cobra por isso. “Se usar mais, vai pagar mais caro, se usa menos, paga pouco”, afirma. “Isso reduz custo porque elimina todo o custo de capital que seria usado para comprar um servidor e deixa todo esse dinheiro disponível para o operacional.”

E isso se traduz em mais agilidade: “se você só paga o preço do acesso, não vai ter que se preocupar com o hardware [do servidor que você vai comprar]”, analisa. “Com isso, você se desapega dos servidores, ao mesmo tempo em que não precisa se preocupar com segurança e confiabilidade. Não vai ter que olhar se o sistema está funcionando ou não.”

Uma pesquisa feita pela consultoria empresarial McKinsey, em 2010, com mil executivos, mostrou que a migração para a nuvem melhorou em 30% a velocidade de acesso a informações e em 20% a satisfação dos funcionários com a facilidade em encontrar dados. Os lucros cresceram 15% nas empresas representadas na amostra graças a um aumento na produtividade.

Em compensação, caíram os custos de comunicação e de operação em 10% cada, os custos com viagens em 20% e o tempo de disponibilização de novos produtos e serviços ao mercado em 20%. “Nesse mundo em que as coisas mudam com essa velocidade, colocar um produto no mercado antes do tempo previsto é ideal”, diz Fernandes.

"A computação em nuvem tem um papel definitivo em grandes organizações”, analisa. “Hoje, tanto empresas quanto governos estão percebendo ganhos consideráveis ​​em custos e eficiência da nuvem. Nossa análise é que cloud computing está aqui para ficar e vem trazendo uma mudança de cultura.”

Leia mais notícias sobre o assunto:

Intensificação de uso de cloud computing e redes sociais encabeça lista de tendências para 2012 nas áreas de Operações e TI

Olhar para tecnologia como serviço é maior vantagem dacloud computing

CIOs passam a ter função estratégica com foco em inovação

Brasil já é sétimo mercado mundial de Tecnologia da Informação, mas enfrenta desafios para evoluir negócios

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

registrado em: