Rede Globo, com parcerias, desenvolve ferramentas para aumentar interatividade entre TV e dispositivos móveis

por andre_inohara — publicado 26/10/2012 16h01, última modificação 26/10/2012 16h01
São Paulo – Segunda tela, ferramenta de interatividade, permite ao usuário acessar informações em tempo real nos dispositivos móveis, interagir com outros usuários e comprar artigos relacionados ao conteúdo transmitido na TV.
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O costume de assistir TV e se conectar à internet ao mesmo tempo começa a ser explorado no País. A Rede Globo está desenvolvendo aplicativos de interatividade em parceria com instituições tecnológicas para oferecer mais convergência em sua programação na TV aberta.

Por meio de aplicativos móveis (apps), os usuários podem acessar informações e serviços que a TV aberta não fornece, explica Nelson Faria Junior, diretor de Tecnologia e Inovação da Rede Globo. “Com a ‘segunda tela’, o telespectador consegue monitorar o time preferido, promoções e uma série de informações que enriquecem o conteúdo”, comenta o executivo.

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O mercado batizou de segunda tela o uso de apps que permitem ao usuário interagir com a programação da TV acessando informações produzidas em tempo real, conectar-se a outros usuários ou comprar artigos relacionados ao conteúdo transmitido.

A interatividade com a TV abre oportunidades comerciais atrativas, segundo Faria. “A segunda tela combina muito com a compra por impulso. A pessoa está ali assistindo TV, vê um carro qualquer e pode receber informações na hora, podendo fechar a compra via dispositivo”, observa.

Faria participou do Fórum Conectividade e Mobilidade da Amcham-São Paulo na última quinta-feira (25/10) e concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham:

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Amcham: Como a tecnologia está influenciando o consumidor?

Nelson Faria Junior: A conectividade está enriquecendo o conteúdo. Temos um portfólio [de programas] para TV que pode ser trabalhado em diferentes mídias. A TV aberta é a principal receptora, mas também desenvolvemos soluções para que todos os sistemas com conectividade recebam nossa programação. Quem estiver assistindo televisão vai poder ajustar o conteúdo em seu dispositivo conectado à internet, sempre relacionado à TV. Imagino que, com o tempo, a tendência é que isso tudo se transforme em uma grande transmídia [circulação de informação em múltiplas plataformas de comunicação] com jogos, animações e análises programadas para todas as mídias.

Amcham: Em relação à mobilidade, a popularização dos dispositivos móveis cria que tipo de oportunidades para a Globo?

Nelson Faria Junior: A mobilidade tem dois aspectos. O primeiro é a portabilidade da TV digital, que permite assistir a programação aberta em um celular, em qualquer lugar, sem pagar nada. Não é o caso da TV conectada por dados telefônicos, como uma notícia ou vídeo on demand (sob demanda), o que exige assinatura para acesso ao conteúdo. A Globo fornece esse tipo de conteúdo, mas o retorno comercial vai para a empresa telefônica. Como segundo aspecto, as novas mídias acrescentam informação que a TV não dá, e faz sentido explorar esse nicho. Se alguém está assistindo futebol, há uma série de dados produzidos no jogo que não se consegue mostrar na TV. Se eles forem gerados via segunda tela, aí é possível monitorar o time preferido, promoções e uma série de informações que enriquecem o conteúdo. O mesmo pode ser feito em uma novela ou no Big Brother Brasil [a 13ª edição do reality show está prevista para janeiro], que está vindo agora para os gadgets [dispositivos], com uma série de informações complementares que não competem com as da TV aberta.

Amcham: Com isso, aumenta a interatividade...

Nelson Faria Junior: A rede social ajuda muito nisso. Veja o caso da novela Avenida Brasil, que gerou mais de 1,2 milhão de comentários no Twitter no capítulo final. Não foi a Globo que gerou esses dados, mas as pessoas. Essas comunicações acabam favorecendo a TV aberta.

Amcham: Falando em redes sociais, que oportunidades elas podem gerar?

Nelson Faria Junior: Algumas startups estão desenvolvendo soluções de segunda tela. Não acreditamos em algo que interrompa a história para se fazer uma compra qualquer. Quando uma pessoa assiste à televisão, não quer que nada interfira no conteúdo principal. Já a segunda tela é muito adequada à compra por impulso. Alguém está ali assistindo à TV, vê um carro qualquer e pode receber informações na hora, podendo até fechar a compra via dispositivo. A Globo Marcas, nossa loja que vende conteúdo relativo aos nossos programas, tem páginas de novelas com itens relativos, mas aí não é compra por impulso porque nesse caso é preciso abrir o site, navegar e chegar ao item. Queremos que as páginas da segunda tela sejam automaticamente renovadas conforme o andamento da programação. Por exemplo, a página do Jornal Nacional sai e entra a da novela automaticamente. Estamos trabalhando em um software para melhorar a relação entre consumidor e empresa.

Amcham: No fórum de conectividade da Amcham, falou-se do aumento do poder de escolha do consumidor e das tendências tecnológicas baseadas nos hábitos de consumo. Quais foram foram as conclusões mais importantes, na sua avaliação?

Nelson Faria Junior: As empresas têm que se preparar para dar relacionamento individual com conteúdo atual. É preciso olhar para aquela pessoa que está assistindo sua programação como a mais importante porque, se ela ficar insatisfeita por algum motivo, pode provocar uma reação negativa que dará um prejuízo absurdo. A conectividade acabou fazendo isso; então, temos que achar uma maneira de monitorar o público para não sermos surpreendidos. Às vezes, não há como evitar um erro, mas, se houver um pronto atendimento e der atenção específica, minimizam-se os efeitos.

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