Sem conhecimento financeiro e operacional, médias e pequenas empresas correm risco de quebrar ao tentar crescer

por andre_inohara — publicado 22/03/2011 15h49, última modificação 22/03/2011 15h49
André Inohara
São Paulo – Ao aumentar o tamanho das companhias, muitos empreendedores descobrem que avaliavam mal o resultado e a necessidade de giro.
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Quando uma média ou pequena empresa (MPE) passa pela seleção natural de mercado e sobrevive aos anos iniciais, corre novo perigo de descontinuidade ao decidir aumentar de tamanho.

“Muitas das companhias que nos procuram estão deficitárias ou quebram por falta de dinheiro, e não de clientes”, disse o consultor Márcio Iavelberg, da Blue Numbers, durante workshop de gestão financeira na Amcham-São Paulo nesta terça-feira (22/03).

Esse é o momento em que muitos empreendedores acabam descobrindo que suas margens de lucro eram irreais e o capital de giro se revela insuficiente. “A maior dificuldade ocorre quando a empresa quer aproveitar o crescimento do mercado sem conhecer efetivamente sua base financeira e operacional”, observou Iavelberg.

No segmento das MPEs, muitos empreendedores se valem de técnicas intuitivas para calcular o preço de seus produtos. Iavelberg conta que atendeu um fabricante de cabos com qualidade reconhecida pelo mercado, e que calculava seu preço cobrando 10% a mais que o produto dos concorrentes.

“Embora o dono dissesse que tinha lucro, quando perguntei qual era o custo para produzir um cabo ele não soube responder”, assinalou. O proprietário poderia faturar mais se utilizasse técnicas de formação de preços e gestão de custos, resumiu o consultor. 

O caso dessa empresa não é isolado. Muitas das MPEs mal possuem demonstrativos financeiros, revela Iavelberg. Sem conhecer os fundamentos das companhias, deixa-se de aproveitar melhor as oportunidades. “Muitas tendências de mercado mudam, assim como as exigências dos clientes e a agressividade da concorrência. Sem ferramentas de gestão, as empresas terão problemas no resultado.”

Gestão profissional

Em sua consultoria, Iavelberg procura orientar seus clientes sobre a importância de gerir profissionalmente as empresas. Quando se expandem, muitas delas são surpreendidas pela queda de rentabilidade.

“As principais causas de um fluxo de caixa deficitário são falta de planejamento entre os prazos de recebimento e pagamento, avaliação mal feita de custos e vendas com prejuízo”, comentou.

Em pesquisa de 2010 sobre MPEs da consultoria Deloitte intitulada “As PMEs que mais crescem no Brasil”, um dos fatores considerados decisivos que as empresas devem enfrentar no médio e longo prazos é a manutenção de custos competitivos, com 85% das respostas.

Outro ponto importante detectado pelo estudo foi o de controle de custos. Ter administrado os gastos nos últimos três anos foi considerado importante por 61% dos pesquisados, e 75% acham que esse aspecto será essencial nos próximos três a cinco anos.

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