Software livre é aposta para empresas reduzirem custos

por mfmunhoz — publicado 02/11/2010 13h50, última modificação 02/11/2010 13h50
São Paulo - Companhias devem deixar de lado preconceitos e enxergar nesses programas oportunidade de negócios.

As empresas devem deixar de lado preconceitos e enxergar no software livre uma oportunidade de reduzir gastos com compra de licenças de uso, acesso a inovação tecnológica e adequação de ferramentas a modelos de negócios diferenciados. A proposta vem de Luis Dosso, diretor de Negócios da Dextra Sistemas, empresa de desenvolvimento, treinamento e consultoria em tecnologia.

Softwares livres são programas produzidos por comunidades formadas por profissionais, acadêmicos e especialistas que têm como característica a liberdade para serem executados, copiados, distribuídos, estudados, modificados ou aperfeiçoados por qualquer usuário interessado, sem o pagamento de licença autoral, uma exigência dos softwares proprietários.

“As companhias podem ganhar muito se adotarem essas tecnologias, ainda mais de maneira customizada. Existe uma série de produtos disponíveis no mercado, como portais, sistemas de atendimento, help desk e monitoramento de redes, que podem ser utilizados no ambiente corporativo de Tecnologia da Informação de forma extremamente eficiente”, afirmou Dosso, que participou do comitê de Tecnologia da Informação e Comunicações da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (27/10).

Ele destacou ainda que o Brasil é referência na utilização de software livre. “Consumimos muitos dos produtos originados localmente, dos EUA e da Europa. O que o governo e as companhias brasileiras fazem, priorizando a utilização do software livre, serve de exemplo para o resto do mundo. Contudo, o País ainda não é um polo gerador de programas dessa natureza, sendo que tem condições para isso”, informou.

Dosso ainda aconselhou atenção à escolha de técnicos para operar e desenvolver esse tipo de software. “Como em qualquer negócio, é preciso procurar empresas e profissionais capacitados para encaminhar os projetos de customização”, reforçou.

Software livre nos negócios

Fundada em 1993, a Red Hat enxergou no <i>software</i> livre uma grande oportunidade para o ambiente corporativo. Atualmente, a empresa oferece, além do aperfeiçoamento de programas, serviços de suporte técnico, treinamentos, certificação Linux (programa bastante disseminado globalmente) e consultoria. Carlos Bokor, gerente regional de Serviços da Red Hat Brasil, acredita que a reciprocidade de ganhos na cadeia, ou seja, ganhos para quem produz e utiliza, é mais um benefício dos programas de software livre.

“As comunidades desenvolvem boas ferramentas, tendo por trás o apoio de empresas que investem nesse trabalho e, por sua vez, acabam expandindo e produzindo inovação no mercado com mais facilidade. Os fornecedores desses softwares conseguem oferecer as melhores ferramentas e serviços aos clientes. Na ponta, o consumidor tem acesso a tecnologias inovadoras de forma rápida e econômica”, destacou.

Bokor também defendeu um trabalho conjunto para eliminar os preconceitos de algumas empresas em relação a esses programas, que ele afirma serem considerados por muitos ainda como “amadores”. “É preciso um posicionamento bem claro das companhias fornecedoras e dos empreendimentos que utilizam essas ferramentas para que saibam diferenciar o software livre corporativo do gratuito, muitas vezes não aprimorado e sem sofisticação.”

Paulo Eduardo Silveira, sócio-diretor de Tecnologia da Caelum, especializada em consultoria e treinamento em tecnologia, contestou o argumento de empresas que alegam haver falta de segurança jurídica quando os softwares livres apresentam eventuais problemas e demandam suporte, enquanto, para os softwares proprietários, a cobertura nesses casos é obrigatória.

“É ilusão achar que se está protegido legalmente pelo fato de adquirir um software proprietário ou mesmo um livre, mantendo-se relação com seus fornecedores. Isso porque, se há um prazo de entrega, uma decisão jurídica favorável depois não ajudará”.

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