Telefônica investirá R$ 6 bilhões em serviços e infraestrutura no Brasil em 2011

por daniela publicado 15/04/2011 14h58, última modificação 15/04/2011 14h58
Daniela Rocha
São Paulo - Além disso, o grupo montará o primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento no País, o único fora da Espanha, onde está a matriz.
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O Grupo Telefônica injetará R$ 6 bilhões no Brasil em 2011 para ampliar serviços e infraestrutura. Esse é um investimento anual recorde da organização no País. No planejamento para os próximos quatro anos, o aporte deverá somar R$ 24 bilhões. Além disso, ainda neste ano, começará a sair do papel a instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em solo brasileiro, que será o único fora da Espanha, onde fica a matriz da companhia.

Esses números demonstram o aumento da importância do País nos negócios da empresa, enfatiza Roberto Piazza, diretor de Estratégia do grupo Telefônica.  Atualmente, a América Latina representa aproximadamente um terço das receitas do grupo, sendo que o mercado brasileiro responde pela metade disso.

“O Brasil significa, por si só, 15% de todo o grupo e está crescendo, se desenvolvendo. A importância do País é tão grande, tanto que compramos a Vivo por aquele valor elevado e estamos realizando diversos investimentos. Existe um centro de pesquisa e desenvolvimento na Espanha e o traremos para cá também. Já há funding e tudo”, disse Piazza que participou nesta sexta-feira (15/04) do comitê de Tecnologia da Informação e Comunicações da Amcham-São Paulo.

Direcionamento

Os R$ 6 bilhões de investimentos para este ano estão distribuídos, conforme o diretor, entre novas redes e sistemas (40%); novos negócios de banda larga, TV e dados (30%); negócio tradicional de voz (15%); e aquisição de licenças de operações (15%).

Segundo Piazza, o movimento ascensão da classe C brasileira, sobretudo, consiste em uma forte demanda e oportunidades para a empresa. Mas também está na estratégia da empresa o desenvolvimento de uma gama de serviços populares para os segmentos D e E e também mais sofisticados,voltados às classes A e B, mais favorecidas, que adquirem equipamentos tecnológicos de ponta, especialmente terminais tablets e smartphones.

O grupo Telefônica - contituído pelas empresas Telefônica SP, Atento, A.Telecom, Terra, TGestiona, TESB, Telefônica Internacional Wholesale Services (TIWS) e Vivo -,  líder do setor de Telecomunicações no País, teve uma receita de R$ 36 bilhões em 2010.

Desafio do setor

O mercado brasileiro é promissor ao segmento de telecomunicações; entretanto a falta de mão de obra qualificada em quantidade suficiente no País é a principal preocupação, avaliou Piazza. Para lidar com essa situação, o grupo aposta em treinamentos para todos os níveis de profissionais, desde técnicos até altos executivos.

Jairo Okret, sócio-diretor sênior da empresa especializada em gestão de talentos Korn/Ferry International, destacou na reunião na Amcham que os profissionais de TI e Telecomunicações, principalmente engenheiros, estão sendo disputados pelas companhias da área e até de outros segmentos em expansão no País, como o de petróleo e gás. “Os salários têm subido principalmente para os postos de liderança”, disse.

Universalização

Nesta semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adiou pela segunda vez a data da renovação dos contratos de concessão de telefonia fixa e a entrada em vigor do Plano Geral de Metas de Universalização da Telefonia (PGMU 3). Esta proposta, que será colocada em consulta pública, prevê que as alterações nos contratos deverão ser feitas até 30 de junho.

O PGMU 3 estabelece metas de universalização dos serviços às concessionárias de telefonia fixa para o período de 2011 a 2015 e tem como objetivo aumentar progressivamente a oferta de telefones individuais e coletivos para ampliar o acesso da população.

O projeto prevê ainda telefonia fixa a baixo custo para beneficiários do programa Bolsa Família e competição para redução de custos da banda larga no atacado e no varejo. A ideia é que as concessionárias ofereçam o pacote básico de acesso à internet, com velocidade de 600 quilobits por segundo (kbps), por R$ 35, podendo chegar a R$ 29,90, se os Estados abrirem mão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Essas metas ainda podem mudar, dependendo da negociação do governo com as empresas.

“Esse é um processo de negociação, como publicamente temos comentado. A Anatel estendeu o prazo e estamos dialogando”, ressaltou o diretor de Estratégia do Grupo Telefônica, Roberto Piazza.

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