TI deve se integrar com áreas estratégicas para antecipar tendências e necessidades de negócios

por marcel_gugoni — publicado 21/03/2012 17h19, última modificação 21/03/2012 17h19
Marcel Gugoni
São Paulo – É importante falar a mesma língua, sem abusar de jargões próprios, de difícil compreensão por profissionais de outros segmentos.
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Para a empresa crescer e se destacar na oferta de seus produtos e serviços, é necessário que todas as áreas falem a mesma língua. Nesse contexto, executivos e consultores ressaltam que é essencial a integração de TI, área que muitas vezes se comunica por meio de siglas e jargões técnicos só compreendidos por seus próprios profissionais, com outros departamentos estratégicos. 

Na avaliação de Lilian Picciotti, ex- diretora de e-business da IBM e consultora da Picciotti Consulting, empresa especializada em TI, as áreas de finanças, marketing e tecnologia são as que mais devem interagir entre si para antecipar tendências e necessidades de negócios. “Essas áreas estratégicas têm que sair da postura reativa para a proativa, a fim de adotar uma inteligência para antecipar necessidades e propor soluções”, diz. 

“A integração é fundamental”, aponta ela, que participou nesta quarta-feira (21) do comitê aberto de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) da Amcham-São Paulo

Para Jairo Martins da Silva, CEO (Chief Executive Officer) da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade), a base para unir a empresa – e suas línguas – é a estratégia, ou seja, a composição de sua missão, visão e objetivo. 

“Antigamente, ninguém pensava na integração. Cada um se fechava no seu feudo. Hoje, todos têm que falar a mesma língua”, afirma. “Com a estratégia definida, os diretores sabem quais processos necessitam para agilizar o fluxo de informação e o contato com o cliente, por exemplo. O profissional de TI tem, inclusive, que lidar com a questão de antecipar as necessidades das áreas da empresa.” 

Produtividade e informação 

Silva faz uma analogia: se antes a preocupação com a TI era ter o “t” maiúsculo, hoje a prioridade é o “i” maiúsculo. A informação tem que vir em primeiro lugar. “Sem informação, a tecnologia por si só não tem valor.” 

O executivo cita o caso de uma das empresas em que trabalhou, cujas áreas dispunham, cada uma, de um sistema de ERP (Enterprise Resource Planning, ou Sistemas Integrados de Gestão Empresarial) diferente. Silva afirma que a TI fez um mau negócio ao permitir que cada setor tivesse seu sistema independente, sem que eles interagissem. 

“Cada módulo dessa tecnologia [ERP] tem seu núcleo que permite compartilhamento. Isso baixa o custo, mas o grupo não sabia e pagava-se muito mais caro – sem que houvesse retorno de eficiência.” 

Frank Wondheiler, CFO (Chief Financial Officer) da Avaya, do setor de telecomunicação e telefonia empresarial, afirma que aumentar a produtividade sempre foi a meta das empresas. “Qualquer CFO está preocupado com a produtividade, que é o que de fato cria valor ao seu produto e que mostra o quanto a empresa cresceu”, exemplifica. 

Por esse motivo, ele diz que um problema na área de TI, hoje em dia, não fica mais restrito àquele setor. “É um problema de toda a empresa”, comenta. Para Lilian, a concorrência força as empresas a sempre tentar reduzir custos e aumentar a produtividade. “Nesse contexto, quem não se integra internamente fica para trás.” 

Marketing e produto 

A consultora diz que CIO (Chief Information Officer) e CFO já trabalham juntos. “Os objetivos de TI deixam de ser só de controle para ter mais participação e cooperação, enquanto na área financeira, os objetivos deixaram de ser controle para agregar valor.” 

O CIO, diz ela, deve se preocupar com a eficiência e a qualidade das informações. “Se eu entrego um produto com soluções ruins, estou ‘morta’, até porque depois há custo de retrabalho.” 

O CFO, por sua vez, tem que pensar na produtividade e na competitividade, “porque não adianta eu ter um produto fantástico que custa dez vezes mais do que o do concorrente porque ninguém vai comprar. A área financeira é que vai analisar como eu posso otimizar e melhorar meus custos”. 

O marketing entra na lista com a tarefa abrangente de olhar o mercado e “saber se o que eu estou fazendo é competitivo sob a ótica da necessidade do cliente”, afirma. O CMO (Chief Marketing Officer) faz parte do processo. “É ele quem busca a inovação contínua de produtos e serviços.” 

A estratégia e o relacionamento têm que permear todos os processos de todas as áreas. “As soluções devem viabilizar mudanças positivas em toda a empresa. A questão não é só criar novas tecnologias, mas sim como atender os desafios de negócios. Comprar um produto, seja hardware ou software, simplesmente porque ele é novo, é um erro fatal”, explica.

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