Unindo tecnologia e gestão estratégica, ‘arquitetura corporativa’ amplia visão de negócios e fortalece TI

por andre_inohara — publicado 12/03/2013 17h47, última modificação 12/03/2013 17h47
São Paulo – Conceito permite otimizar tecnologia e obter vantagens financeiras e operacionais nas instituições.
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O fato de uma empresa possuir as mais rápidas e poderosas tecnologias de informação e comunicação (TIC) não se traduz, automaticamente, em análises precisas de mercado ou novos negócios. Por isso, as companhias começam a despertar para a importância de integrar a tecnologia com as necessidades operacionais presentes e futuras, usando conceitos de arquitetura corporativa.

Nesse modelo, as empresas organizam processos e sistemas de negócio com recursos de TIC, que trabalham na integração e padronização das operações. Para os profissionais de TI, trabalhar com arquitetura corporativa representa a oportunidade de contribuir em nível estratégico para os negócios.

“Quanto mais a equipe de TI estiver preparada com visão mais focada na corporação e no projeto, mais vai influenciar o rumo dos negócios”, argumenta Ricardo Kubo, arquiteto de TI do Setor de Distribuição da IBM Brasil.

Kubo foi um dos especialistas de TI que debateram sobre arquitetura corporativa no comitê de TIC da Amcham-São Paulo, realizado nesta terça-feira (12/03). O mérito do processo é aproximar mais o profissional de TI do foco estratégico. “A atitude faz a diferença, e a arquitetura corporativa pode ser uma forma de estruturar o pensamento e o método de trabalho da TI”, defende Kubo.

De acordo com ele, integrar a função de TI ao negócio é uma tendência cada vez mais explorada pelas empresas, e é uma forma considerada bastante eficiente de aumentar a produtividade e interligar sistemas e operações distantes fisicamente.

Ou seja, arquitetura corporativa não se trata somente de montagem de infraestrutura, mas uma aliada importante no desenvolvimento de uma TI mais ágil e orientada para soluções, frisa Kubo. “Ela é um meio que usa infraestrutura tecnológica para concretizar a estratégia do negócio, descobrindo as informações necessárias para apoiar a operação e como gerá-las no sistema.”

Uso inteligente

A arquitetura corporativa permite não apenas encurtar distâncias e despesas, mas também identificar de que forma a companhia será atendida. “Uma empresa com operações espalhadas pelo mundo pode prescindir de uma visão centralizada, ou de uma TI com aspectos diferentes e específicos de cada localidade”, disse Otávio Pecego Coelho, Enterprise Architect da Microsoft Services.

Coelho avalia que as mudanças de mercado estão cada vez mais rápidas, e as empresas estão mais cientes da importância de usar as informações do modo mais inteligente possível.

“Investir em TI está cada vez mais alinhado ao negócio e melhora o resultado. Todos os aspectos de como a empresa se relaciona com parceiros, clientes, o modo de produzir e as atividades-fim são relevantes para se montar uma arquitetura corporativa”, opina ele.

Conhecimento estratégico

A arquitetura corporativa é um processo normalmente liderado pela área de TI. Mas os benefícios do modelo chegarão com mais força à empresa, se a área de tecnologia mostrar conhecimento estratégico, acredita Rogério Ribeiro, diretor de TI do laboratório farmacêutico Merck Sharp & Dohme Brasil.

“A empresa ainda vê nossa área como suporte, em parte porque não traduzimos nosso vocabulário técnico para todos”, destaca o executivo. Cada vez mais a tecnologia faz parte dos negócios, o que é uma oportunidade clara para o setor. “Veja os executivos de Marketing, que têm que saber usar as ferramentas de mídias sociais”, exemplifica ele.

Embora a área de TI tenha conquistado espaço na empresa, ela não será convidada para discutir os destinos da empresa enquanto não conseguir mostrar suas qualidades estratégicas, comenta Ribeiro.

A tecnologia nos setores financeiro e de varejo

Embora o uso da TIC varie de intensidade conforme o segmento econômico, sua importância não pode ser menosprezada em nenhum deles, de acordo com os painelistas. Nos setores bancário e de telecomunicações, o uso da TIC é mais difundido por uma questão de necessidade.

Nessas áreas, o serviço é 100% digital e faz parte do negócio. Os bancos investem em tecnologia na ordem de três vezes ou mais que o varejo em determinados casos, compara Kubo, da IBM. “O impacto de uma interrupção no sistema de cartões de crédito cria uma indisponibilidade que faz o cliente usar outra marca no ponto de venda em questão de segundos.”

No varejo, o modelo de negócio consiste em comprar e vender bem. “A tecnologia é usada como suporte das atividades ligadas a compra ou venda. Dentro de varejo, o dinheiro usado em TI acaba sendo muito pequeno, basicamente para manter os sistemas no ar”, acrescenta o executivo.

Com a consolidação do e-commerce, o cenário vai mudar. “No canal de lojas físicas, os investimentos de TI são menores, mas a presença do canal eletrônico traz mais visibilidade à área de TI a ponto de as varejistas segregarem essas unidades de negócio e destinarem uma proporção superior de investimentos em TI”, segundo Kubo.

Para Coelho, da Microsoft, o setor financeiro enxergou há muito as vantagens da tecnologia. “Os investimentos em tecnologia começaram na década de 1960, quando a TI permitiu diminuir mão de obra e tornar a operação satisfatória”, conta o especialista.

O uso da tecnologia modificou o setor financeiro, que deve se diversificar no futuro. “Tem gente que acha que banco é para fazer transações, outros para engajar clientes. Eventualmente, teremos dois negócios no sistema financeiro feitos por duas empresas diferentes. De qualquer modo, a TI é fundamental”, avalia ele.

 

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