Utilização de dispositivos eletrônicos pessoais no âmbito corporativo exige dos CIOs articular ganhos e riscos de segurança

por giovanna publicado 30/05/2012 11h58, última modificação 30/05/2012 11h58
Recife – Tendência de incorporar nas empresas tecnologias que vêm de fora é conhecida como consumerização.
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A incorporação na empresa de tecnologias que surgem fora dela, tendência conhecida como consumerização, pode ser uma grande aliada dos gestores de Tecnologia da Informação (TI), os CIOs, mas também traz preocupações com fatores como segurança de dados e compliance. Na avaliação de Roberto Newton Carneiro, CIO da Sodexo, esses profissionais devem buscar equilibrar os dois lados.  

“O fluxo de acesso e utilização dos dispositivos tecnológicos mudou. Antes, as pessoas tinham contato com novos aparelhos dentro do trabalho. Agora, o caminho é inverso: as pessoas levam esses dispositivos eletrônicos para dentro da organização”, comenta Carneiro, que participou do CIO Fórum 2012, realizado pela Amcham-Recife na última sexta-feira (25/05).

Saber avaliar com cuidado como receber esses dispositivos é fundamental. “O gestor de TI não é obrigado a adotar todos os tipos de devices que chegam com os funcionários. É preciso evitar entrar no modismo”, pondera.

O executivo defende que o CIO deve trabalhar cada vez mais como um articulador de estratégias de tecnologia. “Olhar para o mercado, filtrar aquilo que realmente se adéqua ao negócio e estar preparado para dar suporte técnico são requisitos dessa articulação”, diz Carneiro.

O papel do CIO 

Além de identificar os dispositivos ideais para o negócio e adotá-los com inteligência, os gestores de TI precisam atentar para outras iniciativas que envolvem desde o engajamento dos funcionários até a transparência nos processos.

“Nesse cenário, cabe ao CIO ser claro em relação aos riscos e oportunidades que a companhia pode ter a partir do acesso de dispositivos pessoais e liderar esforços internos para preservar a segurança dos dados da empresa”, afirma Carneiro.

O executivo destaca ainda que a cultura das organizações também passa por mudanças devido à consumerização. Para ele, tentar bloquear totalmente o acesso dos funcionários à empresa através de seus dispositivos pessoais pode levar à perda de engajamento. “Portanto, saber manejar a situação é importante até para a retenção de talentos da companhia”, complementa.

Novas habilidades

Sérgio Barreto, CIO do Grupo Cornélio Brennand, também participou do evento da Amcham. Ele citou a pesquisa New Skills for the New IT, realizada pela Gartner em 2011, que mostra tendências para o mercado de TI. Entre os destaques do levantamento mencionados, está a informação de que, hoje, os investimentos no âmbito operacional correspondem a 70% do total de recursos aplicados em TI pelas empresas. Em 2020, esse número tende a cair para a casa de 30% dos aportes.

No mesmo período, os investimentos em inovação irão passar dos atuais 5% para 15% do total aplicado em TI. “Esse cenário vai demandar dos profissionais uma postura diferente e que desenvolvam novas competências que vão além da capacidade de realizar o operacional”, analisa Barreto.

 

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