Agenda para Copa de 2014 acelerará inclusão social e sustentabilidade

por giovanna publicado 21/03/2011 19h21, última modificação 21/03/2011 19h21
Porto Alegre – Este será o maior legado do evento, prevê coordenador da câmara que debate o tema no Ministério do Esporte.
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O principal legado que a Copa do Mundo de 2014 pode deixar ao Brasil é a oportunidade de unir inclusão social e sustentabilidade ambiental. O poder de mobilização do futebol no País pode ser utilizado para produzir mudanças de valores na sociedade, apostando na educação de crianças e adolescentes e induzindo a aceleração de processos sustentáveis nas áreas de resíduos, mudanças climática e valorização da biodiversidade, analisa Claúdio Langone, coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 no Ministério do Esporte.

“Nossa ideia é ter  uma sensibilização de todos os segmentos a partir do convencimento de que o Brasil tem capacidade para realizar a Copa e responsabilidade para dar destaque à sustentabilidade. A Copa da África do Sul não teve grande sucesso nesse quesito. A realização da Copa e de outros grandes eventos internacionais no Brasil nos próximos seis anos, a maioria deles esportivos, nos dão uma oportunidade que nenhum outro país teve no período recente”, disse Langone no comitê de Sustentabilidade da Amcham-Porto Alegre na sexta-feira (18/03).

O coordenador lembra que o País tem recebido grande atenção no cenário global, sendo reconhecido como forte liderança nas negociações internacionais na área de meio ambiente. “O Brasil tem uma matriz energética bastante favorável, limpa comparativamente e com uma tendência forte em investimentos em energias alternativas, como a eólica e solar, por exemplo”, completou.

Para Langone, é totalmente viável realizar uma agenda sustentável até 2014. “O  primeiro passo é ter um envolvimento, uma integração muito forte nos três níveis de governo. Essa integração tem de estar dentro dos comitês e das câmaras que foram criados e incluir tomadores de decisão. O segundo passo é ter capacidade de formulação dos projetos, fazê-los bem concretos, colocar foco, definir orçamentos, estabelecer quem assume os pagamentos e compartilhar coisas que são de políticas públicas com iniciativas que são de diferentes segmentos da sociedade”, ensinou.

Economia

Claúdio Langone salientou, no evento da Amcham, que a agenda sustentável para a Copa do Mundo de 2014 tende a abrir importantes oportunidades de negócios, alavancar o comércio externo e aumentar a visibilidade das empresas brasileiras. “Há um núcleo central da agenda sustentável e um núcleo de projetos, que são derivados das grandes diretrizes. Estas diretrizes comportam um nível de abertura e possibilidade de adesão de atores como, por exemplo, o setor privado. O desafio é  saber qual é o nível de capacidade que teremos de mobilizar a sociedade para se envolver nisso.”

Entre as possibilidades de negócio que surgirão com a Copa, ele destacou a rede hoteleira, para a qual já estão disponíveis projetos de financiamento para a construção de hotéis sustentáveis; o  turismo, com parques, festas e locais característicos da cultura brasileira; e a produção de orgânicos. “A demanda por orgânicos já é realidade brasileira, mas o preço desses produtos ainda é muito alto. Se dobrássemos a produção hoje no País, aumentaria o consumo interno e cairiam os preços. Essa é uma das grandes janelas de negócios que se abre”, comemorou Langone.

Segundo Pesquisa contratada pelo Ministério do Esporte em março de 2010 e realizada pela empresa Value Partners Brasil através de informações concedidas pelo governo e referentes a outras Copas, os impactos econômicos potenciais resultantes do evento de 2014 podem chegar a R$ 183,2 bilhões, dos quais R$ 47,5 bilhões (26%) serão diretos e R$ 135,7 bilhões indiretos (74%). “As oportunidades estarão aí. É uma questão de diálogo entre governo e setor privado, o que pode ser feito através de atuação em algum nicho de negócio identificado ou desenvolvendo ações sociais na agenda”, orientou o coordenador.

Infraestrutura

A parte prática da agenda sustentável para a Copa do Mundo de 2014 é um ponto a ser destacado, já que a falta de infraestrutura se consiste em um dos principais fatores que limitam a competitividade brasileira. Claúdio Langone vê esse ponto como um desafio que será superado.

“As obras dos estádios serão bem resolvidas, com todos eles com algum nível de certificação ambiental. Também há a questão da acessibilidade e locomoção, com medidas sendo tomadas, como a restrição do uso de carros próximo aos estádios e o incentivo a andar de bicicleta e a pé durante o evento”, ele adiantou.

Langone afirma ainda que a própria FIFA está bastante satisfeita com a agenda e dando todo o apoio na questão da sustentabilidade por o Brasil ser um País de oportunidades e por sua importância do futebol.

 

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