Avião movido a etanol faz Embraer receber Prêmio ECO

por marcel_gugoni — publicado 26/11/2012 09h19, última modificação 26/11/2012 09h19
São Paulo – Usado para aviação agrícola, modelo Ipanema ‘verde’ tem desempenho geral superior e custos menores de operação e manutenção
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O Ipanema, primeiro avião movido a etanol, colocou a Embraer entre os ganhadores do Prêmio ECO 2012 na categoria Sustentabilidade em Produtos ou Serviços da modalidade Práticas de Sustentabilidade, entre empresas de grande porte.

A cerimônia de entrega da premiação será em 11/12, na sede da Amcham-São Paulo.

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Líder no mercado de aviação agrícola com aproximadamente 75% da frota brasileira, o Ipanema é utilizado para pulverizar lavouras, combater incêndios e produzir chuva [jogando nitrato de prata em nuvens]. Com mais de 30 anos no mercado, o Ipanema recebeu uma versão movida a etanol em 2005.

A partir desse ano-base, a indústria aeronáutica – Embraer inclusa – se comprometeu a reduzir, até 2050, 50% das emissões globais produzidas. Desde então, 214 unidades do Ipanema a etanol foram comercializadas pela Embraer, além de mais de 200 kits de conversão de aviões mais antigos para o combustível.

A escolha do modelo do avião pela Embraer se deveu à sua adaptabilidade e perspectiva de grande aceitação no mercado. “O motor do Ipanema é movido a pistão, e funciona com etanol sem que seja necessário fazer grandes mudanças”, explicou Guilherme Freire, diretor de Estratégias e Tecnologias para o Meio Ambiente da Embraer.

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Além de ser mais barato que a gasolina de aviação (“AvGas”), o etanol melhora o desempenho geral do avião, reduzindo custos de operação e manutenção. Do ponto de vista tecnológico, os biocombustíveis aeronáuticos podem ser misturados ao similar fóssil com total compatibilidade, sem comprometer o funcionamento da aeronave.

Eficiência energética

O etanol é menos agressivo ao meio ambiente porque não contém chumbo em sua composição, mas as vantagens vão além da sustentabilidade. A versão verde do Ipanema tem potência 7% superior, o que diminui a distância necessária para a decolagem. Outro ponto positivo é que um motor a etanol tem custos menores de manutenção, conforme a Embraer.

A versão a etanol do Ipanema foi um sucesso tanto no aspecto tecnológico como comercial, e inspirou a Embraer a desenvolver outro projeto de combustível verde tão eficiente quanto o querosene Jet A/A-1, o mais utilizado no mundo.

No final de 2009, a Embraer, em parceria com a GE Aviation (unidade da General Electric Company que fabrica turbinas para aviões) e a Amyris Biotechnologies, começou a desenvolver um combustível a partir da fermentação da cana-de-açúcar brasileira para uso na aviação comercial de grande porte.

Por meio de microorganismos modificados, a Amyris conseguiu converter açúcar em hidrocarboneto, gerando um querosene renovável e com eficiência energética similar à do produto de origem fóssil. Esse bioquerosene foi usado junto com querosene convencional de aviação, na proporção de 50%, durante a conferência internacional do meio-ambiente Rio+20, em junho.

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O objetivo de testar a viabilidade do projeto foi alcançado, e por isso os estudos para desenvolver o bioquerosene em escala comercial agora devem prosseguir.

“Temos em nosso planejamento estratégico apoiar o desenvolvimento do transporte aéreo sustentável, através do uso de combustível alternativo”, salienta Freire.

O Prêmio ECO

Para Freire, ser reconhecido pelo Prêmio ECO é um fator de estímulo. “Ficamos muito orgulhosos. Isso só nos estimula a seguir com nossos projetos em sustentabilidade”, destaca o executivo.

Lançado pela Amcham em 1982, o Prêmio ECO é pioneiro no reconhecimento de companhias que adotam práticas sustentáveis no Brasil. Desde 1982, o Prêmio ECO já mobilizou 2.117 companhias brasileiras e multinacionais. Elas foram responsáveis pela inscrição de 2.630 projetos.

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