Brasil tem potencial para se tornar economia que sequestra carbono, avalia ex-ministra do Meio Ambiente

publicado 14/12/2017 13h56, última modificação 14/12/2017 14h04
São Paulo - Izabella Teixeira, durante cerimônia do Prêmio Eco, lembrou da importância estratégica brasileira dentro do Acordo de Paris

O Brasil tem uma grande oportunidade de se tornar uma economia que deixe de emitir carbono para se tornar o primeiro país do mundo a ser "sumidouro de carbono". Essa é a expectativa de Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, convidada de honra durante a cerimônia do Prêmio Eco na última quinta-feira (13/12). Para a especialista, o Brasil poderia fazer muito mais do que está fazendo em termos de desenvolvimento sustentável.

"Essa não é uma discussão de ambientalismo, estamos falando de geopolítica, desenvolvimento sustentável, novos rumos de fazer negócios e de como vamos viver em um futuro que não é mais uma projeção linear do século passado", lembrou Teixeira. Para a especialista, os desafios representam novas rotas de desenvolvimento que vão exigir uma mudança muito acelerada, principalmente no setor privado e na sociedade civil.

Ela avalia que o governo ainda é muito reativo e pouco propositivo nesse setor. Um exemplo que lembrou foi das discussões sobre Reforma Tributária que, em sua avaliação, não levam em consideração desonerações relacionadas a logística reversa e reciclagem. Para Teixeira, isso representa um distanciamento da discussão latente sobre novos negócios e economia circular, assuntos amplamente colocados internacionalmente e no setor privado.

A especialista lembrou que a participação do empresariado nas negociações e debates sobre o clima aumentou de forma expressiva nos últimos anos e que a tendência é que os negócios, juntamente com a sociedade civil, liderem as mudanças. "O que se espera globalmente é que o setor empresarial assuma as rédeas do processo na condução do país rumo a economia de baixo carbono", declarou.

Teixeira lembrou que o Brasil é um país com grandes ativos de recursos naturais e é muito estratégico do ponto de vista global para o cumprimento do acordo de Paris. O que falta, em sua avaliação, é uma visão coordenada e estratégica que englobe todos os players em torno do objetivo do desenvolvimento sustentável, inclusive o setor financeiro. Definir essa estratégia é essencial para implantar as NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada do Acordo de Paris) de forma efetiva. Essas contribuições brasileiras serão centradas em uso da terra e geração de energia, dois pilares que têm grande potencial, como lembrou a ministra.

Ela lembra que, se não tiver uma mudança sobre o uso de recursos naturais, eles poderão se esgotar nos próximos anos. Isso pode inclusive ampliar a desigualdade social nos países. "Os próximos 20 anos são cada vez mais incertos, com maior impacto ambiental e mais custo para quem vai usar esses recursos naturais e acentuando a desigualdade. Nesse cenário, o Brasil tem a condição de fazer a diferença para o bem, se nos juntarmos para construir um novo caminho para toda a economia brasileira", finaliza.