Case Trashin: como ser uma empresa sustentável

publicado 02/08/2021 13h20, última modificação 02/08/2021 13h26
Descubra como a sustentabilidade pode ser uma oportunidade de negócio
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#4_Case Trashin: do lixo ao luxo socioambiental, a startup que busca expandir a economia circular, com Sérgio Singer e Marcelo Nakagawa

Empresa sustentável e hub de inovação no setor de gestão de resíduos e logística reversa, a Trashin é uma cleantech brasileira de economia circular e nossa convidada da semana no nosso podcast  ‘Um Case pra Chamar de Seu’ - os episódios principal e bônus já estão disponíveis no seu streaming favorito.

Convidamos Sérgio Finger, CEO da Trashin, para contar os detalhes, alegrias e ciladas da jornada sustentável da startup até agora. No papel de especialista do episódio, recebemos Marcelo Nakagawa, Professor do Insper.

Ouça o episódio principal aqui:

O CASE TRASHIN

Criada em 2018, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a Trashin nasceu com o propósito de transformar lixo em dinheiro através da gestão de resíduos. A startup começou atuando com geradores de resíduos como condomínios e escolas da capital gaúcha. Hoje, atende parques, shoppings, hospitais, empresas e municípios de todo o país.

A cleantech ampliou seu portfólio de serviços e atualmente, atua com gestão de resíduos 360º - integrando geradores de lixo, cooperativas de reciclagem e indústria de transformação e logística reversa. Além disso, a Trashin realiza atividades de educação ambiental e certifica as operações garantindo a autenticidade de empresas sustentáveis.

Assim, com a redução do desperdício e do consumo de recursos naturais, a Trashin tem causado impacto positivo não apenas no meio ambiente, mas também na vida das pessoas. Suas práticas e ações têm abarcado todos os pilares ESG - meio ambiente, sociedade e governança.

“Tem um ponto central que é a questão do impacto social que causamos. O ambiental já está no drive do negócio, mas, no social, decidimos trabalhar com cooperativas. Foi opção nossa pegar o expertise dos coletores e catadores e aumentar a geração de renda, ajudar com capacitação, formalização”, afirma Sérgio Finger.

Unir inovação e sustentabilidade ajudou a Trashin a desenvolver um modelo de negócio focado em economia circular e se tornar uma empresa sustentável, que vem transformando e agregando valor ao setor de sustentabilidade no Brasil. “A gente se posicionava como um hub de sustentabilidade, mas hoje somos um hub de inovação no setor de sustentabilidade”, declara Sérgio.

Em 2019, a Trashin ficou em 3º lugar na categoria Negócios em Operação, no Prêmio Connected Smart Cities. Em 2020, a startup venceu o prêmio Innovation Awards 2020 na categoria de Novos Produtos, Serviços e Modelos de Negócios e entrou para o ranking da 100 Open Startups, como a segunda cleantech da lista. 

Ainda em 2020, a Trashin se tornou uma das 6 finalistas do Amcham Arena - nossa competição nacional de startups.

Com as lições da Trashin, elaboramos 5 passos práticos para tornar sua empresa sustentável, gerar impacto socioambiental e alcançar resultados positivos: 

 

1 - COMEÇAR COM AS PEQUENAS AÇÕES

Para Sérgio Finger, quando o assunto é sustentabilidade e investimentos ESG, é fundamental começar com pequenas ações. Ele defende a prototipagem dessas ações, com o objetivo de ter um planejamento mais detalhado que favoreça mudanças e ajustes rápidos caso necessário.  

É importante ter em mente que nenhuma empresa se torna sustentável da noite para o dia. “ESG não é algo que você engloba a empresa toda para começar amanhã”, alerta Sérgio.

Além disso, um dos pilares de ESG é a governança corporativa, que mede a transparência e ética da administração e da apresentação dos dados do negócio. Por isso, avaliar e mensurar os resultados de cada prática de sustentabilidade é fundamental para confirmar se as ações estão no caminho certo ou não.

“No final, são as pequenas ações que trazem o resultado. Nesse meio, precisamos mensurar os resultados para entender se está havendo impacto na conta”, declara o CEO da Trashin.

 

2- CONSTRUIR UMA EQUIPE COMPLEMENTAR

“Um ponto essencial é a escolha da equipe certa”, afirma Sérgio Finger. Para ele, a complementaridade da força de trabalho faz total diferença para o bom desempenho do negócio.

Construir uma equipe complementar é trazer profissionais de área diferentes com experiências que se integram e acrescentam entre si. Além da parte técnica, vendas e comunicação também são importantes. 

Para alcançar essa complementaridade é essencial entender o negócio e pontuar suas necessidades. A equipe certa possui melhor capacidade de execução, maior produtividade e desempenho.

 

3- DAR ATENÇÃO AO JURÍDICO E FINANCEIRO

Cuidar bem das finanças e da parte jurídica do negócio é imprescindível para ser uma empresa sustentável. Sérgio comenta sobre como negócios menores ou startups, muitas vezes, devido ao número reduzido de colaboradores, falham por não dar a atenção necessária aos processos jurídicos e financeiros do próprio negócio.

O financeiro deve ser visto como um pilar estratégico de qualquer negócio. Construir uma cultura de transparência de dados favorece relações de confiança e proximidade com investidores, aceleradoras e parceiros. Da mesma forma, dar atenção ao jurídico também é fundamental para evitar problemas com clientes, funcionários e fornecedores, entre outros

“Não podemos menosprezar o jurídico, porque ele pode matar a empresa muito rápido”, alerta Sérgio.

 

4- FOCAR NA RECORRÊNCIA

“No início, a Trashin vendia resíduo e a receita era dessa venda. Quando começamos a cobrar pela logística, gerou uma receita que se tornou mensalidade. Então, todos os meses a receita entrava e só precisávamos aumentar aquela base”, relembra Sérgio Finger.

Para ele, ter essa recorrência e periodicidade de receita é fundamental para dar sustentabilidade e previsibilidade para o negócio. Por isso, para se tornar uma empresa sustentável, deve-se encontrar formas de transformar o produto ou serviço em um modelo escalável, replicável e sustentável que gere recorrência e resultado mais rápido.

 

5- FAIL FAST, LEARN FASTER

“Querer deixar o produto pronto e perfeito antes de começar é um erro. Você mata o teu negócio antes de começar. O MVP oferece a flexibilidade de poder mudar”, afirma o CEO da Trashin.

O modelo de MVP (Produto mínimo viável, traduzido para o português) possibilita errar rápido, mas aprender rápido e com o menor custo possível. Esse modelo de negócio favorece a evolução do produto por permitir testar hipóteses. Para Sérgio, para se tornar uma empresa sustentável, é crucial ter um produto mínimo viável.

Fail fast, learn faster - falhar rápido, aprender mais rápido - é a uma oportunidade de compreender falhas no detalhe e se reconectar ao propósito com maior agilidade para encontrar uma nova solução. O melhor aprendizado vem das falhas.

 

DICAS DO ESPECIALISTA

Marcelo Nakagawa, Professor do Insper, no papel de especialista do Case Trashin, compartilhou sua visão sobre inovação na atualidade. Para ele, estamos assistindo ao teatro da inovação corporativa, onde muitos afirmam inovar, publicam nas redes sociais, mas, na verdade, não geram resultado nenhum.

“Inovação está muito na moda, mas são poucas empresas que conseguem praticar, executar e ter resultados. Mais importante do que inovar é ter agilidade para entender e atender a demanda do cliente. Muitas vezes, as grandes corporações pecam justamente pela falta de agilidade”, declara Marcelo.

Para ele, o grande desafio das corporações hoje é se reinventar e descobrir como manter a eficiência operacional e, ao mesmo tempo, ter executivos que trabalham por um propósito maior. Marcelo acredita que o ESG é o norte que pode direcionar as empresas sustentáveis na busca por atrelar resultado com propósito. “A chegada do ESG é muito boa para criar esse novo ambiente e unir resultado e propósito”,  declara.

 

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Confira outras dicas e pensamentos de Marcelo Nakagawa no episódio bônus do ‘Um Case pra Chamar de Seu’ e fique por dentro dos detalhes dos bastidores empresariais.

 

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