Compreensão é o único meio para desenvolver respeito pelas minorias

publicado 31/10/2019 12h36, última modificação 31/10/2019 12h36
São Paulo – Webinar abordou as práticas necessárias para legítima inclusão de PCDs e negros nas companhias
Karina Chaves - Carrefour , Daniel Teixeira - CEERT e Carolina Ignarra - Talento Incluir.jpg

Da esquerda para a direita: Karina Chaves (Carrefour), Daniel Teixeira (CEERT) e Carolina Ignarra (Talento Incluir)

Tudo aquilo que não é entendido não é respeitado. É o que acredita a sócia consultora da Talento Incluir, Carolina Ignarra. Segundo ela, é importante falar sobre as deficiências para que as pessoas entendam e respeitem PCDs. “Falando sobre mercado de trabalho, esse entendimento é importante porque estamos falando de um gestor que no dia a dia vai conviver com aquela pessoa”, pontua.

A executiva esteve presente no nosso webinar sobre comunicação inclusiva para PCDs e negros, no dia 22/10. Ao lado Carolina também estava o advogado e diretor de projetos do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Daniel Teixeira, e a mediação do bate-papo foi feita pela gerente de diversidade e inclusão do Carrefour, Karina Chaves. Clique aqui e assista o conteúdo na íntegra.

Daniel também acredita que a comunicação é o primeiro passo para tratar de temas como inclusão racial. “Nesse país, como em vários outros que experimentaram a escravidão negra, o tema racial se tornou um tabu”, afirma. Ele acredita que é preciso problematizar, discutir e comunicar para que o racismo seja superado e trabalhado de forma a pensar possíveis soluções.

Segundo Daniel, ser negro no Brasil está atrelado a muitos estereótipos negativos por motivos históricos e culturais. “Temos que ter um olhar humanizado para aquilo que é nossa trajetória histórica e abrir espaço para as pessoas falarem”, explica. Referir-se também o termo ‘negro’ como se fosse uma expressão pejorativa é também uma herança racista. “Quantas vezes já tentaram me salvar de ser negro dizendo que sou apenas moreninho, como se a palavra negro fosse ofensiva”, comenta.

OUVIR COM ATENÇÃO

Além de entender e comunicar, é preciso ouvir também. No caso de gestores de empresas, saber por que é importante perguntar é tão importante quanto ouvir. Isso porque, segundo Carolina, a incerteza também causa constrangimento. “O gaguejamento acontece porque a pessoa que pergunta está em dúvida do porquê deve saber sobre a deficiência do seu colaborador”, esclarece.

O mesmo acontece quando se tratam de colaboradores negros. Na visão de Daniel, é preciso trabalhar o discurso para que o colaborador não se sinta reprimido ou silenciado, caso contrário, a discussão sobre diversidade e inclusão poderá se tornar um tabu dentro da empresa. “Ouvir também faz parte da cimunicação. O diálogo é transformador e pode ser a solução para desentendimentos e problemas”, avalia. Carolina finaliza: “Não é bom mascarar uma situação que é preciso entender para que os outros respeitem.”