Construção mais rápida, barata e limpa rende à Precon o segundo Prêmio Eco

publicado 04/12/2013 08h33, última modificação 04/12/2013 08h33
São Paulo – Sistema de peças pré-fabricadas dá trabalho às mulheres e permite cortar 80% do rejeito
marcelo-miranda-3320.html

Uma montagem de prédios rápida, mais barata e que descarta 80% menos recursos do que o método artesanal de juntar tijolo por tijolo com argamassa levou a mineira Precon a ganhar, pela segunda vez consecutiva, o Prêmio Eco na modalidade Práticas de Sustentabilidade, categoria Produtos ou Serviços, entre empresas de pequeno ou médio portes.

O sistema, batizado de SHP (Sistema Habitacional Precon), foi desenvolvido há quatro anos, com o objetivo de obter um processo industrializado e sustentável, afirma Marcelo Miranda, CEO da construtora. “A construção civil responde por uma fatia grande do PIB mundial, entre 10% e 15%, mas consome mais de 40% dos recursos e deposita mais de 30% de todos os resíduos. É uma balança ambiental e econômica desequilibrada, que queríamos mudar com a industrialização”, explica.

Encaixes

Esses benefícios ao meio ambiente, aos trabalhadores e ao mercado são possíveis porque o sistema, único no mercado, funciona como uma linha de montagem de automóveis, o que permite produção em larga escala e melhor gestão dos processos.

O alicerce é executado tradicionalmente, com cimento e ferro. A partir desse ponto, começa-se a montagem, compilares de concreto e paredes que chegam inteiras, da fábrica, e são encaixadas com ajuda de guindastes.

As paredes não têm função de sustentação, mas de vedação. Assim, elas podem mudar de lugar, a gosto do freguês. Dentro delas, já existem espaços para os kits de materiais elétricos e hidráulicos, previamente montados com os tamanhos correspondentes, que serão interligados.

De açodo com Miranda, as paredes garantem conforto térmico e acústico antes mesmo de serem previstos nas mais recentes normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Isso ocorre porque os tijolos cerâmicos utilizados na confecção das paredes mantêm ar, em seu interior, conferindo aspecto isolante.

Um prédio de oito andares, por exemplo, leva 46 dias para ser erguido, com oito homens, incluindo o operador da grua. “É uma obra extremamente silenciosa, só monto”, cita.

Todas as peças são montadas na fábrica da Precon, que já fazia construções de grande porte, como shoppings e estádios de futebol. Todas as peças são feitas por cerca de 1.500 trabalhadores diretos, sendo 35% mulheres – o percentual deve ser elevado a 50% em um ano, estima Miranda.

“São atividades seqüenciais e controladas, com menos peso, então foi possível haver a inserção de mulheres. Preferimos as que têm filhos e, por isso, possuem menos acesso ao mercado. E, como são detalhistas, são muito boas especialmente nos acabamentos das peças”, comenta.

Popular

Segundo o CEO, desde 2012, quando a empresa levou seu primeiro Prêmio Eco pelo SHP, os processos foram aprimorados e, nesse ano, foram incluídos mais itens no projeto. “A industrialização começou na estrutura e está no acabamento. Estamos tentando industrializar o máximo”, afirma.

Ele conta que, por razões de mercado, a Precon lançou o SHP no mercado por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida. Em 2013, foram entregues 1.000 apartamentos e, em 2014, serão mais 1.500.

Além do básico que o programa pede, a empresa inclui, nas plantas, espaço suficiente para cadeiras de rodas rodarem dentro do banheiro e portas de 82 cm de largura, também para esse fim. As janelas são maiores que as previstas pelo governo.

A sustentabilidade também está no bicicletário, bomba d’água, estação de tratamento de água e área permeável maior do que a listada na legislação, entre outros quase 30 itens incluídos no projeto do condomínio.

Equilíbrio

O CEO diz que a empresa está desenvolvendo novos equipamentos para reduzir ainda mais o custo e o período de construção. “Com o preço da mão-de-obra crescendo, daqui a três anos enxergo que vamos ter custos menores que a concorrência. E, como entregamos na metade do tempo, o proprietário paga menos aluguel, antes de morar no que é seu”, destaca.

Ele ressalta o ganho com menos descarte de resíduos. Numa obra do SHP, por xemplo, não há caçambas nas calçadas. “Se todo projeto do Minha Casa Minha Vida fosse como o nosso, economizaríamos 9 mil Km de caçambas de entulho enfileiradas, uma distância entre São Paulo e o Canadá”, cita Miranda.

Para Miranda, com as questões técnicas, econômicas e ambientais assistidas pelo SHP, a sustentabilidade está no cerne de seu projeto. Por isso, explica, não gosta de premiações que abordam o tema com foco em marketing e posicionamento de marca.

“Por isso inscrevemos por duas vezes no Prêmio Eco, que é o mais antigo e mais respeitado do país. Ele é muito sério”, atesta. “Nossa empresa tem rentabilidade com tudo isso. Quanto mais mostrarmos que a construção pode ser diferente, melhor”, finaliza.

A cerimônia da 31ª edição do Prêmio Eco acontecerá no próximo dia 09/12, na Amcham-São Paulo. O encontro terá palestra de Robert Eccles, professor de Harvard especialista em sustentabilidade. Veja como participar aqui.

registrado em: