Diversidade empresarial vai muito além da ‘imagem positiva’: é estratégia que gera retorno

publicado 10/09/2020 16h19, última modificação 14/09/2020 14h35
Brasil – Empresas que entregam resultados são também plurais
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Estudos apontam que empresas que incentivam a diversidade estão mais propensas a terem retorno financeiro acima da média nacional

No universo empresarial, os “inclassificáveis” de Ney Matogrosso são a chave para melhores negócios. A diversidade empresarial é, para além da imagem positiva, estratégia que gera rentabilidade. Segundo um estudo global feito em 2017 pela consultoria McKinsey, empresas que incentivam a diversidade de gênero, raça e cultura estão mais propensas a terem retorno financeiro acima da média nacional de sua indústria em 21% e 33%, respectivamente

“É o melhor e mais eficiente a ser feito. Empresas que promovem a diversidade são empresas que inovam mais, produzem mais e são mais lucrativas”, afirmou Cassiana Fernandez, Brazil Chief Economist da JP Morgan, durante o nosso WebFórum de Diversidade e Inclusão: ‘Quando os padrões são desafiados, o mundo parece um novo lugar’, nos dias 01, 02, 03 e 04 de setembro. Na visão da executiva, não basta atrair a diversidade, é preciso incluir toda a organização no debate.  

Durante a primeira semana de setembro, diversas pessoas do mundo corporativo discutiram a diversidade sob a ótica de mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência e outros grupos em quatro painéis. Confira as principais considerações da semana:

 

ONDE TUDO COMEÇA 

No que diz respeito ao envolvimento, é preciso que a alta liderança também se engaje no assunto, porque diversidade e inclusão são assuntos estratégicos. “Essa não é apenas uma questão de recursos humanos, é da organização como um todo e também dos líderes”, explica Edvaldo Vieira, Diretor de Operações da Amil.

O envolvimento das lideranças com a diversidade é peça-chave para organizações de sucesso. “Gosto de atuar de forma conjunta com o RH desde o começo”, declara Luiza Helena Trajano, fundadora da Magazine Luiza. Por isso, Edvaldo lembra que entender o assunto é importante e para isso é preciso treinar principalmente os gestores. 

Desenvolver habilidades de diversidade e inclusão, diferente do que a expressão “soft skills” sugere, é uma tarefa bastante difícil, segundo Barbara Galvão, head de Diversidade e Inclusão da Uber Brasil. Na visão dela, toda decisão é uma decisão de negócio, e toda decisão é uma decisão de diversidade. “Eu ainda me surpreendo com pessoas que acreditam que esse é um tema simples”, manifesta.  

Assim, ela acredita que toda formação executiva e MBAs de quaisquer escolas precisam ter a diversidade como parte da agenda. Carlos Takahashi, CEO da BlackRock Brasil, concorda: “É importante os líderes serem inspiradores e o setor privado, sobretudo o financeiro, se engajar com causas de inclusão”. Para o representante nacional de uma das maiores gestoras de investimentos do mundo, o resultado financeiro das companhias deve ser resultado de boas práticas.   

 

ESTRATÉGIA COM FOCO 

Ainda que a diversidade englobe diferentes grupos em particular na luta pela inclusão, não existe uma concorrência. “À medida que você avança discussões de equidade de gênero, por exemplo, a diversidade passa a fazer parte do DNA e da cultura da empresa, tornando mais fácil avançar com políticas para negros, PCDs, LGBT”, avalia Liel Miranda, Presidente da Mondelez.  

Enxergar o tema como um todo e criar comitês de afinidade para cada categoria minoritária dentro das empresas é um bom passo inicial, mas é preciso estar atento às particularidades. Sendo assim, Andreia Dutra, Presidente da Sodexo On-site Brasil, cita um exemplo: “Precisamos também trabalhar a questão da intersexualidade e enxergar a mulher em seus diferentes enfoques: negra, LGBTI+, refugiada, PcD”.  

No caso de Pessoas com Deficiência (PcDs), a atenção aos detalhes para formular uma boa estratégia é ainda mais importante. “Mesmo as grandes empresas que estão há muito tempo nessa jornada não estão prontas para todas as situações, porque as deficiências não são as mesmas”, expressa Adriana Ferreira, líder de diversidade e inclusão na IBM, integrante do painel ‘Pessoas com Deficiência’.  

Carolina Ignarra, fundadora da Talento Incluir, completa aconselhando que o grande desafio da diversidade é que, para elaborar políticas efetivas e métodos de ação, é preciso aprender muitas vezes o que não se sabe. “Eu posso julgar que o ambiente onde trabalho está absolutamente acessível para determinado tipo de deficiência, mas eu me deparo de repente com impasses”, esclarece Adriana.  

Andreia conclui então que a diversidade não é simples, é, na verdade, uma jornada. Embora existam organizações referência no tema, ainda há muitas empresas para serem engajadas e se envolverem em debates como o racial, por exemplo, segundo Liliane Rocha, CEO da Gestão Kairós. “Temos ilhas de vanguarda, mas, se olharmos todo universo, acho que ainda temos muito a caminhar”, analisa a executiva.  “Diversidade é negócio e nós precisamos tê-la como parte do business”, finaliza Andreia.  

 

SEM PERDER O RITMO

Ainda que a pandemia tenha trazido desafios em outros temas além da diversidade para as empresas, Barbara acredita que o momento serviu para que as organizações se enxergassem ainda mais como parte da sociedade. “Vejo dois movimentos: um de grandes aprendizados para empresas que se distanciavam da sociedade e o de empresas que se viam como parte da sociedade intensificando suas práticas sociais”, observa.

Além disso, Luiza não enxerga os desafios em outras áreas – a financeira, por exemplo – como um motivo para as companhias perderem o ritmo no tema da inclusão. “Sinto que houve um despertar da consciência em muitos assuntos sobre diversidade durante a pandemia”. Carlos concorda, mas pondera: “A diversidade de uma forma ampla ainda precisa de avanços relevantes, como, por exemplo, na questão etária”.

O acontecimento mais relevante e que acendeu o debate sobre diversidade durante a pandemia foi o caso de George Floyd nos EUA. Isso porque, embora desconectado do mercado, organizações passaram a se manifestar sobre o tema nas redes sociais. “A pandemia nos traz espaços de reflexão sobre a questão racial, mas não teria trazido algo que gerasse ação se não tivéssemos o acontecimento do George Floyd”, evidencia Liliane. 

 

Acesse abaixo a Playlist com as íntegras do Fórum de Diversidade e Inclusão 2020 da Amcham Brasil.

 

 COMO TRAZER DIVERSIDADE PARA O NEGÓCIO?

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O QUE SÃO OS FÓRUNS? 

São grandes encontros com conteúdo corporativo, focados na evolução e transformação das lideranças. Por ano, são quase de dois mil eventos realizados com 90 mil executivos participantes. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais em atividades digitais. 

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