Empresas explicam por quê suas gestões ganharam o Prêmio Eco 2013

publicado 21/02/2014 13h57, última modificação 21/02/2014 13h57
São Paulo – Tetra Pak, HP, Schneider Electric e Beraca abrem suas estratégias para vencer na categoria ELIS
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Uma participação sem vitória, no Prêmio Eco de 2008, estimulou a HP a faturar o troféu da premiação cinco anos depois, na última edição, em dezembro 2013. A empresa de TI, uma das maiores do mundo, venceu na modalidade ELIS (Estratégia, Liderança, Inovação e Sustentabilidade), por ter um modelo empresarial que reduziu o consumo de energia e emissões de CO2 em até 8% (leia mais aqui).

“Em 2008, vi que havia dois gaps: não tínhamos um comitê para cuidar formalmente do assunto e precisávamos saber como faríamos isso com todos os funcionários”, recorda Valéria Rossetti, gerente de Sustentabilidade.

Ela e executivos da Tetra Pak, Beraca e Schneider Electric participaram do Seminário Sustentabilidade, da Amcham, quinta-feira (20/02), para compartilhar o que fez essas empresas serem campeãs no assunto. O evento apresentou ainda uma análise dos pontos em comum na gestão dos vencedores do Prêmio Eco nos últimos três anos (leia mais aqui).

Atualmente, todos os processos da HP consideram os conceitos sustentáveis. “Qualquer produto, hoje, nós conseguimos reciclar,” exemplifica. Isso inclui cartuchos de tintas, impressoras, computadores e até as embalagens para seus produtos, num processo meticuloso de logística reversa.

“Todo o desenvolvimento de qualquer produto acontece com menos material possível ou mais recicláveis. Os produtos, hoje, são 50% mais eficientes que antigamente”, conta. “Construímos plataformas de funcionários voluntários que nos ajudam em todos os escritórios. A gente entende sustentabilidade como parte integrante do negócio”, comenta.

Beraca

Uma definição própria do conceito de sustentabilidade revela o segredo da Beraca, maior fabricante de ingredientes para a indústria de cosméticos a partir da biodiversidade brasileira. “Sustentabilidade, para nós, é relacionamento a longo prazo”, define Thiago Terada, gerente de Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade da Beraca.

A empresa venceu na modalidade ELIS para empresa de pequeno e médio porte, pela gestão que envolve toda a cadeia de valor do negócio, com enfoque em economia verde e capacitação das comunidades de extrativistas em estados do Norte do país (leia mais aqui).

Ele explica que, por serem de longo prazo e não pautadas em objetivos imediatistas, as relações são de respeito e de ganho para ambas as partes. “Não é filantropia, mas um projeto de negócio”, diz.

Para ele, a empresa ganhou o prêmio basicamente por três fatores: modelo de negócio e gestão baseados na sustentabilidade e inovação, desenvolvimento de economia verde inclusiva e relações não apenas comerciais, e liderança e pioneirismo em assuntos relacionados à sustentabilidade.

Tetra Pak

A gerente de Relações Institucionais da Tetra Pak, Daniela Rodrigues Alves, cita uma frase do fundador da companhia, Ruben Rausing, para resumir o posicionamento da empresa: “uma embalagem deve economizar mais do que custa”.

Já na década de 50, o sueco dizia que se deveria ter visão de longo prazo e reduzir o consumo de recursos, pensando nos longos 80 anos necessários para uma árvore crescer a ponto de corte para a produção de papel e celulose, àquela época, na Suécia, onde o negócio foi fundado.

A premissa norteou a gestão da empresa, ganhadora do Prêmio Eco na modalidade ELIS, em 2013 (leia mais aqui).

Essa gestão é voltada para toda a cadeia de valor, o que inclui os catadores de recicláveis. A companhia faz a capacitação desses profissionais com programas itinerantes sobre reciclagem, ação que a colocou como uma das líderes na execução da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), que prevê a logística reversa e responsabiliza as empresas pelo retorno de seus produtos descartados.

“Por isso, hoje, todo novo produto que desenvolvemos, num processo que leva cinco anos, tem de gastar menos material que os demais”, enfatiza Daniela. Ela ressalta, ainda, o uso do plástico verde da Braskem nas embalagens longa vida, o que favorece a economia de recursos.

Há três pontos essenciais que fizeram a empresa chegar a esse ponto e ser premiada, avalia a executiva: cultura de visão de longo prazo, geração de valor em toda a cadeia e engajamento com todos os stakeholders, inclusive clientes e catadores.

Schneider Electric

Com mais de 170 anos de fundação e há 65 anos no Brasil, a Schneider Electric venceu o Prêmio Eco nas modalidades ELIS e Práticas, em 2013. Os troféus foram tanto pela gestão sustentável quanto pelo projeto Villa Smart, que levou energia 24h a duas comunidades ribeirinhas no Amazonas (leia mais aqui).

“Sustentabilidade é um conceito antigo para nós, uma questão de sobrevivência. A gente se reinventa constantemente”, afirma Denise Lana Molina, gerente de Sustentabilidade da empresa de gestão de energia.

O posicionamento da companhia se baseia em dois pilares: ajudar aos clientes a consumirem menos ou de forma mais produtiva e levar energia a comunidades que não têm acesso ao recurso. “Trabalhamos isso como estratégia de negócio”, explica.

Para atingir esses objetivos, a empresa investe 5% do faturamento, que foi de € 24 bilhões, em 2012, em P&D. O foco são fontes renováveis, com o papel de garantir a eficiência máxima.

“Isso mostra como a sustentabilidade deixa de ser um departamento ou projeto e passa a fazer parte de tudo o que nós fazemos”, destaca.

A empresa age dessa forma e consegue chegar aos resultados obtidos, avalia a executiva, por três motivos fundamentais: executar tudo o que tem de ser realizado, ter dobrado o tamanho em dois anos (em faturamento e em funcionários) e ter envolvimento de todos os profissionais.

“As pessoas são tão engajadas que a área de sustentabilidade ‘perdeu o controle’ e o conceito está em todos os setores e atividades”, declara.

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