Empresas sustentáveis têm mais facilidade de obter crédito, indica gerente do Banco Mundial

publicado 11/12/2015 14h48, última modificação 11/12/2015 14h48
São Paulo – Hector Gomez afirma que essas empresas reduzem riscos, respeitam regras e usam melhor os recursos
hector-gomez-ang-2923.html

Em longo prazo, empresas que praticam responsabilidade socioambiental dão mais retorno financeiro porque minimizam riscos, respeitam leis e agridem menos o meio ambiente. Esses foram os argumentos usados por Hector Gomez Ang, gerente geral do IFC (divisão de investimentos privados do Banco Mundial) no Brasil, para explicar a dominância de critérios sustentáveis nas análises de investimento do banco em que atua.

“Nós não financiamos uma empresa porque ela é sustentável, mas sim por ela ser rentável. Em longo prazo, uma empresa sustentável tem uma taxa de retorno que chega a ser 3 pontos percentuais maior do que a de uma concorrente não sustentável”, disse Ang, na cerimônia de entrega dos troféus aos vencedores do Prêmio ECO de 2015 na Amcham – São Paulo, que aconteceu na noite de quinta-feira (10/12).

As empresas homenageadas da noite foram Citi Brasil, Greif, HP Brasil, Itaú-Unibanco, Novelis, Pontal Engenharia, Precon Engenharia, Quinta da Estância, Santander Brasil, Schneider Electric, Sinctronics e Tetra Pak. Ang parabenizou os vencedores e disse que, na hora de investir em uma empresa, o banco leva em conta o tipo de impacto dos projetos na comunidade.

“A visão que temos é que a sustentabilidade é um facilitador que permite aos diferentes públicos chave da empresa (acionistas, parceiros e clientes) dar o maior retorno possível à sociedade, seja com preservação de recursos, manutenção do estado de direito e contribuição contínua dos acionistas em longo prazo”, assinala.

Ang disse que há vários critérios de avaliação da sustentabilidade, mas a gestão de risco e impactos ambientais são as principais ferramentas do banco para identificar e avaliar o compromisso de uma empresa com a sustentabilidade. Ele também admite que práticas sustentáveis custam dinheiro e tempo, uma vez que é preciso adequar práticas operacionais e vencer resistências culturais.

O resultado é compensador, garante. “A lição mais importante que aprendemos como investidores é que não existem atalhos para atingir uma forma sustentável de fazer negócios. Pode ter coisas que vão dar resultados rapidamente, mas (a sustentabilidade empresarial) é uma maratona.”

Rhodia e Korin

Para Renato Boaventura, presidente da GBU Fibras, unidade de fios sintéticos do Grupo Solvay, e Reginaldo Morikawa, CEO da Korin, negócios sustentáveis dão retorno financeiro e de imagem. No caso da GBU Fibras, o fio sintético biodegradável criado no Brasil aumentou a inserção do país na cadeia global de inovação da companhia. “Participamos da indústria têxtil mundial com inovações brasileiras”, disse Boaventura. Em 2014, o fio têxtil biodegradável deu um ECO à Solvay.

Morikawa lembra que os frangos orgânicos da Korin eram vistos com desconfiança e curiosidade no começo da empresa, na década de 1990. “Naquela época o consumidor de produtos naturais era chamado de ‘bicho grilo’, e hoje é chamado de ‘consciente’”, conta. Em 2012 e 2013, a Korin foi uma das vencedoras do Prêmio ECO.

O aumento das preocupações com qualidade de vida e respeito socioambiental foi determinante para a mudança de percepção do público, segundo Morikawa. “Foi uma evolução de conceitos que passou pela questão social e saúde, seguida da preservação ambiental e de como fazer para cruzar tudo com a sustentabilidade econômica. Nosso maior case foi conseguir isso”, resume.

O pioneirismo da Korin está sendo recompensado com as primeiras encomendas internacionais. “Conseguimos no ano passado um cliente em Hong Kong que encampou a ideia de (revender por lá) um frango criado sem antibióticos. Interessante que ele também quis a versão orgânica, tanto que seremos a primeira empresa brasileira a exportar esse produto.”

 

registrado em: