Ideias simples e apoio da gestão são essenciais para aproximar empresas de práticas sustentáveis

por giovanna publicado 17/02/2012 11h28, última modificação 17/02/2012 11h28
Recife – Olhar em volta da companhia ajuda no estabelecimento de boas parcerias para ações junto à comunidade

A implantação de práticas de sustentabilidade social e ambiental nas companhias só tem êxito quando ocorre engajamento direto da gestão, assegura Augusta Meireles, gerente administrativa da Itamaracá Transportes.

“Um gestor que acredite na ideia e esteja disposto a tocar o projeto é essencial para que iniciativas sustentáveis simples tenham sucesso nas empresas”, disse Augusta, que participou do comitê de Sustentabilidade da Amcham-Recife na quarta-feira (15/02).

Maria Amélia Bezerra, diretora de Marketing da Itamaracá Transportes, também esteve presente ao comitê da Amcham-Recife e indicou que um dos principais caminhos para companhias que desejam dar início a ações sustentáveis é olhar ao seu redor.

“Organizações da sociedade civil que se localizem no entorno da empresa podem ser grandes aliadas na hora de integrar ações sustentáveis a benefícios para a comunidade. Fizemos isso na Itamaracá e temos obtido bastante sucesso através de iniciativas simples”, contou Maria Amélia.

Case Itamaracá Transportes

Uma ação de sustentabilidade simples, de baixo custo e focada em engajar os funcionários da empresa. Assim pode ser descrito o Projeto Maracás, realizado pela Itamaracá Transportes.

“A iniciativa objetiva a mobilização e motivação das equipes, através de premiação para a coleta de recicláveis e outras práticas”, explica Maria Amélia. Os funcionários que realizam coleta de material reciclável, participam de capacitações ou fazem trabalho voluntário recebem a moeda interna chamada Maracá, conforme explicou a executiva.

Cada Maracá vale em média R$ 0,15 e pode ser trocado por prêmios. Bonés, garrafas térmicas, bolsas de viagem, liquidificadores, e até entradas para um parque de diversões em Recife estão na lista dos brindes. Esses prêmios recebem o selo de uma marca criada para o projeto, a “Grife Ita”.

O programa é voltado para todos os funcionários e também se estende a familiares que ajudam na linha de coleta em suas casas e na vizinhança.

Com um custo mensal em torno de R$ 750,00, o projeto representa, segundo Maria Amélia, uma forma de aproximar os funcionários das questões da sustentabilidade e fazer deles multiplicadores da informação na comunidade onde habitam. “Além disso, torna positiva a imagem da empresa junto aos usuários do serviço de transporte”, avaliou.

Ao ser perguntada sobre a possibilidade de uma quebra no engajamento se a moeda for extinta, ela mostra otimismo. “Muitas pessoas juntam os recicláveis com seus vizinhos e transportam quilos do material no ônibus, quando vêm para o trabalho. Caso a moeda Maracá deixe de existir, acredito que situações como essa deixem de acontecer, mas a coleta seletiva em casa fica para sempre”, analisou.

Resultados

O Projeto Maracás conta com participação de 710 dos 1.200 funcionários da Itamaracá Transportes. Desde o início de sua operação, em setembro de 2009, até dezembro de 2011 a arrecadação de material saltou de menos de uma tonelada para 2,5 toneladas mensais. Todo o material, após trocado pela moeda Maracá, é doado a uma associação da catadores, localizada no entorno da sede da Itamaracá, no município de Abreu e Lima.

Augusta avalia que a avaliação constante da repercussão do projeto dentro da empresa é uma das chaves para o sucesso dos Maracás.

 

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