Ideologia, engajamento e métricas são receita de empresas-referência em sustentabilidade

por andre_inohara — publicado 02/12/2011 17h18, última modificação 02/12/2011 17h18
São Paulo – Líderes de Natura, Fibria e Du Pont participaram de debate na cerimônia do Prêmio ECO 2011
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Os líderes de grandes empresas consideradas exemplares em práticas de sustentabilidade, Natura, Fibria e Du Pont, revelaram os fatores determinantes de seu sucesso na cerimônia de entrega do Prêmio ECO 2011 nesta sexta-feira (02/12) na Amcham-São Paulo.

Os gestores têm de atuar em três frentes: ideologia; engajamento, principalmente dos jovens; e métricas, usadas para mensurar o progresso dos projetos.

“É preciso morar, produzir e consumir sem estragar o planeta”, sintetizou Guilherme Leal, co-presidente do Conselho de Administração da Natura.

Leal se autodefiniu como um empreendedor movido pelo ideal de transformar o mundo, e esse é o espírito que ele procura disseminar entre os stakeholders da Natura. “Faltam utopias no mundo, movimentos de transformação que tragam novas formas de viver em harmonia. Isso é importante porque somos parte da biosfera.”

O presidente do Conselho de Administração da Fibria Papel e Celulose, José Luciano Penido, destacou que a liderança tem papel fundamental na disseminação da sustentabilidade. Para ele, atualmente, o trabalho de fomentar práticas de sustentabilidade está mais fácil do que no passado, já que as gerações atuais estão mais esclarecidas sobre a necessidade de equilíbrio entre resultados financeiros, preservação do meio ambiente e responsabilidade social.

“As novas gerações já nascem conscientizadas sobre esse tema. Os jovens que começam a trabalhar e os que estão assumindo postos de liderança estão cientes da escassez de recursos naturais”, observou.

Essa nova perspectiva, baseada na sustentabilidade, tem ajudado as empresas a desenvolverem inovação e diferenciais competitivos.

“Os jovens que já têm essa conscientização se engajam com mais facilidade no processo de tornar a empresa mais competitiva”, afirmou Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham.

O esforço dessas companhias para conciliar as necessidades de curto, médio e longo prazos à estratégia de inovar em sustentabilidade e à lógica de resultados foi elogiado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) e moderador do debate, Jacques Marcovitch.

“É preciso reverenciar as companhias que estão construindo o  futuro, reconciliando o tempo do falcão, que representa a rapidez e o ataque, ao da coruja, que significa a sabedoria”, ilustrou.

Mensuração de desempenho

Wanick destacou que as empresas estão avançando na mensuração das práticas de sustentabilidade. “Hoje, vigora no mundo uma convicção de que só se engaja em aquilo que se mede. Na DuPont, medimos tudo, como a redução da emissão de gases de efeito estufa e o consumo de água e energia”, assinalou.

Mas nem tudo pode ser focado em métricas. ”Um foco exagerado em métricas quase afundou nosso tripé da sustentabilidade (econômico, social e ambiental)”, afirmou Wanick. Ele alertou que os excessos de mensuração podem engessar as transformações necessárias ao negócio.

Atualmente, a Du Pont considera a sustentabilidade em seus projetos de inovação, visando eliminar o desperdício de recursos naturais e garantir maior eficiência nos processos e produtos.

A Natura foi uma das pioneiras no uso de métricas ao aderir, em 2000, à Global Reporting Initiative (GRI), que agrega indicadores internacionais de desempenho social, ambiental e econômico.

Esse trabalho foi aperfeiçoado em 2004, quando a Natura abriu o capital, devido à necessidade de prestar contas aos acionistas e à sociedade. “Fazemos uma gestão efetiva desses indicadores”, afirmou Leal.

Respeito à sociedade

Os novos projetos das empresas se voltam a aprofundar o respeito à sociedade, indicaram os representantes de DuPont, Natura e Fibria. “As empresas devem se preocupar com o cliente maior, que é a sociedade”, assinalou Guilherme Leal.

Os planos da fabricante de cosméticos são criar novas cadeias de produção sustentáveis na Amazônia a partir de 2012, agregando mais pesquisa e tecnologia, revelou Leal. “Queremos mostrar que a floresta e sua biodiversidade valem e têm mais a oferecer do que madeira queimada.”

A Fibria, do segmento de papel e celulose, está trabalhando em um projeto de assentamento rural em parceria com Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e governo do Estado da Bahia. O projeto será realizado em uma área de 10 mil hectares, com base na agricultura familiar e foco na educação. “Queremos ensinar aos jovens do MST como usar ciência e educação para desarmar um antagonismo desnecessário”, adiantou Penido.

A DuPont está investindo em soluções inovadoras em benefício de comunidades, a exemplo do seu case de sucesso no Chile. Há alguns anos, a produção de salmão estava ameaçada no país andino, uma vez que, para cada quilo de salmão criado em cativeiro, eram necessários quatro quilos e meio de peixes selvagens para sua alimentação.

Esse modelo de negócio se mostrou insustentável, pois colocava em risco o sustento das comunidades de pequenos pescadores que dependiam da coleta desses animais. Mas, após anos de pesquisa, a DuPont desenvolveu uma ração para salmão rica em ômega 3, baseada em uma fermentação diferenciada de açúcar. Isso assegurou a viabilidade do negócio da pesca nas comunidades.

 

Leia aqui a relação de empresas vencedoras do Prêmio ECO 2011.

 

Nota da Redação: a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, cancelou sua vinda a São Paulo para participar do Prêmio ECO 2011 em função de compromissos oficiais imprevistos.

 

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