Maior necessidade da economia verde é conscientizar os indivíduos, diz economista

por marcel_gugoni — publicado 15/03/2012 10h27, última modificação 15/03/2012 10h27
São Paulo - Mudança nos padrões de consumo é passo-chave para deixar os debates sobre sustentabilidade para a prática
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Sustentabilidade já é um conceito aplicado no dia-a-dia de várias empresas. Da mesma forma, o avanço tecnológico permite a produção de bens de consumo e de energia verdes, ambientalmente corretos. Mas o modo como muitas pessoas ainda lidam com essa questão, em meio a uma ótica consumista, continua sendo um entrave à maior disseminação das práticas de sustentabilidade. Só o avanço tecnológico ou os esforços pontuais de empresas não vão resolver: as pessoas é que têm que se conscientizar.

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A economista Tarcila Reis Ursini, sócia fundadora da consultoria Angatu Consultoria em Estratégia para a Sustentabilidade, afirma que é hora de “trabalhar a questão da consciência do indivíduo” para avançar em termos de sustentabilidade. “Temos que mudar, sim, os padrões de consumo e repensar nosso modo de vida.”

Tarcila é consultora do Prêmio Eco, uma iniciativa da Amcham que neste ano completa 30 anos de existência reconhecendo iniciativas inovadoras e estratégias de sucesso neste tema. “Não dá mais para ficar só discutindo acordo e protocolo. Queremos sair para a prática, criar mecanismos de regulação e diferenciação para que esse debate possa avançar.”

Segundo ela, a sociedade tem que “caminhar a passos mais largos para avançar em temas prioritários como no caso da economia verde, que tenha pouca emissão de carbono, que seja eficiente no uso de recursos naturais e que seja socialmente inclusiva”.

“Hoje, o mainstream da economia está reconhecendo essa visão que não era considerada alguns anos atrás e incorporando [a sustentabilidade] em seus discursos”, afirma.

Mudança corporativa

Empresas já perceberam que não é só o lucro que garante o sucesso de uma companhia – usar energia renovável, reciclar materiais que antes seriam destinados ao lixo e tratar bem seus funcionários são medidas que podem dar mais retorno, no longo prazo, do que simplesmente atingir uma meta mensal de vendas.

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Dados de 2011 da própria Amcham mostram que mais da metade das companhias no Brasil (57%) já tem a sustentabilidade incorporada às suas operações de forma abrangente. Para 20% das empresas, a sustentabilidade é um driver essencial para suas atividades, a ponto de terem modificado de forma significativa seu negócio, desenvolvendo novos produtos e processos. Outras 37% já estão envolvidas com o tema, possuem políticas e práticas de sustentabilidade e buscam integrar esses conceitos aos principais processos de negócios.

“A grande maioria das empresas líderes em seus segmentos já tem uma gestão de inovação. São empresas de ponta, independentemente do porte, que já incorporaram a sustentabilidade no seu dia a dia de práticas de gestão”, analisa ela. “É a hora de a gente chamar os economistas para medir [os impactos das medidas ambientalmente sustentáveis] e criar mecanismos de mercado para que possamos gerenciar toda a sociedade.”

A economista diz que só desenvolver tecnologias verdes não é suficiente. “É ideal ter uma gestão eficiente em termos de uso de recursos naturais, que é pouco intensiva em carbono e socialmente inclusiva. Isso é altamente necessário, mas não é suficiente.”

Bons exemplos

Os exemplos devem vir do dia-a-dia dos indivíduos. E as políticas públicas – isto é, a atuação dos governos – para o tema também devem abarcar a esfera individual. “O Brasil vem crescendo como economia, mas esse modelo que olha para o indivíduo apenas como consumidor do mercado está ultrapassado”, critica.

“A qualidade da educação precisa melhorar. No Brasil, quando todo o mundo já fala de energia renovável, ainda falamos de pré-sal. Ao mesmo tempo, nossa ‘galinha dos ovos de ouro’, que é a Amazônia e o Cerrado, está sendo destruída.”

Segundo ela, o Prêmio Eco é o melhor exemplo para mostrar quais são as boas práticas e quem realmente está na vanguarda, quem faz a diferença. “Nossa grande missão é capturar essas melhores práticas e induzir comportamentos à medida que os critérios estão alinhados com o que mais novo há de temas em sustentabilidade. Temos que promover essas melhores práticas para que elas possam ser multiplicadas na sociedade.”

“E há como discutir negócios de economia com a biodiversidade, bolsões de comércio justo e outras formas de atuar que possam ser significantes nessa nova economia, que sejam verdes, inclusivas e responsáveis”, afirma. “O futuro é agora.”

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