Não é só cumprir a lei. Consumidores querem que as empresas cuidem das pessoas, diz empresária

publicado 26/08/2019 12h20, última modificação 26/08/2019 12h20
Curitiba – Maitê Rodrigues (Tecnotam e Be Back) defende que empresas se responsabilizem pelos resíduos
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Crédito: Freepik

Quando se trata de sustentabilidade, o compromisso socioambiental das empresas não termina depois que o produto é comprado, acredita Maitê Rodrigues, consultora técnica da recicladora Tecnotam e co-fundadora da startup Be Back. “Os consumidores têm a expectativa que as empresas façam mais do que a legislação exige, cuidando das pessoas e da sociedade”, disse, no nosso comitê de Sustentabilidade em Curitiba, em 8/8.

As empresas também têm responsabilidade em relação ao descarte correto dos produtos e matérias-primas. “O que faz as empresas pensarem que depois de vender seus produtos o problema não é mais delas?”, indaga.

Rodrigues citou o trabalho da Tecnotam, que coleta e recicla cerca de 4 mil embalagens industriais por ano. A proposta de valor, através da logística reversa, é não onerar custos e garantir a conformidade legal, destaca.

Mitos da sustentabilidade

Há alguns mitos da sustentabilidade empresarial que a FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) trabalha para desmistificar no estado: o de que é caro fazer, é só para grandes indústrias, complexo e não faz sentido para o negócio. Por tudo isso e também incentivar o uso de soluções inovadoras sustentáveis é que a FIEP lançou a Bússola da Sustentabilidade, levantamento do grau de maturidade das empresas em relação ao tema.

“Nossa indústria ainda é conservadora. Temos muitas oportunidades e um longo caminho para abordar a sustentabilidade intrinsicamente. Por isso, a Bússola da Sustentabilidade não é só pesquisa, mas um diálogo com a indústria”, disse Augusto Machado, coordenador da Bússola de Sustentabilidade da FIEP.

O primeiro estudo feito em 2017 revela que pouco menos da metade (46%) das indústrias paranaenses estão engajadas ou adotando práticas sustentáveis de inovação. Para Machado, a sustentabilidade é caminho sem volta. Mesmo que os programas de atuação socioambientais fiquem expostas a crises financeiras, são também uma forma de minimizar riscos corporativos. “A ação mais perigosa é se você parar”, observa.

A segunda edição do levantamento está em fase final de apuração e será divulgada nos próximos meses. A julgar pela quantidade de participantes, há um engajamento maior no assunto. A FIEP intensificou a mobilização online (visitas e palestras pelo estado) e obteve a participação de 362 empresas. Isso é mais que o dobro do primeiro levantamento (154).

Para a FIEP, a educação e qualificação progressiva são elementos fundamentais no desenvolvimento da competitividade. “Exercer o papel de interagir e dialogar configura-se como ambiente interno e isso é sustentabilidade. Desse modo, com o envolvimento de pessoas e melhoria da cultura organizacional, as empresas terão desempenho e resultado”, segundo Machado.

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