No caminho da sustentabilidade, empresas passam a inovar mais

por daniela publicado 03/06/2011 16h55, última modificação 03/06/2011 16h55
São Paulo – Responsabilidade socioambiental redefine o modelo de negócios, diz Tarcila Reis Ursini, consultora do Prêmio ECO
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A sustentabilidade está redefinindo a forma de atuação do mundo corporativo. Muitas companhias estão desenvolvendo estratégias baseadas na oferta de produtos e soluções inovadoras.  É o que avalia Tarcila Reis Ursini, consultora do Prêmio ECO da Amcham, que reconhece práticas empresariais sustentáveis há 29 anos.

“A transformação nos modelos de negócios é uma grande tendência. As empresas estão começando a se perguntar qual é o seu papel social”, disse Tarcila, durante Workshop de Sustentabilidade ocorrido nesta sexta-feira (03/06) na Amcham-São Paulo.

Uma indústria de petróleo, por exemplo, pode ampliar seu escopo para se tornar uma empresa de energia. Além dos combustíveis fósseis, pode passar a atuar também com energias renováveis e trabalhar melhor a conscientização de uso eficiente da energia, comentou.

Para a consultora, o entendimento de que é preciso evitar o consumo excessivo dos recursos naturais está chegando às estratégias corporativas. “O Wal-Mart nos Estados Unidos – maior rede varejista do mundo – está implantando uma série de práticas de sustentabilidade”, afirmou. Como mostram exemplos como esse, as grandes corporações começam a influenciar toda a cadeia de fornecedores e parceiros sobre a adoção de práticas de responsabilidade socioambiental.

“Os concorrentes e fornecedores seguirão essas práticas, gerando um ambiente onde as empresas serão obrigadas a mudar sua gestão”, observou.

Indutores

Tarcila identificou iniciativas surgidas nos últimos anos para estimular a adoção de modelos de sustentabilidade, entre elas as exigências regulatórias, compostas por leis e normas, e a autorregulação, de adesão voluntária.

No Brasil, duas iniciativas de autorregulação  se destacam entre as mais aplicadas. A primeira é a ISO 26000, normas sobre responsabilidade socioambiental. A outra é a GRI (Global Reporting Initiative), que defende a inclusão de relatórios de resultados sócioambientais nas demonstrações financeiras.

“Quanto mais integrados os demonstrativos financeiros e socioambientais em uma empresa, mais avançada se revelam as práticas de sustentabilidade”, considerou.

Case Natura

O workshop da Amcham contou com uma apresentação do case da Natura, companhia que tem um reconhecido histórico de soluções sustentáveis. Em 1983, lançou o sistema de refis de seus produtos (poupando embalagens); em 1987, trocou a frota de distribuição de São Paulo por veículos movidos a gás natural; e em 2001, fez uma avaliação profunda do ciclo de vida das embalagens. Em 2007, o programa carbono neutro veio para reforçar as ações da companhia.

A empresa consegue, atualmente, neutralizar todas as suas próprias emissões e as que são relativas à sua interação com a cadeia de parceiros e fornecedores. “Há um esforço muito grande nesse sentido e milhões em investimentos por ano”, disse  Aline de Oliveira, gerente de Sustentabilidade da Natura. Segundo ela, a Natura tem apoiado projetos de plantio que tenham também o viés dos benefícios sociais.

De acordo com Aline, em cerca de cinco anos, houve uma redução de 21% nas emissões de gases causadores do efeito estufa na Natura. Para isso, foram aplicados na produção álcool orgânico; vegetalização das fórmulas (redução de utilização de materiais fósseis); otimização das embalagens; reciclagem de materiais; e utilização de biopolímeros. Nos processos, a empresa passou a usar caldeiras flex (diferentes combustíveis), além de instalações e equipamentos visando a eficiência energética.

 

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