Skip to content. | Skip to navigation

O impacto do E do ESG na economia sob o olhar de lideranças da Cosan, KPMG e WayCarbon

publicado 28/04/2022 11h44, última modificação 02/05/2022 13h59
O segundo dia do Fórum ESG foi sobre: Sustentabilidade e Medidas em Direção ao Carbono Zero. Confira os principais insights e destaques do dia!
Fórum ESG Amacham - dia 2.png

Lideranças do setor privado discutem sobre a letra E do ESG no segundo dia do Fórum ESG 2022

"Não apenas os CNPJs farão a transformação ESG, mas também é uma prioridade para os CPFs", com essa fala, Deborah Vieitas relembra o primeiro dia do Fórum Amcham ESG, sigla essa que, segundo Deborah, representa o futuro e que gera oportunidades relevantes para o Brasil e para suas empresas.

O segundo dia do Fórum ESG foi dedicado à letra E de Environmental, que em português representa as ações e práticas Ambientais. Confira a seguir os principais destaques, insights e painelistas do dia! 

“A floresta vale muito mais em pé do que derrubada” Txai Suruí traz à pauta a importância da justiça climática

Quando falamos em ESG, entendemos que é possível fortalecer os recursos sustentáveis de formas economicamente viáveis, podendo agregar valor a uma companhia. Isso porque, a ESG se trata de uma proposta para uma empresa, um país e um mundo mais competitivo, menos desigual e mais verde, tornando a sustentabilidade algo possível, necessário e alcançável.

Com a proposta de conscientizar o país em prol de um mercado mais competitivo e com maior sustentabilidade social, a Amcham abriu espaço para que a Txai Suruí, do primeiro povo indígena a trabalhar com o mercado de carbono, conhecida pela luta contra o desmatamento e única brasileira e líder indígena a discursar na abertura da COP 26, que apresentou um contexto totalmente relevante acerca da sustentabilidade e do mercado.

Txai faz a seguinte indagação: "quem se importa com um futuro digno?”. A partir deste questionamento, ela complementa com a importância de nos preocuparmos com a justiça climática, que vai muito além da questão de controle de temperatura. Ela ainda prossegue com o questionamento sobre o futuro que almejamos. Txai diz que devemos repensar nossas ações do agora, para que possamos ter um futuro justo e igual para todos.

Vale ressaltar que a ESG não se trata de apenas sustentabilidade. Se todos os pilares não estiverem envolvidos, as mudanças serão imperceptíveis. Por isso, Txai afirma que o mundo, como um todo, necessita de mudanças radicais e não exclusivamente os povos indígenas, e se isso não ocorrer, todos sofrerão. Ela ainda continua dizendo que um mundo justo é composto por equidade de gênero, justiça climática e pelo combate ao racismo ambiental. Afinal, quem está disposto a se comprometer a construir um mundo melhor?

Txai reitera que é comum almejarmos um mundo melhor, mas é necessário que se faça o questionamento sobre quem de fato está comprometido com essa transformação. Embora não seja simples e seja uma construção difícil e demorada, repensar nossa relação com a sustentabilidade é extremamente necessário para controlar a crise climática, que além dos povos indígenas, afeta a todos.

 

Como setor privado tem lidado com os desafios ESG: um bate papo com Luis Henrique Guimarães, Malu Pinto e Paiva e Nelmara Arbex 

Para Nelmara Arbex, que abre o debate, as práticas empresariais ESG são as que vão definir como essa agenda deverá se mover no futuro.

Para Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan e membro do Conselho de Administração da Amcham Brasil, a pauta ESG não é um assunto novo e por isso acredita que as empresas devem sair somente do debate e partir para a ação. O CEO da Cosan faz um paralelo com o acidente do Exxon Valdez no Alasca, ocorrido há cerca de 30 anos e que trouxe uma preocupação latente das empresas quanto à segurança. Esse acidente, para ele, soou o alarme para todas as empresas sobre a necessidade da segurança de operação bem como dos funcionários.

A partir daí ele observa que houve uma imensa transformação com relação a números de fatalidades, acidentes com afastamentos, acidentes com atendimento de pronto socorro, entre outros. Guimarães faz um paralelo com o acidente e observa que a sociedade clama por assuntos fundamentais e muito caros para ela, como mudanças climáticas, matrizes energéticas, diversidade e inclusão, por exemplo. Ele observa que é responsabilidade das empresas assumir esse protagonismo.

 

“Precisamos partir para a ação”: a visão de Luis Henrique Guimarães sobre como implementar ESG na prática

Para Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan (Cosan, Rumo, Raízen, Compass, Move e Cosan Investimentos) é possível atrelar sustentabilidade e economia, mas para que isso ocorra, é preciso ter um processo de gestão aplicado, definindo objetivos de curto e longo prazo, capacitando pessoas, criando metas atreladas a questões de ESG para liderança, o que é fundamental para implantar de fato ESG nas empresas.

Guimarães ressalta que essa jornada não deve estar separada da estratégia da companhia, mas deve estar inserida no dia a dia das empresas, através também do gerenciamento das metas, inclusão e acompanhamento de indicadores, revisão e ajustes. 

Luis Henrique acredita que a sustentabilidade é alcançada através de questões fundamentais como segurança, cuidados com fornecedores, funcionários e programas de incentivos. Além, da transparência e visibilidade para o conselho e acionistas em geral, complementando que todas as conquistas dentro do ESG devem ser feitas em pequenos passos e com metas bem definidas.

 

Para Malu Pinto e Paiva, Brumadinho foi uma inflexão na vida da Vale

Entre os desafios da Vale, Malu Pinto e Paiva, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, cita a reparação e compensação para a tragédia de Brumadinho como a agenda prioritária para a empresa, e que trouxe questões ligadas à segurança, ao papel das pessoas como atores de centro do modelo e criação de um novo pacto com a sociedade.

A tragédia de Brumadinho disparou um processo de transformação cultural, onde houve a percepção de que é possível que haja a inserção do olhar social e ambiental em todas as políticas e todos os processos, produtos e relacionamentos, trazendo assim, a agenda ESG totalmente integrada ao negócio. Porém, segundo Malu, a inserção dessas políticas por si só não são capazes de mudar nada, sendo, nesse caso, a mudança da cultura empresarial fundamental.

Além de Brumadinho, a Vale tem como foco, a questão climática, com metas  já declaradas em 2020, a questão florestal com a restauração e preservação de florestas e a agenda social, que se faz necessária para que haja, além de sustentabilidade, vidas mais dignas no planeta. Nesse aspecto, a  Vale se compromete a contribuir para a retirada de 500 mil pessoas da pobreza até 2030. Além de metas de diversidade, incluindo a pauta indígena, gênero e raça.

Na prática, a Vale tem implementado ESG através de ações de governança em seu processo, divididos em governança geral - com metas compartilhadas com chairs e VPs da empresa - e com o fórum de mineração sustentável e fórum específico para questões climáticas.

 

“A sociedade observa sua empresa” o que os CEOs estão aprendendo para fazer a transição e implementar ESG em grandes ecossistemas

Questionado por Nelmara sobre como os CEOs podem implementar o ESG nas empresas, Luís Henrique responde que isso é possível por meio de um time alinhado, competente, diverso, com capacidade de execução e contemporaneidade. Ele ainda complementa que para traduzir os resultados que a empresa deve apresentar através do ESG, na Cosan fez a inclusão de um "novo E”  (representando a palavra “Economia”) no termo, o qual traduz os resultados econômicos alinhados às práticas sustentáveis.

Além disso, é necessário ter transparência: “não dá para se esconder atrás de relatórios, a mídia observa como sua empresa se comporta em todos os âmbitos, a sociedade observa sua empresa”, pondera o CEO da Cosan.

Para ele, para que seja possível implementar o ESG em uma empresa, independente do seu porte e/ou tamanho, é preciso adotar três medidas: escuta ativa, transparência e aprendizado. A escuta ativa, diz sobre entender os sinais e reduzir os ruídos, assim como a persistência e a consistência dos líderes são essenciais e devem estar incorporadas em suas pautas, tornando-se parte do cotidiano. Luis Henrique ainda afirma que sempre é possível começar a gerar a transformação para o planeta.

Neste mesmo bate-papo moderado por Nelmara Arbex, Malu Pinto e Paiva tem abertura para falar a respeito do mesmo questionamento e complementa com a seguinte fala: “Uma empresa deve ter competência e ação sistêmica e tomar isso como uma forma de pensar, como uma visão estratégica”. Além disso, “é necessária a construção conjunta desta visão sistêmica com os stakeholders. A empresa precisa ouvir e dialogar diretamente com a sociedade para encontrar maneiras de executar essa construção. Em algum momento isso deve ser absorvido pela empresa toda. É uma transformação cultural”.

Afinal, desenvolver todo esse repertório de competências contribui para geração de valor para todos. Malu ainda afirma: “Temos que ser capazes de desenvolver modelos de negócios favoráveis para todos: justo, consciente e sustentável. Que tragam resultados para todos.”

 

Qual deve ser o papel das organizações no futuro do meio ambiente?

Felipe Bittencourt, CEO da WayCarbon nos traz respostas acerca das mudanças climáticas e o papel das organizações no futuro do meio ambiente. Felipe inicia mencionando que o efeito estufa é primordial para a Terra e que, de fato, o problema não está nele, mas sim no seu agravamento, ocasionado pelo alto consumo de energia por meio de combustíveis fósseis e a grande concentração de CO2 na atmosfera. Ele ainda alerta que, essa degeneração climática é o fator responsável pelo estresse hídrico, seca, inundações, tempestades e perda de biodiversidades.

Para que os danos possam ser reduzidos ou revertidos, grande parte dos investidores tentam intervir para redução de carbono e melhora da sustentabilidade. Afinal, se não direcionarmos esforços para reverter esse cenário, sofreremos uma perda de cerca de 20% do PIB mundial a ser gasto para recuperar os problemas das mudanças climáticas. Vale ressaltar que esta cobrança por melhora é alta, e ela parte do governo, dos concorrentes, dos investidores e dos clientes.

Felipe destaca que a mudança do clima é uma realidade e o mercado está pressionando as empresas a mudar suas ações para que isso possa ser revertido. E, para que essa realidade seja transformada, ainda que gradualmente, ele apresenta dicas para que pequenas e médias empresas possam caminhar para uma economia de baixo carbono através os seguintes passos:

1- Conhecer o que é materialidade de acordo com seus stakeholders;

2- Caso emissão seja material, investigar seu impacto, ou seja, desenvolver um inventário de gases de efeito estufa;

3- Reduzir as emissões diretas e indiretas (ex: energia renovável);

4- Compensar as emissões residuais;

5- Reportar (relatório SUS, à grande empresa do cliente, ao consumidor final).

 

As mudanças climáticas não são mais apenas sobre o clima

Conselheira de Governança Climática do World Economic Forum, Ann Rosenberg relembra como a COP 26 foi um ponto de virada para uma série de mudanças que estamos enfrentando. Ann ressalta que o Brasil tem um papel muito importante na COP, porém, as empresas podem fazer com que isso melhore ainda mais. O que de fato ocorre é que, muitas vezes, não estamos implementando, de fato, a sustentabilidade nas nossas operações.

Devemos entender como as empresas estão se tornando sustentáveis e que atualmente, as mudanças climáticas não são mais apenas sobre o clima. Ann frisa que “a mudança climática é sobre emissão zero, sobre sua empresa, sobre como nós nos alimentamos, sobre nossos produtos.” Cada empresa tem uma responsabilidade nessa mudança.

Segundo ela, o relatório IPCC alerta que estamos muito longe de nos adaptar às mudanças climáticas e também ainda estamos distantes de exercer alguma mudança, nessa que é uma das maiores crises climáticas, já enfrentadas no mundo. A única solução para isso é que todas as empresas do mundo utilizem a tecnologia a seu favor e adotem medidas para a emissão zero de carbono. Ainda sim, é necessário fazer uma campanha global para que todos saibam quais ações devem ser executadas para que as empresas se tornem sustentáveis.

Para Ann, a redução e compensação são boas estratégias para tornar a sociedade um lugar mais igualitário.

Sendo assim, a Amcham objetiva seus esforços junto a grandes líderes com o intuito de transformar o mercado, reduzindo as desigualdades públicas e ambientais, visando formas de preservar o meio ambiente e reforçar oportunidades relevantes para o Brasil e países desenvolvidos a executarem as mesmas ações.

Por fim, vale ressaltar que a ESG não é uma restrição, mas sim uma oportunidade de viabilizar um futuro melhor, para economia e para o meio ambiente.

E para empresas que querem fazer a diferença no mercado e sobreviver ao futuro, a Amcham tem a 1º Trilha de Capacitação para fornecedores ESG, o primeiro programa completo de formação de executivos focado no desenvolvimento de parceiros e cadeia de suprimentos. Serão 12 encontros online para explanar sobre os princípios estratégicos da sigla que norteiam o futuro.

A Amcham liga. Se liga! Venha fazer parte de um grupo de mais de 4 mil empresas e 100 mil executivos que se relacionam e se capacitam com o objetivo de encontrar soluções para as necessidades corporativas do momento. Seja um associado Amcham Brasil!