Países esperam liderança e protagonismo do Brasil em sustentabilidade, afirma ex-ministra do Meio Ambiente

publicado 25/02/2019 10h28, última modificação 25/02/2019 16h32
São Paulo – Durante a 36ª cerimônia do Prêmio Eco, Izabella Teixeira lembrou do papel das empresas e sociedade dentro do tema
Izabella Teixeira Ex-Ministra do Meio Ambiente no Prêmio ECO.jpg

Nos últimos 50 anos, a população mundial duplicou, enquanto a extração de recursos naturais triplicou. O alerta de ambientalistas é que, a não ser que haja uma mudança radical na maneira em que a sociedade produz e consome, não haverá recursos naturais suficientes. Este foi o principal alerta dado pela bióloga e ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, durante a 36ª cerimônia do Prêmio Eco de sustentabilidade, realizada no dia 21/02. Durante sua participação no evento, Teixeira deixou reflexões sobre o papel do Brasil na nova economia mundial e nos desafios globais da sustentabilidade para os próximos anos.

 

Perspectivas para o Brasil

A ministra criticou a maneira como o debate sobre meio ambiente é tocado no Brasil. Tragédias como o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) e as mortes decorrentes de uma grande tempestade no Rio de Janeiro (RJ) mostram a necessidade de um debate mais maduro na área.

"As pessoas decidem declarar uma guerra ao licenciamento ambiental sem saber do que estão falando. O Brasil consegue modernizar marcos regulatórios, mas não consegue colocar dentro desses marcos as regras de licenciamento. Se o Estado concede, ele tem que fiscalizar, controlar, regular e ser dentro de uma coisa só. Mas, para isso, precisa de capital político e inteligência estratégica. Isso não é um material abundante no Brasil", criticou.

A ministra lembrou que a comunidade internacional espera do Brasil soluções e liderança dentro do debate da sustentabilidade. Para ela, isso depende muito de um setor produtivo inovador e responsável e de uma sociedade que pressiona por mudanças de comportamento. Ou seja, é preciso reconhecer a importância da riqueza do país – sem trata-lo como um “estoque” de recursos naturais. Essa riqueza, ela também lembra, tem relação com a diversidade de pessoas. “Precisamos estampar a economia sustentável como ativo político. As pessoas esperam do Brasil mais soluções e liderança, dessa sociedade diversa: é ela que traz o jeito mais feliz de ser. E não deixem que ninguém reduza o Brasil ao rosa ou azul. Nós somos o arco-íris”.

 

Sustentabilidade no mundo

O mundo sabe que está se transformando - e que um dos principais aspectos é a relação entre o homem e a natureza. O crescimento econômico será cada vez mais pautado na sustentabilidade simplesmente porque depende disso: não há recursos naturais disponíveis no mundo se não mudarmos a maneira de produzir e crescer economicamente. O debate está intrínseco no cenário global, apesar dos acenos negativos de alguns governantes, ela garante. Entre os temas mais discutidos em fórum e mesas de negociação são segurança climática, alimentar e de serviços ambientais, descarbonização da economia e integridade humana.

"Independentemente da vontade dos governos, o setor financeiro, produtivo e a sociedade tem o poder de determinar para onde vamos. Então não se apequenem ou se amedrontem com decisões de governantes como o de Donald Trump [Presidente dos EUA] falando que vai desembarcar do acordo de Paris. Não tem um fórum internacional em que os Estados Unidos estejam ausentes, eles estão na mesa negociando. Mesmo com a Europa passando por reconfigurações geopolíticas, existem alianças se formando com a Ásia em redor de mudança do clima", exemplifica.

 

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Prêmio Eco

A ex-ministra aproveitou a ocasião para reconhecer a importância do Prêmio Eco. “Por isso tem sentido os prêmios hoje aqui. Não é pra colocar na prateleira e esquecer. É como o Oscar: você coloca e se orgulha para o resto da vida. Você carrega isso: tem que olhar para esses prêmios como um legado político”, indicou.

Durante a premiação, Luiz Pretti, Presidente do Conselho da Amcham, lembrou do propósito do Prêmio Eco e da sua relação com a história da Amcham. “Transformamos empresas e pessoas em protagonistas do seu próprio futuro. O Prêmio ECO, inclusive, é uma prova disso. Ele nasceu, há 36 anos, e se desenvolveu ao mesmo tempo em que o conceito da sustentabilidade começava a engatinhar no Brasil e no mundo. O Prêmio Eco se impôs como uma necessidade do planeta, e necessita engajar cada vez mais as esferas governamental, social e empresarial. São 36 anos contínuos de reconhecimento de empresas que avançam nos temas da sustentabilidade. Iniciativas que envolvem também temas atuais como: combate a corrupção, diversidade, ética nos negócios, eco eficiência, gestão de resíduos, inovação e outras”, declarou em seu discurso.

 

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