Prêmio ECO reconhece processos inovadores da Fibria, C&A, CPFL, Santander e 3M

publicado 06/12/2017 19h24, última modificação 08/12/2017 15h15
São Paulo – Mais oito empresas conquistaram a premiação da categoria; cerimonia será em 13/12

A 35ª edição do Prêmio ECO reconheceu 13 empresas como tendo as iniciativas mais inovadoras em 2017. Na categoria Empresas de Grande Porte, a Modalidade Práticas de Sustentabilidade – Processos, as dez premiadas foram Celulose Irani, Flextronics, Duratex, C&A, Fibria Celulose, CPFL Energias Renováveis, Monsanto, Banco Santander e 3M.

A Reservas Votorantim e FLV Comércio de Hortifruti foram os ganhadores da categoria Pequeno e Médio Porte, enquanto a Eco Panplas foi a representante das Microempresas/Startups.

A cerimônia de premiação acontece em 13/12 na Amcham – São Paulo. Veja abaixo as práticas sustentáveis das empresas ganhadoras:

Grande Porte

Celulose Irani – Separação consciente de sobras

A reciclagem do plástico encontrado nas aparas (sobras) de papelão ondulado da Celulose Irani deu um Prêmio ECO à empresa. O reaproveitamento dos restos de papelão fabricado, que era dificultado pela mistura do plástico com a fibra de papel, ficou mais eficiente depois que a empresa fechou parcerias para melhorar a lavagem e separação dos resíduos. Para o projeto, a Irani construiu a primeira planta de reciclagem de plástico dentro de uma indústria de papel.

A fábrica processa 100 toneladas por mês e emprega seis pessoas, gerando receita de 14 mil reais. No aspecto econômico, a reciclagem recuperou 1 tonelada de fibra em 2016, o equivalente a 780 mil reais em matéria-prima. Do ponto de vista ambiental, a Irani deixou de enviar 928 toneladas de aparas de plásticos para aterros e evitou a emissão de 37 toneladas de gás carbônico por ano.

Flextronics – Reciclando oportunidades

A empresa de logística reversa Flextronics foi uma das ganhadoras do ECO ao reciclar uma resina plástica de alta qualidade e resistência – o ABS – a partir de equipamentos eletrônicos descartados. O ABS é o plástico mais usado em produtos como celulares, eletrodomésticos e instrumentos musicais. Também passou a ser amplamente empregado em impressões de protótipos em 3D.

O filamento plástico pode ser vendido à indústria e também para uso em protótipos. “Se a impressão 3D já era uma descoberta transformadora, essa impressão sem os prejuízos da extração é ainda mais positiva para a sociedade e o meio ambiente”, de acordo com a Flextronics.

Duratex – Economia de água

A Duratex ganhou um Prêmio ECO pela tecnologia que regula o fluxo de água dos metais sanitários (torneiras, chuveiros, misturadores e registros de pressão) da linha Deca e evita o desperdício. Por meio de um dispositivo interno que se adapta ao metal sanitário, a vazão de água se mantém constante e maximiza a economia de uso. O diferencial da tecnologia é justamente a de oferecer fluxo constante de água independente do equipamento, segundo a Duratex.

Como há muitos produtos importados no mercado, as pressões são variadas e o equipamento pode funcionar mal – ou não funcionar – em determinadas situações. Ainda de acordo com a empresa, a solução garante redução de até 40% do consumo diário de água nas edificações e deve ser aplicada em 90% do portfólio de metais sanitários da Deca.

C&A – Vestindo a camisa

A C&A Modas venceu o Prêmio ECO de 2017 com dois projetos: Algodão mais Sustentável (categoria Produtos ou Serviços) e Rede de Fornecimento Sustentável (Processos). Até 2020, a multinacional holandesa de moda assumiu o compromisso global de vender somente produtos feitos a partir de algodão orgânico certificado, assim como trabalhar com fornecedores que praticam sustentabilidade.

Como o algodão é umas das culturas que mais consomem água no plantio, a empresa optou por variedades orgânicas, que demandam menos água e pesticidas. Em 2016, 53% dos produtos de algodão comercializados no mundo pela C&A eram de origem mais sustentável – o que contribuiu para a companhia reduzir sua pegada hídrica em 29%.

Na categoria Processos, a C&A foi reconhecida pelo trabalho de monitoramento da sustentabilidade dentro da sua cadeia de fornecedores. Ela é formada por mais de 100 mil trabalhadores, segundo a companhia. “A monitoria é feita periodicamente pela C&A para garantir a integridade da fabricação dos produtos, respeito às condições e direitos trabalhistas e o menor impacto ambiental possível”, segundo a varejista.

Fibria Celulose – Plantando responsabilidade

A Fibria Celulose venceu o ECO de 2017 com o Programa Suprimentos Sustentáveis. Para disseminar práticas sustentáveis na cadeia de papel e celulose, a Fibria usa critérios ambientais e sociais na escolha da sua rede de fornecedores. Isso inclui respeito ao manejo dos plantios, gestão de práticas trabalhistas e de direitos humanos.

Segundo a Fibria, desenvolver fornecedores sustentáveis reduziu custos e minimizou repercussões negativas causadas direta ou indiretamente pelas operações da companhia. Os critérios de exigência também contribuíram para qualificar os fornecedores, que se tornaram mais competitivos. Com isso, chegaram a conquistar novos mercados e reduziram a dependência financeira em relação à Fibria.

CPFL Energias Renováveis – Água limpa no semiárido

Com um projeto de segurança hídrica no Rio Grande do Norte, a CPFL Energias Renováveis foi uma das ganhadoras do ECO 2017. O programa é feito em parceria com o governo potiguar e beneficia cerca de 800 famílias que moram em nove comunidades rurais do semiárido nordestino, garantindo acesso à água para consumo e produção.

As famílias beneficiadas pelo projeto são pequenos agricultores de assentamentos rurais que vivem em uma região onde a água disponível é salinizada e subterrânea. O projeto envolve a instalação de sistemas de tratamento para abastecimento e irrigação, além de capacitação técnica dos moradores em relação ao uso do recurso. As soluções técnicas e gerenciais aprendidas servirão para sugerir ações públicas e privadas no semiárido nordestino, segundo a CPFL.

Queiroz Galvão – Engenharia que preserva

A Construtora Queiroz Galvão foi uma das vencedoras do ECO 2017 com a iniciativa de preservação ambiental nas obras de duplicação da Rodovia dos Tamoios (SP-099) no trecho Paraibuna – Caraguatatuba. Como a rota passa por uma área de conservação ambiental, a construtora usou um teleférico para transportar operários e materiais de construção.

O teleférico montado entre duas torres se movimentava por centenas de metros e transportava até 20 toneladas. Seu uso evitou a abertura de trilhas de serviço na região e, com isso, minimizou a derrubada de cobertura vegetal. Além da preservação, a operação gerou uma economia de 300 mil reais com trabalhos de terraplenagem e escavação das trilhas de serviço.

Monsanto – Eficiência em processos

A irrigação sustentável e a recuperação de produtos químicos foram os projetos vencedores da Monsanto no Prêmio ECO 2017. A Monsanto aplicou, via parceria, uma metodologia de irrigação eficiente em mais de 220 mil hectares de campos de produção de sementes de milho que trouxe uma economia anual de água equivalente a 983 piscinas olímpicas.

Usando critérios de avaliação, monitoramento climático e ajuste de equipamentos e processos, foi possível usar a quantidade correta de água necessária para a planta, reduzindo excessos. O sucesso animou a Monsanto a replicar a prática na produção de sementes de milho da Argentina.

Outro projeto foi a recuperação e monetização de subprodutos químicos (hidrogênio e ácido clorídrico) gerados na produção de Camaçari (BA). Para a recuperação e venda dos subprodutos, ajustes foram realizados nos processos. A Monsanto também instalou instrumentos de medição de volumes e estruturas foram montadas para receber os produtos recuperados.

O processo mais eficiente recuperou, em média, mais de 25 milhões de toneladas de ácido clorídrico e cinco mil toneladas de hidrogênio, que são vendidos para empresas parceiras. O resultado ambiental foi a redução de emissões atmosféricas e geração de efluentes poluidores.

Santander – Economizar para crescer

O programa de gestão de gastos Fit to Grow (em português, Adaptar para Crescer) do Santander foi um dos premiados do ECO em 2017. Antes do programa, os gastos do banco eram centralizados em uma única área, que planejava e definia o orçamento de todas as outras. O modelo favorecia uma dinâmica de preço e não de consumo de um determinado fator, como água, energia e materiais de escritório.

Delegando as decisões dos gastos internos para todas as áreas e usando modelos estatísticos, foi possível calcular o consumo com maior precisão e seguindo as particularidades de cada local. Além do ganho com a economia de energia (12%), água (17%) e papel (19%), o conhecimento adquirido sobre precificação de custos administrativos foi incorporado ao cálculo de serviços e produtos do banco.

3M – Qualificando o ensino de Ciências

Capacitando professores do ensino fundamental e médio para o ensino de Ciência e Inovação na rede pública de Campinas (SP), a 3M do Brasil levou um dos prêmios ECO de 2017. O projeto qualifica o repertório técnico e didático dos professores, de modo que eles despertem o interesse dos estudantes para carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Os resultados revelam que os professores cursistas modificaram suas práticas de ensino e tiveram novas oportunidades na carreira e ficaram motivados a disseminar o programa para professores de outras escolas da região. E os alunos participantes desenvolveram autonomia e senso de participação nos projetos científicos que foram envolvidos.

Pequeno e Médio Porte

Reservas Votorantim – Preservando a Mata Atlântica

A Reservas Votorantim ganhou o ECO pela gestão e manutenção do Legado das Águas (SP), maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil. O Legado tem 1,5% dos 9% restantes da Mata Atlântica de São Paulo, e a preservação da área é viabilizada pela comercialização de mudas nativas e compensação de reserva legal.

Além disso, a Reservas Votorantim pesquisa novos produtos a partir do DNA das espécies encontradas. Em dois anos, foram sequenciados o DNA de 57 plantas. Além de montar o maior banco genético da Mata Atlântica, a Reservas pesquisa proteínas de interesse comercial para a indústria.

Quitanda (FLV) – Criando inclusão

A instalação de um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) para reciclagem de resíduos sólidos no estacionamento da loja Quitanda, no bairro paulistano de Pinheiros, foi uma das iniciativas premiadas pelo ECO. O objetivo do PEV é coletar resíduos recicláveis dos clientes e moradores do entorno, bem como da operação própria. O descarte, recolhido pela Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis Yougreen, possibilita renda adicional aos seus recicladores.

O PEV ajudou a reduzir em 28% o repasse de rejeitos para aterros sanitários entre fevereiro de 2016 e 2017. A ideia do hortifrúti é ampliar a ação pelo bairro, firmando parcerias com bares e restaurantes vizinhos para o despacho de recicláveis no PEV. Segundo a FLV, o projeto não tem fins lucrativos. O objetivo é estimular a conscientização dos clientes para a importância da reciclagem.

Microempresa/Startup

Eco Panplas – Reciclando embalagens contaminadas

Um problema sério quanto à reciclagem de plásticos é a contaminação. Muitas embalagens chegam às cooperativas com resíduos e acabam sendo higienizadas com grande quantidade de água, gerando efluentes e resíduos com alto risco ambiental. A Eco Panplas desenvolveu uma tecnologia limpa e inovadora, que não utiliza água, recupera o plástico e o contaminante sem geração de resíduos.

Todos os insumos que sobram do processo são separados, recuperados e transformados em matéria-prima novamente. Em seis meses, a organização recuperou 4 milhões de garrafas, gerando 200 toneladas de plástico descontaminado e 7500 litros de óleo recuperado. Com essa ação, 7,5 bilhões de litros de água foram preservados. Além disso, a iniciativa mobilizou mais de 630 catadores, gerando renda para essas pessoas.

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