Secretária-geral do WWF-Brasil: empresas precisam entender o que é sustentabilidade

publicado 12/12/2013 10h44, última modificação 12/12/2013 10h44
São Paulo – Em entrevista, Maria Cecília Wey de Brito falou sobre a importância do empresariado
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Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil e integrante da banca de jurados do Prêmio ECO 2013, esteve na Amcham para a homenagem aos vencedores da categoria Práticas de Sustentabilidade, modalidade Processos.

Em entrevista , ela falou sobre a participação das empresas no desenvolvimento sustentável, o posicionamento do Brasil em relação aos outros países e os principais gargalos da sustentabilidade. Confira:

Amcham: Qual é a importância da atuação das empresas para a sustentabilidade?

Maria Cecília Wey de Brito: As empresas sempre tiveram um papel essencial nesse ponto. Muitas inovações são trazidas à luz por empenho delas, por isso acredito que elas devem seguir nesse papel de incentivar, acelerar e liderar mudanças no mundo.

Amcham: Como está o cenário de parcerias público-privadas?

MCWB: Acho que os governos são tímidos em relação a isso, ainda há certo medo fazer ações com iniciativa privada, mas existem inúmeras intenções e processos que estão caminhando. O que acontece é que muitas vezes a gente não consegue ver com transparência o que se pretende com essas parceiras. Elas são necessárias – afinal, os governos precisam de apoio para dar conta de tudo –, mas precisamos ter certeza de que o benefício não é só para um lado ou para o outro, e sim para a sociedade.

Amcham: Quais são os principais gargalos da sustentabilidade no Brasil?

MCWB: Primeiramente, a compreensão do que é sustentabilidade. Há quem pensa que é apenas um pilar do negócio ou uma vantagem competitiva. Hoje, muitas pessoas, empresas e organizações se classificam como sustentáveis, numa tentativa de se ressaltarem positivamente. No entanto, é preciso compreender o que a sustentabilidade realmente é. Ela envolve três pilares: econômico (que diz respeito a gerar lucro), social (referente ao desenvolvimento humano) e ambiental (garantir que outras espécies também vivam bem).

Amcham: O Brasil está bem posicionado em relação aos outros países nessa questão?

MCWB: De modo geral, em alguns setores, o Brasil tem algo a mais para dizer do que os outros países. Temos uma série de empresas que já conseguem se organizar para colocar a sustentabilidade em foco. Também temos grupos de empresários que apoiam iniciativas nesse sentido. Acho que trilhamos um caminho com alguma segurança – ainda curto, mas no rumo certo. Ao mesmo tempo, infelizmente, ainda há muita maquiagem e pouca qualidade. Temos recursos financeiros destinados à saúde e à educação, por exemplo, mas pouca eficiência.

Amcham: Qual é a relevância do Prêmio ECO para a sustentabilidade no Brasil?

MCWB: O prêmio é um investimento anual para incentivar as empresas a mudarem suas condutas. Considerando a força da Amcham junto ao empresariado brasileiro, o prêmio é uma ação de liderança. O tempo de existência, a sistemática e a seriedade com que é conduzido o processo de seleção é prova de que é possível mudar a forma de fazer as coisas.

Amcham: Quais serão as principais ações do WWF em 2014?

MCWB: Pensando nas ações que envolvem uma relação mais direta com as empresas, vamos sediar no Brasil a conferência de todas as WWF do mundo, em maio. Vamos discutir os desafios de países como o nosso, que têm uma demanda enorme por consumo, produção e recursos naturais e estão num dos poucos lugares do planeta onde há florestas. Faremos também algumas campanhas para chamar a atenção para a escassez de recursos no mundo e a consequente necessidade de mudar nossos hábitos. Todas as empresas precisam reavaliar suas cadeias de valor e a maneira como os produtos estão chegando aos consumidores. Além disso, pretendemos entregar algumas peças para o Congresso, defendendo a importância de aumentar os incentivos de proteção ambiental. Queremos mostrar como isso pode favorecer a todos. 

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