Setor privado é essencial na transição para uma economia de baixo carbono, afirmam especialistas

publicado 23/10/2020 18h16, última modificação 23/10/2020 18h16
Brasil - A tendência é que questões relacionadas ao meio ambiente ganhem ainda mais relevância nas estratégias das companhias
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"O setor privado tem um papel fundamental, porque só ele pode trazer as soluções tecnológicas necessárias, criar emprego e gerar riquezas", diz a Chefe da Delegação Adjunta da União Europeia no Brasil

A expectativa é que as mudanças climáticas devem causar ainda mais impactos do que a pandemia: o nível do mar vai subir, a produção de alimentos tende a cair e algumas espécies talvez sejam extintas. Com o mundo se tornando cada vez mais quente, o Brasil só tem uma saída para recuperar ganhos econômicos e climáticos: investir em uma economia verde, diz um estudo realizado pela WRI Brasil. De acordo com o documento, os brasileiros poderão ver um crescimento de 38% no PIB, caso os investimentos sejam direcionados para uma economia mais eficiente e resiliente. 

Apesar de atrasado em relação ao resto do planeta, os gargalos do Brasil representam uma grande oportunidade de negócio. “O mundo está andando e desenhando uma relação mais equilibrada entre homem e natureza. Nós temos oportunidade de fazer parte desse movimento e diminuir desigualdades, saindo de um modelo linear de exploração dos recursos naturais e adotando um modelo circular. O Brasil tem todas as possibilidades, só precisa parar de brigar com o passado”, avalia a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na Semana de Transição para uma Economia de Baixo Carbono, realizada por nós e pela Fundação FHC entre os dias 20/10 e 23/10.

 

SETOR PRIVADO E GOVERNO 

Perseguir a sustentabilidade não é apenas um bom negócio, mas uma busca pela perenidade – é o que acredita nossa CEO, Deborah Vieitas. Para ela, é dever do setor privado atenuar o fenômeno climático e a tendência é que questões relacionadas ao meio ambiente ganhem ainda mais espaço nas decisões estratégicas das companhias. "O setor privado tem um papel fundamental, porque só ele pode trazer novas soluções tecnológicas, aumentar o número de empregos e gerar riquezas", diz a Chefe da Delegação Adjunta da União Europeia no Brasil, Ana Beatriz Martins.  

A especialista ainda lembra que a União Europeia tem se esforçado para incentivar a economia verde e lançado uma série de pacotes para beneficiar empresas sustentáveis. De acordo com Paulo Hartung, ex-Governador do Espírito Santo e Presidente Executivo da IBÁ, para que o Brasil consiga fazer a migração para uma economia mais verde, é necessário olhar os bons exemplos ao redor do mundo e desenvolver uma atuação conjunta que envolva sociedade civil, governo e setor privado.  

 

BOAS AÇÕES NA PRÁTICA  

Para envolver todos os elos da cadeia, a Presidente da Rhodia Solvay acredita que, mais do que sustentabilidade, é preciso pensar na competitividade do produto no mercado. “Não podemos perder a chance de ativar a economia brasileira pelo aspecto verde e incluir a todos”, defende. Daniele Manique conta que a empresa possui o maior projeto das Américas de redução de gases efeito estufa. "Nós temos um projeto que queima 5,3 milhões de toneladas equivalentes de CO2 e reduz o efeito de carbono em 96%. Esses 4% finais são os mais difíceis, por isso colocamos a meta para 2025”.  

Já o Presidente da Movida, Renato Franklin, afirma que a locadora é a única do mundo Carbon Free. Segundo ele, a meta de toda a empresa é reduzir a quantidade de resíduos, utilizar apenas energia renovável em 2021 e ser carbono neutro até 2030. “Mudanças com pessoas físicas é muito difícil, mas grandes empresas conseguem disseminar essa cultura. É por isso que, na Movida, todos os departamentos têm metas de ESG”, revela.  

O Presidente da Vorotantim Cimentos também busca ser verde no setor financeiro e na sustentabilidade. “O cimento é o segundo material produzido pelo homem mais utilizado no mundo, mas nós temos um compromisso de diminuir a pegada de carbono. Atualmente, emitimos 700 quilos de gás carbônico por tonelada de cimento produzido. Em 2030, a meta é chegar a 520 quilos”, comenta. Para colocar o plano em prática, Marcelo Castelli defende que a solução é ressignificar o jeito de se fazer cimento e remodelar a cadeia para produzir um green concrete. 

 

 

UNIÃO EUROPEIA  

Na Europa, sustentabilidade deixou de ser opcional e essa exigência afeta toda a cadeia de produção de um negócio. Maurício Harger, Diretor Geral da CMPC, sente esses impactos na pele ao firmar acordos com empresas da região, mas defende que tudo isso é um incentivo para a economia brasileira. “Juntar essas economias influencia todos os setores a ser mais sustentável”, diz.  

Com o acordo entre União Europeia e Mercosul, Ana Beatriz Martins afirma que fazer negócios entre os países membros será ainda mais vantajoso, tanto do ponto de vista econômico quanto sustentável, uma vez que o Brasil e outros países do bloco deverão cumprir uma série de normas ambientais. “O acordo pode ser um instrumento importante para aprofundar o desenvolvimento das relações econômicas de uma forma mais sustentável".