#PremioECO: Sistema B certifica empresas que querem ir além do lucro

publicado 25/08/2016 10h34, última modificação 25/08/2016 10h34
São Paulo – Mais de 1800 empresas no mundo, sendo 62 no Brasil, possuem a certificação de Empresa B
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O Sistema B (de Benefício sócio-ambiental), certificação empresarial que reúne empresas que geram produtos e serviços com respeito a parâmetros sociais, ambientais e de governança será parceiro do Prêmio Eco deste ano. A proposta tem ganhado força no Brasil e no mundo. Dez anos após o seu surgimento, mais de 1800 empresas no mundo possuem a certificação, sendo que 62 estão no Brasil. “É preciso redefinir o conceito de sucesso em uma empresa, que vá além do lucro e olhe quais as demandas sociais ou ambientais ela está respondendo”, disse Ana Sarkovas, diretora executiva da organização não governamental Sistema B. no 5º Seminário de Sustentabilidade da Amcham – São Paulo na quarta-feira (24/8).

Participaram também do painel, Marcelo Behar, diretor de assuntos corporativos da Natura, Ricardo Glass, CEO da Okena. Daniel Fernandes, editor de Suplementos do Estadão, foi o moderador. O encontro foi realizado em parceria com o Estadão. Além do evento, o Estado hospedará o blog Ecoando, que trará temas de responsabilidade social e ambiental e também a cobertura do Prêmio Eco, com cases e estratégias de empresas.

No Brasil, as empresas com a certificação B participarão do Prêmio ECO de forma voluntária, sendo avaliadas pelos jurados com base no relatório de impacto social da organização. Dez empresas serão selecionadas após análise desse júri e até cinco delas poderão ser eleitas por votação popular online para receberem o reconhecimento do Prêmio ECO à partir da sustentabilidade na transformação do modelo de negócios.

O Prêmio ECO da Amcham foi o pioneiro do Brasil em reconhecer práticas de sustentabilidade empresarial. As inscrições poderão ser feitas até 15/9 no site www.premioeco.com.br. A cerimônia de premiação acontecerá em dezembro, na Amcham São Paulo.

O Sistema B

O Sistema B é um movimento surgiu em 2006 nos Estados Unidos, liderado por jovens empresários do Vale do Silício que fundaram o B-Lab. O objetivo é identificar e certificar empresas que façam negócios com produtos e serviços que solucionem alguma questão ambiental e social.

Para obter a certificação B, as empresas candidatas precisam  responder a um questionário com 160 perguntas que avaliam aspectos que vão da gestão de negócios, impacto ambiental a relações no trabalho. Qualquer empresa pode começar o processo gratuitamente acessando o site www.bcorporation.net e respondendo às perguntas. Se atender aos diversos critérios, disponíveis online, ela pode seguir em frente na certificação. Além de cumprir os requisitos, as empresas candidatas têm que participar de algumas checagens e se comprometer a mudar o estatuto e incluir cláusulas de responsabilidade social para a empresa e a cadeia de parceiros.

Empresas certificadas

A Natura adquiriu a certificação B no final de 2014, tornando-se a maior empresa de capital aberto do mundo a integrar o movimento. Para Behar, a adesão ao Sistema B é uma forma de compartilhar e fazer negócios com empresas que partilhem valores de sustentabilidade. “Estar dentro do Sistema B também significa ter um critério de desempate na escolha de fornecedores. Se o seu parceiro também é B, já se tem, de saída, um compartilhamento de valores”, segundo Behar.

Desde sua fundação há quase 50 anos, a Natura sempre buscou o caminho da sustentabilidade, conta o executivo. Primeiro, quando começou a usar elementos naturais em cosméticos em uma época onde se valorizava a química nos produtos. Anos depois, a Natura decidiu distribuir riqueza ao adotar o modelo de vendas diretas e passou a pesquisar inovações com base na biodiversidade brasileira. “É possível reunir propósitos econômicos e sociais no estatuto da empresa”, disse Behar.

Para Glass, que atua com tratamento de efluentes industriais, a adesão ao sistema foi uma forma de dar transparência aos negócios da Okena. “Se dá para fazer produtos e serviços que atendam às necessidades com um olhar sustentável e mostrar comprometimento, então é interessante”, comenta.

Para o empreendedor, é importante que mais empresas adotem a filosofia de gerar negócios de forma sustentável. “Temos que trabalhar em rede e entender nosso papel como empresas. Enquanto não chegar nisso não dá para evoluir.”

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