Sustentabilidade ambiental deve fazer parte do DNA das empresas, diz secretário do Meio Ambiente em cerimônia do Prêmio ECO 2012

por marcel_gugoni — publicado 11/12/2012 17h58, última modificação 11/12/2012 17h58
Marcel Gugoni
São Paulo - Francisco Gaetani afirma que já não há mais espaço para o antagonismo entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
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Durante décadas, o desenvolvimento econômico foi tido como incompatível com a preservação ambiental e a sustentabilidade. Nada mais falso: é possível crescer preservando o meio ambiente. 

“A sustentabilidade ambiental, longe de ser uma novidade no mundo empresarial, é parte de seu próprio DNA”, afirmou Francisco Gaetani, secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, na cerimônia de entrega do Prêmio ECO 2012.

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O evento, realizado pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (11/12), teve como mensagem-chave a ideia de que a geração de riqueza pelas empresas deve ser pautada pelo uso racional dos recursos (como água e energia), redução da emissão de poluentes e resíduos sólidos, promoção da inclusão social e diminuição da desigualdade. 

Gaetani, que representou a ministra Izabella Teixeira, diz que o Brasil está no caminho para encontrar equilíbrio entre o desenvolvimento econômico com preservação do meio ambiente e inclusão social. “A agenda ambiental, do ponto de vista do Brasil, está ascendendo de forma irreversível e irresistível. É imperativo que trabalhemos conjuntamente com o setor empresarial porque grande parte dele já percebeu que o futuro da economia é com ‘DNA verde’.” 

Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham, destacou na cerimônia que o mundo passa por um período “absolutamente sem precedentes na história em termos da pressão sobre os recursos do planeta”. O desafio para a sociedade e para as empresas é fazer com que esse crescimento econômico, que é muito necessário, seja sustentável em um planeta com recursos limitados, defendeu. 

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A avaliação do executivo é de que as empresas têm duas formas de enfrentar esse desafio: “internamente, através da redução da chamada pegada ambiental da própria companhia, reduzindo o nível de desperdício, o que também ajuda a reduzir os custos; e externamente, usando a sustentabilidade como oportunidade de negócios, ajudando os clientes, sejam consumidores finais ou outras empresas, a serem mais sustentáveis também.” 

Disseminar práticas 

Jacques Marcovitch, especialista em pioneirismo empresarial, estratégia e inovação e professor da Universidade de São Paulo (USP), recomenda, como fundamental para o desenvolvimento sustentável, um maior compartilhamento de ideias e projetos. “Nossos desafios passam por disseminar generosamente essas práticas”, avalia. “Os que inovam com sucesso precisam contar aos outros o que estão fazendo e como estão fazendo.” 

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“A transformação das relações entre os vários segmentos da população exige uma inserção social para não criar as fraturas que justificam o terrorismo e a insegurança. É preciso ser obsessivo em relação aos resultados sem esquecer a lógica dos valores”, pontuou o professor. 

Ele diz que as empresas, para terem uma atuação mais sustentável, devem “conciliar métricas e valores que permitem a melhor utilização da energia, a melhor utilização da água, a redução de dejetos, assegurar a cobertura vegetal, melhorar a inserção social e reduzir as emissões de gases do efeito estufa”. Ou seja, conciliar valores e resultados. 

Nos 30 anos do Prêmio ECO, o acadêmico faz um retrospecto sobre as mudanças no Brasil. “Em 1982, estávamos em uma década de crise. Em 81, o Brasil teve crescimento negativo de 4,5%. A população tinha 123 milhões de habitantes. Era um ambiente de profunda depressão. Mas, apesar da crise, em fins de um período ditatorial, líderes empresariais mostraram que eram capazes de enfrentar as adversidades e construir um futuro melhor.”

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Gabriel Rico, CEO da Amcham, por sua vez ressaltou que o Prêmio ECO mostra uma “difusão das práticas de sustentabilidade no meio empresarial brasileiro, com mais e mais as empresas incorporando essas práticas ao seu dia a dia”. Ele também lembrou a contribuição da Amcham divulgando a sustentabilidade, levando esses conceitos a suas unidades regionais espalhadas pelo País, e o processo em curso de adequação do prédio da sede da entidade para ser reconhecido como um green building

Reconhecimento verde 

Treze empresas venceram o Prêmio ECO 2012, pioneiro no reconhecimento de práticas sustentáveis no setor privado brasileiro. Desde 1982, o Prêmio ECO já mobilizou 2.117 companhias brasileiras e multinacionais. Elas foram responsáveis pela inscrição de 2.630 projetos. 

Neste ano, o número de premiados cresceu. Em cada uma das categorias, foram cinco os projetos vencedores, sendo três de grandes empresas e dois de pequenas e médias. Os ganhadores estão distribuídos nas duas modalidades do troféu: Estratégia, Liderança, Inovação e Sustentabilidade (Elis) e Práticas de Sustentabilidade – esta subdividida nas categorias Sustentabilidade em Produtos e/ou Serviços e Sustentabilidade em Processos.

Conheça os cases vencedores da categoria Elis:

Elektro (grande porte)

IBM (grande porte)

Schneider do Brasil (grande porte)

Pontal (pequeno e médio portes)

Surya Brasil (pequeno e médio portes)

Na modalidade Práticas de Sustentabilidade, categoria Processos, ganharam:

BDF Nivea (grande porte)

Diageo (grande porte)

Procempa (grande porte)

Korin (pequeno e médio portes)

Pontal (pequeno e médio portes)

Já na modalidade Práticas de Sustentabilidade, categoria Produtos, venceram:

Embraer (grande porte)

Duratex (grande porte)

Santander (grande porte)

Precon (pequeno e médio portes)

Surya Brasil (pequeno e médio portes)

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