Sustentabilidade como base de todo o negócio leva Beraca a ganhar o Prêmio Eco

publicado 29/11/2013 09h00, última modificação 29/11/2013 09h00
São Paulo - Empresa vende insumos da biodiversidade brasileira às indústrias cosmética e farmacêutica
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A Beraca é uma empresa brasileira que vende insumos para as indústrias cosmética e farmacêutica em mais de 40 países. Os ingredientes são à base de frutas e castanhas de biomas brasileiros, como andiroba, açaí e murumuru, colhidos por cerca de 6.400 famílias em seis estados, a maioria no norte do país.

Mas a Beraca não apenas compra o que é colhido. Ela ajuda as comunidades a se organizarem em cooperativas, certifica que não há trabalho infantil e ensina a produzirem seus próprios produtos, a partir dos mesmos frutos e castanhas que ela usa para exportar seus ingredientes.

Ações como essas fazem parte do Programa de Valorização da Biodiversidade, que dá as diretrizes para todas as ações da empresa na unidade de Ananindeua-PA, desde a colheita até a venda de seus produtos. Graças a esse programa, ela é uma das contempladas pelo Prêmio Eco 2013 na modalidade ELIS (Estratégia, Liderança, Inovação e Sustentabilidade), que reconhece as gestões sustentáveis. A empresa ganhou entre as de pequeno e médio portes.

O programa visa rentabilidade adequada, preservação da água e da biodiversidade e o desenvolvimento humano de forma equilibrada. Seu impacto existe em toda a cadeia, do relacionamento com fornecedores até a atuação com os clientes.

A empresa decidiu inscrevê-lo no Prêmio Eco pela segunda vez, em função da história de 31 anos da premiação e do modo como é realizada.

Participe da cerimônia da 31ª edição do Prêmio Eco da Amcham. Encontro acontece no próximo dia 09/12, na Amcham-São Paulo

“É um dos mais reconhecidos, por sua tradição e pela credibilidade da Amcham, além da penetração nacional”, diz Thiago Terada, especialista em Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa da Beraca. “A gente sabe que quem vota são pessoas conhecidas do mercado, num processo transparente”, complementa.

Comunidades

Em Ananindeua, a unidade da Beraca emprega 30 pessoas e conta com uma rede de parceiros com 105 núcleos comunitários - o que significa cerca de 1.600 famílias ou 6.400 pessoas.

De acordo com Terada, o sistema de produção desenvolvido e compartilhado com as comunidades visa à geração de renda, ao combate a problemas locais e à preservação ambiental e uma área de 1,5 milhão de hectares, o equivalente à metade do estado de Alagoas.

Para combater problemas sociais da região, os contratos com as associações e cooperativas proíbem o trabalho infantil. O manejo de mais de 40 espécies como açaí, andiroba, murumuru e priprioca também é vistoriado por profissionais da Beraca.

O processo é certificado e garante a origem do produto. “Há uma história por trás. Esses produtos não são comercializados por meio de atravessadores, que ganham em detrimento das famílias. Com a certificação dos processos, pagamos a eles 30% mais que o preço de mercado, mas garantimos que não há trabalho infantil nem destruição ambiental”, afirma.

Produção sustentável

O programa atua junto às comunidades respeitando as características próprias. Terada conta que, na Ilha de Marajó, as famílias viviam apenas da pesca, que é sazonal. Nos períodos em que a pesca é proibida, a subsistência era garantida por meio de derrubada de árvores para vender madeira.

“Esse período sem pesca é justo quando há safra de andiroba, que era queimada como lixo recolhido da praia. Fomos lá e os ajudamos a organizar a cooperativa para a colheita do fruto. Compramos um terreno e a Fundação L’Occitane construiu a sede para o armazenamento, tudo com certificação”, relata.

Em outras comunidades, os profissionais da Beraca ensinam o manejo sustentável, como no caso do açaí, em que a planta fornece palmito e o fruto.

A empresa também transferiu tecnologia para as comunidades, em seis estados (Amazonas, Acre, Minas Gerais, Pará, Piauí e Tocantins), em um projeto por meio do Fundo da Amazônia. O objetivo é o de que os extrativistas também façam e vendam óleos, e não apenas sementes.

A Beraca fechou, ainda, parceria com a Agência Alemã para Cooperação Internacional (GIZ) e a L’Oreal, em um convênio de 1 milhão de euros para a capacitação técnica e organização social das comunidades. O objetivo é que cerca de 200 famílias do Pará e do Amazonas tenham mais renda, por meio da produção de cosméticos. “Na comunidade de Bragança-PA, eles foram capacitados por nós e pelo Sebrae. Com a venda de cosméticos para hotéis, eles conseguem viver melhor”, comenta Terada.

Anualmente, há um encontro que a empresa realiza, durante três dias, reunindo todos os líderes comunitários com especialistas e autoridades para discutir demandas locais, legislação, sustentabilidade e educação, entre outros temas.

A unidade

Com 57 anos, a Beraca atua nas áreas de tratamento de águas, cosméticos, nutrição animal e indústria de alimentos e bebidas. A unidade de Ananindeua, contemplada com o Prêmio Eco, também funciona sob os princípios do programa, diz Thiago Terada.

Há dois anos, foram instaladas placas fotovoltaicas para geração de energia, que fornecem 40% da demanda interna, o suficiente para abastecer a área administrativa. “Estamos estudando a geração de biogás por meio dos resíduos dos materiais que usamos, para substituir o gás da caldeira e a energia elétrica”, diz Terada.

A operação em Ananindeua, que fornece insumos para o Brasil e mais de 40 países, também colhe resultados financeiros do Programa de Valorização da Biodiversidade. Desde 2000 o crescimento alcança dois dígitos, como 24% em 2012 e 40% estimados para 2014.

Além das parcerias para capacitação dos fornecedores, os clientes da Beraca participam da cadeia em outras ações, como visitas às comunidades. Numa dessas, a marca americana de cosméticos Kiehl’s fez um concurso de desenho com crianças do Pará e usou o vencedor como estampa para seus produtos de açaí vendidos nos Estados Unidos, durante um mês. “Nosso papel é ser transparente nas relações e funcionar como ponte”, cita Terada.

Para o executivo, são ações como essas que justificam uma gestão premiada. “Na verdade, a sustentabilidade é o nosso negócio”, define.

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