Sustentabilidade é parte importante da governança corporativa e dos resultados

por andre_inohara — publicado 04/05/2011 08h21, última modificação 04/05/2011 08h21
André Inohara
São Paulo – Respeito às pessoas e ao meio ambiente surge como prática operacional, o que ajuda a melhorar a imagem da empresa e ter acesso a crédito facilitado.
carlos_lessa_brandao.png

No mundo corporativo, praticar responsabilidade social ajuda a diminuir os custos e melhorar a imagem institucional. Em uma empresa, isso pode se refletir em acesso facilitado ao crédito e atração de mão de obra. Assim, o número de companhias que estão incorporando práticas de governança corporativa e sustentabilidade em seus negócios vem aumentando.

“As empresas estão vendo cada vez mais a sustentabilidade como elemento estratégico na tomada de decisões. Se elas não conhecerem bem os aspectos sociais e ambientais de seu negócio, deixarão de preservar esses fatores”, afirmou o especialista em sustentabilidade e governança corporativa, Carlos Eduardo Lessa Brandão, que participou na quarta-feira (20/04) de reunião de planejamento do Prêmio ECO 2011 na Amcham-São Paulo.

O especialista define sustentabilidade como um capital que gera renda e que deve ser usado com parcimônia. Se empregado em demasia, não será reposto.

“A sustentabilidade está ligada à preservação de diversas formas de capital, como o ambiental e o social. E as empresas, entendendo isso, tenderiam a ficar cada vez mais alinhadas com esse conceito”, acrescentou Brandão.

Governança é uma forma de respeito sócio-ambiental

Companhias que adotam a governança corporativa, além de serem geridas de maneira mais transparente, tomam decisões que levam em conta o benefício da sociedade e do meio-ambiente. “Em geral, as empresas com governança tendem a ser mais transparentes e menos injustas no relacionamento entre acionistas controladores e minoritários”, observou Brandão.

“Um dos princípios básicos de governança defendidos pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, no qual Brandão atua) é o de levar em conta os aspectos ambientais e sociais nas operações de negócios”, exemplificou. A governança corporativa consiste em regras de gestão que procuram reduzir ou eliminar conflitos de interesse entre controladores, direção e acionistas minoritários.

Empresas que possuem governança apresentam estruturas decisórias com papéis definidos e interligados, como conselho de administração com membros independentes, diretoria autônoma e auditoria externa. “Quando uma companhia tem governança, as chances de que ela tome decisões que respeitam acionistas e empregados são maiores”, acrescentou Brandão. 

Sustentabilidade garante resultados em longo prazo

A prática da sustentabilidade gera custos às empresas, pois é preciso investir em treinamentos, campanhas internas de conscientização e eventual adequação das linhas de produção que não causem danos ambientais excessivos. Brandão disse que os ajustes são inevitáveis no curto prazo, mas os resultados serão compensadores em médio e longo prazos.

“Com uma reputação melhor, a qualidade da receita será proporcional. Além disso, a empresa terá facilidade de contratar pessoas e acesso a mais sócios, financiadores e parceiros. Há bancos que oferecem linhas diferenciadas de crédito para empresas sustentáveis”, argumentou.

Prêmio ECO

O Prêmio ECO foi lançado em 1982, sendo o primeiro a reconhecer as práticas de sustentabilidade de companhias no País. Realizado em parceria com o jornal Valor Econômico, o ECO busca valorizar os esforços de sustentabilidade tanto das empresas privadas como públicas.

O propósito básico de uma empresa é servir a sociedade, e ela precisa estar saudável para isso, afirmou o especialista. “E ela só conseguirá ser saudável se a sociedade e o meio ambiente também estiverem dessa forma. Não dá para ser bem-sucedido se em volta tudo estiver indo mal.” 

registrado em: