Sustentabilidade está migrando da retórica para a mensuração das práticas

por daniela publicado 28/07/2011 16h09, última modificação 28/07/2011 16h09
Daniela Rocha
São Paulo -Tendência é apontada por Jacques Marcovitch, professor da USP, que participa do ciclo de lançamentos regionais do Prêmio ECO 2011
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A sustentabilidade passará a ser mais efetiva no cenário global nos próximos anos, à medida que continue migrando do campo da retórica para a implementação de métricas de avaliação das práticas adotadas por empresas e nações. A tendência é apontada por Jacques Marcovitch, professor da Universidade de São Paulo (USP), que participa do ciclo de lançamentos do Prêmio ECO 2011 em várias unidades regionais da Amcham. A primeira fase foi na unidades de Porto Alegre (25/07), Curitiba (27/07) e Campinas (28/07). Está previsto ainda um encontro em Recife em agosto.

“Vejo grande importância nessa transformação da sustentabilidade da primeira para a segunda década deste século, quando o mundo sai das discussões que começaram com a Eco 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento) que resultaram nas convenções sobre o clima e a biodiversidade para, recentemente, o desenvolvimento de métricas. A questão central hoje é como é possível um País crescer ou uma empresa prosperar utilizando menos recursos naturais, emitindo menos gases causadores do efeito estufa, reduzindo o volume de dejetos e preservando a natureza”,  explica Marcovitch.

O professor avalia que as mensurações nesse segmento devem ser mais numéricas do que qualitativas. “É como se voltássemos há cem anos com o tema da produtividade. No início, falava-se que as empresas deviam ser produtivas, o que se tornou mais efetivo quando a produtividade começou a ser medida. Na questão da sustentabilidade, defendo o mesmo, que é ter dimensões quantificáveis”, disse. 

Nesse caminho, o uso de recursos tem de ser comparado com as unidades de produção. Como exemplos, Marcovitch citou que, na produção de um carro, será fundamental criar parâmetros para verificar, ano a ano, se se está consumindo menos recursos naturais, emitindo menos gases do efeito estufa e reduzindo resíduos. “Uma medição comparada e uma evolução histórica deverão prevalecer daqui para a frente”, comentou o especialista.

Brasil

Questionado se o Brasil tem trabalhado para medir suas riquezas naturais, Jacques Marcovitch enfatizou que isso está sendo feito ainda de forma incipiente e fragmentada.

“Ainda acho que estamos longe de ser um País capaz de mensurar de forma contínua como estamos preservando esses nossos recursos naturais. Há iniciativas locais, algumas pontuais e outras até políticas; porém, ainda não chegamos a um modelo abrangente de monitoramento”, afirmou.

Conforme o professor, o País precisa ainda elaborar um modelo de desenvolvimento econômico para crescer de maneira sustentável.

Novidades

Nos eventos de lançamento do ECO 2011, Marcovitch aproveitou para compartilhar com os executivos participantes fatos recentes ligados à sustentabilidade.

Um deles é que, no último dia 20/07, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou um documento ligando impactos ao meio ambiente e riscos globais. Isso quer dizer que o secretário geral da ONU deve informar ao conselho toda vez que houver uma ameaça provocada por mudanças climáticas.

Essa medida foi tomada até porque metade das forças da ONU estão hoje em áreas que são seriamente afetadas por falta de recursos e de alimentos por conta de mudanças de clima, como a África, explicou o professor.

Marcovitch também antecipou que, no Brasil, a partir de 01/08, entrarão em vigor os novos princípios do Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) sobre sustentabilidade. Assim, sempre que a palavra sustentabilidade for mencionada nas propagandas e campanhas, terá de seguir os pilares da veracidade, exatidão, pertinência e relevância.

 

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